Zootecnista Murilo Quintiliano, diretor executivo da FAI do Brasil, e sua visão sobre produção de carne com foco no bem-estar animal

07/03/2014 22:24

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Desenvolver um sistema de produção animal com foco na sustentabilidade econômica, ética e ambiental são as propostas da Fazenda Modelo Santa Terezinha, localizada no município de Jaboticabal (SP).

A fazenda faz parte de uma rede internacional, que congrega várias fazendas modelos e possui como responsável a empresa FAI do Brasil, desde agosto de 2008, com a supervisão de Murilo Henrique Quintiliano, diretor executivo e zootecnista graduado pela Unesp – Jaboticabal.

Figura 1. Murilo Henrique Quintiliano – diretor executivo da FAI do Brasil e zootecnista graduado pela Unesp – Jaboticabal.

O projeto conta com o apoio técnico científico do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal, Grupo ETCO, da Unesp, campus de Jaboticabal, com a tutoria do Prof. Dr. Mateus José Rodrigues Paranhos da Costa, uma referência na área de bem-estar e comportamento animal no Brasil e no mundo.

A propriedade apresenta uma área de 153 hectares distribuídos às margens do Rio Mogi-Guaçu, onde são realizados estudos que buscam o desenvolvimento de sistemas de produção rentáveis e que visem o bem-estar dos animais.

A proposta é que sejam elaborados modelos viáveis para substituir ou melhorar sistemas de produção deficientes nos aspectos ligados ao bem-estar animal, promovendo a rentabilidade, conforto e segurança às pessoas envolvidas na atividade rural. As atividades englobam estudos com diferentes espécies, procurando soluções práticas sobre instalações, estratégias de manejo, nutrição, bem como clima, cultura, topografia e recursos financeiros.

Figura 2. (A) Adoção do uso de bandeiras para a condução dos animais – manejo racional (B) Animais alocados em piquetes sombreados e com boa disponibilidade de forragem, água e suplementação mineral.

Com mais de quatro anos de execução do projeto, espera-se legitimar a preocupação com o bem-estar dos animais, de forma a evitar doenças e maus tratos e conseguir bons resultados em sua exploração. A intenção é que os cuidados com o bem-estar tornem-se inerentes ao futuro dos sistemas agropecuários.

No que diz respeito à produção de bovinos de corte a propriedade trabalha com ciclo completo (cria, recria e engorda). Sendo este último processo executado em um sistema alternativo de confinamento, batizado como “Sistema de terminação em Piquetes”.

Além da bovinocultura de corte, a fazenda dedica-se à produção de frangos de corte, aves de postura e ovinos. Adicionalmente, proporciona também espaço aberto para a realização de cursos, treinamentos e outras atividades relacionadas à produção agropecuária sustentável.

Um dos maiores desafios encontrados por Murilo é ajustar o nível de produtividade e qualidade dos produtos para que se torne possível obter retorno financeiro de maneira mais eficiente. Em virtude da crise ocorrida no ano passado com a conseqüente elevação dos preços dos grãos, em 2013 o diretor, disse estar mais atento e preparado para todos os tipos de situação que o mercado de insumos e de compra e venda de animais tenha a oferecer, sejam eles positivos ou negativos.

Para 2013, ele espera melhorar os índices reprodutivos das matrizes das raças Nelore e cruzadas de Angus, que compõem o rebanho bovino da propriedade. Além disso, estar preparado para acelerar o processo de engorda e a taxa de desfrute da fazenda, otimizando o uso do espaço e maximizando a produtividade do seu sistema de produção.

Leitor e parceiro do BeefPoint, Murilo deixa um recado: “A qualidade das informações e a idoneidade na divulgação de novas estratégias e tecnologias, são pontos que admiro muito no BeefPoint. Sugiro que o acesso a algumas áreas do site seja facilitada, tornando mais intuitivas as buscas por determinados tópicos.”

* Gustavo da Silva Freitas, candidato a agro-empreendedor do BeefPoint.