Zootecnista é destaque no Jornal da Globo - Empreendedores têm que aprender a criar em meios aos gargalos do Brasil

27/01/2015 19:38

Grandes chances podem aparecer diante dos problemas de infraestrutura.
Startups garantem o sucesso quando acham nichos ainda não explorados.

 

Renata RibeiroSão Paulo, SP

Os gargalos do Brasil podem criar grandes oportunidades para as nossas startups. Afinal, todo problema exige solução e quem consegue ser criativo se dá muito bem.

Nas reportagens anteriores, o Jornal da Globo mostrou como dá trabalho provar que uma ideia é boa e superar a falta de estrutura brasileira. “Nós não temos no Brasil uma formação em escala de profissionais para fazer tecnologia de ponta”, aponta Geraldo Carbone, investidor de startups.

O dilema dos empreendedores é o mesmo há séculos: que estratégia traçar para chegar ao objetivo? Cristóvão Colombo e Vasco da Gama tiveram que lidar com essa questão no fim dos anos 1400. Os dois pretendiam chegar ao Oriente.Mas o caminho pode ficar mais fácil para quem encontrar um mercado inexplorado. Um tesouro escondido. Agosto de 2014, Adriano está em uma reunião com investidores. De uma reunião vai sair o futuro da AgroInova, a startup deles. O objetivo é revolucionar o agronegócio brasileiro e é hora de definir como.

Crisóvão Colombo escolheu a caravela, tida como a embarcação mais ágil da época. Ele não chegou às índias, mas deu na América. Já a caravana de Vasco da Gama estava concentrada em naus, mais preparadas para viagens longas. Ele rodou o mundo e chegou às Índias.

São métodos, ferramentas e caminhosdiferentes, mas os dois souberam usar o que tinham para alcançar o sucesso.

Adriano é zootecnista. Quando o conhecemos em 2013, ele estava começando como empresário. Junto com um colega, Adriano desenvolveu um aplicativo de gestão para criadores de rãs e peixes.

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O programa administra tudo: número de animais no tanque, peso médio e total de ração consumida. Os dados são inseridos em um tablet. Muita diferença para quem só usava papel.

“Eles anotavam numa ficha de campo, depois levavam para o software e tinham que digitar. Então isso gerava um impacto. Com a aplicação, não. No final do dia, o funcionário sincroniza e todos os dados estão lá”, explica Adriano Romero, sócio da Agroinova.

O projeto caiu como uma luva para o criador Rafael Granja. “Eu posso estar em qualquer lugar. É a tecnologia chegando ao meio rural, que até então, para esse meio, estava muito distante da gente”, diz Rafael Granja, gerente de produção e engenheiro de pesca.

Adriano encontrou um nicho tão promissor que, em 2014, quando ele reencontrou a equipe do Jornal da Globo, a startup tinha multiplicado o número de clientes por três e a receita por quatro. E Adriano descobriu ainda uma nova forma de ganhar dinheiro: o varejo eletrônico.

“Eu consigo detectar que o nível de ração dele está mais baixo, e aí eu já consigo ofertar aquele produto para o meu cliente”, conta Adriano Romero.

A ideia é transformar a Agroinova em um gigante do comércio, algo como a americana Amazon só que focada no agronegócio. “Em um clique só ele consegue comprar o produto. Sem grandes burocracias, sem nada”, diz Romero.

Aliar oportunidade e conhecimento, essa é a receita do sucesso para especialistas como Joi Ito. O diretor do Massaschussetts Institute of Technology, o renomado MIT, Joi foi um dos primeiros investidores de startups como Twitter e Flickr.

“Eu acho que o segredo é descobrir o valor de si mesmo, o que é único em você e o que é único no seu ambiente. Agricultura, aquicultura, energia, essas são áreas que ainda usam tecnologia muito, muito antiga. E é uma grande vantagem estar em um ambiente onde há iniciativas para esses setores”, diz Joi Ito, diretor no MIT.

Outras áreas no Brasil também têm potencial: internet, aplicativos, educação, saúde e biotecnologia foram as mais citadas em uma pesquisa com investidores.

"As questões tributárias, as questões logísticas, ou seja, os gargalos que as economias têm acabam criando oportunidades interessantes para quem chega com ideias inovadoras, que eventualmente ajudam a saber lidar com esses gargalos de uma forma melhor".

Os investidores de Adriano também acreditaram no potencial do país e no futuro da startup. "A nossa preocupação inicial agora, neste momento, não é rever o dinheiro que foi investido e, sim, transformar essa empresa numa empresa realmente grande e com uma representatividade muito grande no mercado brasileiro e no futuro internacional", José Eugênio Braga, investidor da Agroinova.

A reunião que Adriano Romero participou era para definir o crescimento da startup em 2015 no Brasil e na América Latina. "Eu imagino que a Agroinova vai estar com uns 45 funcionários", prevê Romero.

Agora é trabalhar para concretizar este sonho. Se tudo der certo, um outro sonho do Adriano vai ter que esperar. "Penso muito em tirar férias", ele diz.

O investidor Yuri Gitahy respondeu às principais perguntas enviadas pelos internautas ao longo da semana na página especial da série "Startups". Clique aqui e confira!