Zootecnia de Animais Silvestres: zoológico de SP é pioneiro na reprodução de pinguins no País

05/01/2013 16:22

O animal nasceu depois de 42 dias de incubação realizada em esquema de rodízio entre o macho e a fêmea Foto: Zoológico municipal de Bauru / Divulgação

O animal nasceu depois de 42 dias de incubação realizada em esquema de rodízio entre o macho e a fêmea
Foto: Zoológico municipal de Bauru / Divulgação

O zoológico municipal de Bauru, distante 336km de São Paulo, é o primeiro do País a conseguir a reprodução de pinguins. Um filhote da espécie nasceu no local no dia 16 de dezembro, mas a informação só foi divulgada nesta quarta feira. A ave nasceu depois de 42 dias de incubação realizada em esquema de rodízio entre o macho e a fêmea.

Segundo a direção do Zoológico, até então a reprodução de pinguins no Brasil só havia acontecido em três ocasiões, uma no Aquário de Santos (SP) e duas no Aquário do Guarujá (SP), mas nunca em um zoológico.

“Isso demonstra a todos a seriedade com que a questão é tratada em nosso zoológico, além de coroar de êxito toda a dedicação que os funcionários do local têm com os mais de 800 animais que aqui são mantidos”, disse Luiz Pires, zootecnista e diretor do Zoológico de Bauru.

O filhote, da espécie Magalhães, é característico de águas temperadas dos Trópicos e habita as zonas costeiras da Patagônia e das Ilhas Malvinas. Nesses locais os termômetros registram temperatura de zero grau Celsius durante o inverno ficando desconfortável aos animais que migram para outros locais. Em Bauru, os sete exemplares da espécie vivem em uma câmara climatizada a 16 graus Celsius e umidade relativa do ar de 65%.

Pires ressalta que o trabalho para conservação dos pinguins em Bauru teve início em 1987 quando os biólogos da instituição iniciaram os estudos para construção de um recinto próprio para abrigar os pinguins que todos os anos, no inverno, chegam às praias brasileiras e acabam morrendo.

“Sabemos que a poluição do mar causa declínio no número desses animais. Por isso, quanto antes pudermos dominar a reprodução deles, podemos evitar que eles sejam extintos, que é o caso, por exemplo, do mico leão dourado. Alguns animais conseguiram se reproduzir em cativeiro e foram reinseridos no habitat natural garantindo a sobrevivência da espécie”, destaca o diretor.  

Ele explica que os pinguins que são encontrados nas praias brasileiras durante o longo processo de migração geralmente estão doentes, machucados e com apenas 1/3 do peso. As aves são resgatadas, mas devido às condições graves de saúde, acabam morrendo.

 O primeiro recinto climatizado para pinguins no Brasil foi inaugurado no Zoo de Bauru em 1989 e desde então a instituição mantém a espécie em cativeiro.

Com 18 dias de vida, raramente o filhote deixa o ninho, que é vigiado constantemente pelos pais. Mas Pires acredita que nos próximos dias ele já deve dar os primeiros passeios fora do ninho e poderá ser visto pelos visitantes do zoológico.

Fundado há 32 anos, o Zoológico de Bauru conta com mais de 800 animais de 135 espécies diferentes e, além da preservação, dedica-se à reprodução em cativeiro de espécies ameaçadas de extinção como o lobo guará, o mico leão dourado e o sagui bicolor. Cerca de 180 mil pessoas visitam o local anualmente. 

Em Bauru, os sete exemplares da espécie vivem em uma câmara climatizada a 16 graus Celsius e umidade relativa do ar de 65%

Os pinguins que são encontrados nas praias brasileiras durante o longo processo de migração geralmente estão doentes, machucados e com apenas 1/3 do peso. As aves são resgatadas, mas devido às condições graves de saúde, acabam morrendo  Foto: Zoológico municipal de Bauru / Divulgação

Os pinguins que são encontrados nas praias brasileiras durante o longo processo de migração geralmente estão doentes, machucados e com apenas 1/3 do peso. As aves são resgatadas, mas devido às condições graves de saúde, acabam morrendo
 

O filhote, da espécie Magalhães, é característico de águas temperadas dos Trópicos e habita as zonas costeiras da Patagônia e das Ilhas Malvinas  Foto: Zoológico municipal de Bauru / Divulgação

O filhote, da espécie Magalhães, é característico de águas temperadas dos Trópicos e habita as zonas costeiras da Patagônia e das Ilhas Malvinas

 

Talita Zaparolli
Direto de Bauru

 

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