Zootecnista ensina como alcançar produtividade antes de adubar as pastagens

17/10/2013 18:49

Escolha correta da espécie forrageira e de animais com potencial de desempenho compatível com o capim plantado já resulta em ganho de produtividade

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Os pecuaristas costumam reclamar que a recuperação e a adubação dos pastos custam caro. Talvez esse seja um dos motivos – ao lado do desconhecimento das vantagens que o capim bem conservado proporcionam ao gado e ao bolso do criador –, que resultaram no atual cenário da pecuária. Menos de 25% das pastagens cultivadas no Brasil estão adequadas à produção eficiente de carne e leite, aponta levantamento da Scot Consultoria.

Porém, os pecuaristas que decidem adubar seus pastos cometem erros que elevam ainda mais os custos. O zootecnista Adilson de Paula Aguiar, explica que entre os mais comuns estão a falta de análise do solo para obtenção das recomendações de correção e adubação ou análise de forma incorreta (em épocas e profundidades de amostragem erradas, número de amostras insuficientes) ou incompleta (sem informações como textura e micronutrientes, por exemplo).

Além dessas, ele cita a aplicação de corretivos e fertilizantes em excesso ou subdosagem; recuperação de pastos já muito degradados; ajuste inadequado das taxas de lotação à capacidade de suporte da pastagem, resultando em superpastejo (acima da capacidade de suporte) ou subpastejo (taxa de lotação abaixo da capacidade). Outra falha cometida pelos pecuaristas é colocar animais de baixo potencial genético para pastejar em áreas adubadas.

“Todos estes erros levam a frustrações e desânimo em relação à adoção da tecnologia de manejo de fertilidade de solos de pastagens”, afirma Aguiar. Para ele, a solução preventiva é contratar uma consultoria especializada para orientar o pecuarista.

Prevenção

Mas na impossibilidade de pagar por assistência, o zootecnista recomenda alguns procedimentos – que ele classifica como tecnologias de processos e baixo insumo – significativos que o produtor pode empregar em sua propriedade antes de iniciar a correção e a adubação de suas pastagens. Primeiramente, deve escolher espécies forrageiras adaptadas às condições ambientais da região, plantá-las corretamente, controlar as pragas e plantas invasoras e prestar atenção ao primeiro uso do pasto.

Aguiar explica que é necessário implantar de forma adequada a infraestrutura do sistema de pastejo (piquetes, sombreamento, cochos, corredores de acesso, fontes de água e áreas de lazer) e adotar métodos de pastoreio apropriados ao sistema (lotação contínua, alternada ou rotacionada). O pecuarista também deve selecionar animais com potencial de desempenho compatível com a forrageira escolhida, suplementar o rebanho (até 5 gramas de suplemento por quilo de peso corporal do animal) conforme as características do sistema e adotar um calendário sanitário adequado para o rebanho e a região.

“Depois de superada esta etapa de adoção do pacote de tecnologias de processos e baixo insumo, é possível a adoção do pacote de tecnologias de alto insumo”, diz o zootecnista. Entre as técnicas mais avançadas, Aguiar elege a correção e adubação do solo da pastagem, a suplementação concentrada do rebanho (consumo acima de 5 gramas de suplemento por quilo de peso corporal do animal) e a irrigação do capim.

*Entrevista concedida para a Scot Consultoria

Portal Revista Safra com informações da Scot Consultoria

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