Zootecnista Gustavo Augusto Serpa Rocha, um empreendedor visionário

19/12/2015 15:39

Prêmio Visconde de Guarapuava

O zootecnista Gustavo Augusto Serpa Rocha, natural de Guarapuava, é mestre em Sericicultura, empresário têxtil, autodidata em Pigmentos Vegetais e Tecelagem Manual e proprietário da empresa O Casulo Feliz, sediada em Maringá, no Norte do Paraná. Por meio de uma posição empreendedora eco-sustentável, Gustavo demonstra inovação através do uso de seda descartada pelas indústrias convencionais, criando produtos genuinamente brasileiros e ecologicamente corretos. Assim, se destaca mundialmente no ramo.

O início
De acordo com ele, o momento visionário do projeto ocorreu em 1988. Como professor da Universidade Estadual de Maringá, na área de Sericicultura (criação do Bicho-da-Seda), Gustavo percebeu que casulos descartados poderiam ser fiados em forma manual com as “velhas rocas laneiras”. Dessa maneira, tudo se iniciou e prosperou. Posteriormente, foi agregada a tinturaria com pigmentos vegetais, completando assim a confecção de um material realmente orgânico e ecológico.
A escolha de Maringá para sediar a empresa se deu em virtude do município ser conhecido como o Vale da Seda, região de expressiva produção de casulos e fios de seda. Como Gustavo sempre teve pensamentos de cidadania e participação social, a sua empresa foi instalada na região mais vulnerável economicamente da cidade. O objetivo era formar o seu quadro de funcionários com pessoas da comunidade, dando oportunidade para catadores de papel se tornarem tecelões de arte.
Com essa postura, o empresário sedimentou a espiritualidade da empresa em princípios éticos, ecológicos e cidadãos. Desde o início da empreitada, se manteve atento à viabilidade comercial, mantendo a empresa sólida.

Produtos requintados
Atualmente, a empresa O Casulo Feliz é reconhecida como referência tanto na decoração quanto na moda, por causa da beleza ímpar das peças. “Acredito que é exemplo de sustentabilidade esse uso criativo de materiais descartados pela indústria convencional”, afirmou Gustavo.
O trinômio produtivo da empresa é: fibras naturais e pigmentos vegetais; responsabilidade social e viabilidade econômica. Ele cita um dos ensinamentos de Mahatma Gandhi que é considerado no processo: “Não há beleza em nenhum tecido se ele causa fome e infelicidade”.
Hoje, O Casulo Feliz conta com 30 colaboradores que trabalham com fiação, tingimento, tecelagem manual e acabamento em tecidos 100% seda. “Os produtos de decoração estão na tapeçaria, cortinas e tecidos encorpados para sofás e cadeiras. Tem uma produção diferenciada de tecidos, indo dos finíssimos ‘organzas’ até os pesados ‘tafetás’”, ressaltou.
Já o material produzido para a moda agrega tecidos de seda rústica, fiados e tecidos a mão. Essa produção já começa na escolha de um fio com características desejadas e todo o processo criativo é apresentado em desfiles de moda, tanto no SPFW ou New York Fashion Week – L’Officiel , analisado pela opinião do público e transformado em artigo comercial. “Desenvolvemos também uma linha de acionamentos, que vai de bijuterias, bolsas e sapatos, e os preciosos fios de crochê”, comentou.
O Casulo Feliz participa do E-Fabrics, um selo concedido às empresas e estilistas que respeitam critérios socioambientais. “Também estamos sempre em contato com os demais criadores da arte e da moda no Brasil, como Ana Maria Vieira Santos, Fernanda Negrelli, Jun Nakau, Mario Queiroz, Alexandre Herchcovitch, Cris Barros e isso alavanca os contatos com grandes marcas, como Osklen, Huis Clos, Animale, Cantão, Interne, Beraldin, V. Montoro, Fibras Naturales, The Yarn Company, Mumo Ltd, e também toda a parte de entretime com a Rede Globo e a TV Record”.
Outra importante área de atuação d’O Casulo Feliz é a produção de figurino, cenografia e arte para televisão, apresentando um envolvimento de brilho, cor e reflexo da luz. “Pelo fato da produção manual de nossos produtos com características procuradas pelas indústrias cenográficas dos filmes épicos bíblicos, estamos sempre estudando produtos-história para a criação de figurinos e cenários”, revelou Gustavo.
Vale citar que toda a arte, figurino e cenografia da Rede Record, em seus seriados e novelas de filmes religiosos, como Sansão e Dalila, Rei Davi e, agora, Os 10 Mandamentos, foram confeccionados pelo O Casulo Feliz.

Relação com Guarapuava
Nato de Guarapuava, de família Serpa, Marcondes e Rocha, Gustavo é oriundo da árvore genealógica do Capitão Rocha, neto de Antonio Linhares Serpa. Ele foi aluno do Colégio Nossa Senhora de Belém, da Escola Aplicação Visconde de Guarapuava e do Colégio Agrícola Arlindo Ribeiro. “Participei da vida social de Guarapuava, das festas juninas, Cavalhadas, carnavais do Guaíra e do Operário, das demonstrações cívicas dos desfiles de 7 de Setembro e dos aniversários da cidade”, recorda-se, nostálgico.
A empresa é gerenciada em sistema familiar e o trabalho administrativo é compartilhado com a sua esposa, Fátima Zubioli. “O nosso trabalho é realmente extenso, não nos permitindo o repouso dos finais de semana de forma corriqueira, pois temos exposições e desfiles normalmente em dias de lazer. Mas quando possível estamos sempre com a família reunida em nossa casa, no Galpão Minha Prenda, ‘curtindo uma buona pasta di cucina italiana, uno gnocchi con abundante formaggio e pomodoro’ dentro das nossas possibilidades”, revelou Gustavo, que, para encerrar, demonstrando o tanto que a beleza é o ápice do seu trabalho, cita uma frase de Oscar de La Renta: “A seda é para o corpo como os diamantes são para as mãos”