Zootecnista é destaque no Jornal Dia Dia

30/01/2014 16:12
Tecnologia e sustentabilidade: duas palavras importantes para aqueles que queiram obter sucesso
 
 
Sistema de gestão moderna para as propriedades rurais, treinamento & desenvolvimento e também tecnologia. Essas são algumas palavras que o zootecnista e administrador de fazendas de gado, Marco Garcia de Souza, reforça ao fazer um panorama sobre os processos técnicos e administrativos mais modernos para administrar uma fazenda.

Formado em 1994 em Uberaba – Minas Gerais, Marco sempre acreditou no potencial de Três Lagoas . De abril de 2010 até abril de 2013, assumiu a secretaria de desenvolvimento econômico do município, cargo este que fez com que Marco adquirisse mais conhecimento.

“Três Lagoas viveu um processo de transformação em 10 anos. Isso pode ser sentido por quem conhecia a cidade antes e consegue ver essa dimensão hoje. Na prefeitura pude ver essa dinâmica ocorrendo. No poder público o desafio é muito grande”, ressalta.

Marco diz que em todas as áreas, as pessoas tiveram que se adaptar a essa mudança da cidade. Tanto o estilo de vida, o crescimento dos bairros, as construções e a vinda de várias empresas, impactaram na economia.

Na pecuária, essa mudança também teve vez. Com as novas tecnologias, diversas pesquisas e estudos, os pecuaristas e produtores rurais tiveram que transformar suas propriedades em verdadeiras empresas.

“As fabricas de celulose que chegaram a Três Lagoas impactaram muito na economia e também na pecuária, pois houve um crescimento das áreas florestais e também a expansão. Tudo isso causou uma pressão muito forte no pecuarista. Ou ele se modernizava e buscava nas novas tecnologias uma rentabilidade ou tinha que firmar uma parceria com as fábricas de celulose”, reforça Garcia.

Devido à região não permitir a agricultura como em outras regiões, devido inúmeros fatores, inclusive o clima, as técnicas para conseguir bons resultados são focadas na informação. “Gestão se confunde com informação. Precisamos entender de reforma de pasto até mercado futuro de boi gordo. A informação é fator principal e deve ser trabalhada em forma de treinamento, tecnologias, entre outras”, conclui.
Rentabilidade
Até o ano de 1994, a pecuária era sustentada pela inflação. Toda a rentabilidade era garantida com ela. De 1994 até hoje, essa inflação acabou e quem dependia dela teve que colocar tudo na ponta do lápis e a propriedade virar uma empresa, onde todos os custos, melhorias, entre outros fatores, foram fundamentais. Marco afirma que tanto esse processo quanto a degradação das pastagens fizeram com que muitos pecuaristas desanimassem de continuarem esse percurso.

“Os pastos de Três Lagoas foram formados na década de 70. Na década de 90 ocorreram as degradações de pastagens. Antes de 1994 tivemos vários planos econômicos e muitos deram errado, o que acabou prejudicando quem vivia da terra. A tecnologia veio para ajudar nesse processo. Hoje conseguimos assistir palestras de pessoas renomadas em nossas fazendas e casas, tudo com a ajuda da internet. As novas tecnologias chegaram aos pecuaristas. O que falta são pessoas que queiram continuar exercendo essa atividade”, conclui.
Sucessão
Marco diz que o principal desafio da pecuária no mundo é a sucessão familiar. “Não só no Brasil, mas em países que vivem da pecuária há 200, 300 anos, passam pelo mesmo problema, encontrar pessoas da família que queiram dar sequência nas atividades ligadas ao homem do campo”.

Com os estereótipos criados, cada dia mais é difícil encontrar jovens querendo exercer as profissões do campo. “De cada 5 pecuaristas com mais de 75 anos nos Estados Unidos, 1 tem abaixo de 25 anos. Nos livros de história e também na escola sempre ouvimos falar de êxodo rural. Agora falamos de propriedades rurais que não conseguem ter sucessores. Para isso não ocorrer, precisa-se ter mais valorização do setor. Tudo é reflexo”.

Nesse cenário apresentado por Marco, irão sobreviver apenas os produtores que trabalharem e tentarem trazer mais rentabilidade para o seu negócio, juntamente com a sustentabilidade.

“Uma vez sustentável, mais fácil será de conseguir um sucessor. A entrada dessa nova geração deve vir acompanhada de processos. O sucessor tem que agregar para aumentar a rentabilidade. O desafio é maior do que no passado. Precisamos ver a empresa na ponta do lápis”, finaliza.



Por: Rafael Furlan Comunica-nos