Zootecnista se inspira na música e descobre dom para compor e poetizar

01/10/2013 22:07

Tião Carreiro e Pardinho foram “padrinhos” do uberlandense. 
Ele aprendeu a conciliar as áreas e se sente realizado.

 

Fernanda ResendeDo G1 Triângulo Mineiro

 
 
 
Zootecnista (Foto: Ivone Assis/Divulgação)Marcelo Macário também é poeta e compositor
 (Foto: Ivone Assis/Divulgação)

Bovinos, versos, estrofes e melodias. Palavras tão distintas, mas que juntas constroem a história do uberlandense Marcelo Augusto Peixoto Comparini, conhecido por Marcelo Macário. Ele tem 38 anos e é zootecnista, poeta e compositor. Recentemente, lançou, pela Lei de Incentivo à Cultura, o primeiro livro, intitulado “Reticências”, e o CD “Pão de Queijo Elétrico”, com a Banda Trecheiros, com dez composições próprias.

O lado artístico do mineiro só veio se manifestar publicamente depois que ele já era zootecnista. Mesmo amando a profissão e o contato com o campo e os animais, ele sentiu a necessidade de resgatar palavras da juventude.

Foi na adolescência que ele teve os primeiros contatos com a poesia e através do violeiro Tião Carreiro, da dupla sertaneja ‘Tião Carreiro e Pardinha’, ele se inspirou e começou a criar seus primeiros versos. A banda de rock ‘The Doors’ também teve grande influência na vida do mineiro e ele não nega que as letras o inspiraram no seu processo criativo. “Tudo começou como forma de desabafo. Gostava de falar de amor, de política e até da percepção que tinha do mundo e da vida. Ao colocar algumas palavras no papel qualquer poeta só pretende, não de forma mesquinha, a visibilidade e a imortalidade”, explicou.

Os versos do poeta são regados de sensibilidade, percepção e liberdade e ele acredita que a alma não aceita limites. “A poesia é uma extensão do meu ser, como se fosse o terceiro olho, glândula pineal fisgada pela luz dos sentimentos do cotidiano. O propósito se encerra na poesia pela poesia, simples assim.”

A poesia é uma extensão do meu ser, como se fosse o terceiro olho"
Marcelo Macário

Sobre o livro, ele afirmou ao G1 que não gosta de intitular a obra, pois acredita se assim o fizer, o leitor já inicia a leitura de uma forma pré–conceituosa. A obra foi lançada pela Lei de Incentivo a Cultura. “A poesia para mim é livre. É lindo ler sonetos ou outras métricas, mas particularmente não sou adepto de limites. Trabalho a rima quando dá, às vezes, o sentimentalismo é tão intenso, que não da tempo de ‘tapar’ a boca”, comentou.

O uberlandense confessou que não leva a poesia como hobby ou trabalho, mas como forma de aproveitar melhor o existir. Já a música, é um projeto solo e que caminha a passos ainda lentos, com um convite aqui e outro ali. O CD traz a mescla a viola caipira com a guitarra e letras poéticas.

Em determinado momento da vida, o artista já chegou a ter uma banda e se apresentar em bares e casas de shows da cidade. “A música, como músico, não me interessa tanto assim, pois é somente a ‘mula’ que leva broaca (saco de couro que coloca sobre o lombo de burros para transportar utensílios) que acomoda a minha poesia”.

Livro foi lançado pela Lei de Incentivo à Cultura (Foto: Ivone Assis/Divulgação)Livro foi lançado pela Lei de Incentivo à Cultura (Foto: Ivone Assis/Divulgação)

O artista, apesar de ter os dois trabalhos lançados pela Lei de Incentivo a Cultura, acredita que Uberlândia precisa aprimorar e abrir mais portas para a cultura. “A cultura precisa de mais incentivo, ela precisa fluir e atingir o maior público possível”, comentou.

Mesmo sem muito retorno financeiro, o mineiro não pretende abrir mão do lado artístico. Ele salientou que tem o apoio da família e consegue conciliar bem as áreas, estas que vão do curral até a criação.

Materiais
O livro e o CD do artista podem ser adquiridos através do e-mail potencialpecuaria@hotmail.com. O valor dos produtos é de R$ 10 cada. O trabalho do uberlandense pode ser conferido no Blog Projeto Reticere.