Top 20 novas espécies descobertas em 2013

04/02/2014 23:39

O ano que passou foi cheio de novidades para a ciência. Além de descobertas tecnológicas, também encontramos novas espécies – dentre elas um tubarão que anda, um caracol com concha semitransparente, um crustáceo venenoso, um esquilo voador e um vírus gigante. E o Brasil passou longe de ser coadjuvante: nosso top 20 traz vários bichos descobertos em 2013 em terras tupiniquins.

1. Hemiscyllium halmahera, o tubarão que “anda” da Indonésia

O tuberão Hemiscyllium halmahera pertence à família Hemiscylliidae. Ele chegou até a nossa lista porque, ao invés de nadar, estes tubarões “andam” (vídeo) contorcendo seus corpos e o empurrando com a sua barbatanas peitorais e pélvicas.

2. Tapirus kabomani, uma nova espécie de anta das florestas e cerrado do Brasil e Colômbia

A Tapirus kabomani é a menor anta que vive atualmente. Os adultos pesam cerca de 110 kg. Da sua pata até o ombro, mede cerca de 0,9 m, enquanto o comprimento do corpo pode atingir 1,3 m.

3. Porco-espinho Baturité (Coendou baturitensis), uma nova espécie de porco-espinho de cauda preênsil do Brasil

O porco-espinho Baturité foi encontrado apenas na Faixada Baturité, que fica no Ceará e é conhecida entre ufólogos por suas supostas atividades extraterrestres. A característica mais proeminente destes animais é a sua cauda longa e invertebrada. Eles a utilizam como uma quinta mão que os ajuda a segurar em ramos à medida que sobem através do dossel da floresta.

4. Leopardus guttulus , uma nova espécie brasileira de gato-do-mato

Gatos-do-mato, também conhecidos como gatos-selvagens, gatos-do-mato-pintados ou gatos-do-mato-pequenos, são leopardos de porte semelhante ao de gatos domésticos nativos de áreas de montanha e florestas tropicais da Costa Rica, Brasil e Argentina. Os cientistas pensavam que havia uma única espécie de gato-do-mato, o Leopardus tigrinus. No entanto, um estudo de DNA mostrou que as populações destes animais no nordeste comparadas às do sul do Brasil são completamente separadas, sem evidência de cruzamentos entre elas.

5. Sphyrna gilberti, uma espécie de tubarão de águas da costa da Carolina do Sul

O “tubarão-martelo Carolina” é um tubarão inofensivo, com uma coloração que fica entre cinza e marrom, pertencente à família Sphyrnidae - que tem como característica principal a cabeça em formato de martelo. O comprimento estimado de um adulto da nova espécie é de cerca de 3 a 4 metros.

6. Sousa sp. nov., uma nova espécie de golfinho jubarte de águas australianas

Golfinhos jubarte – que receberam esse nome por causa de uma corcunda peculiar logo abaixo da nadadeira dorsal – pertencem ao gênero de golfinhos Sousa. Estes animais medem de 5 a 8 metros de comprimento e variam entre cinza escuro, rosa ou até mesmo a cor branca. Eles são encontrados por toda a extensão dos oceanos Índico e Pacífico, chegando à costa da Austrália. A nova espécie de Sousa, que ainda precisa ser identificada, ocorre no alto mar do norte da Austrália.

7. Speleonectes tulumensis, o primeiro crustáceo venenoso conhecido

Speleonectes tulumensis é um tipo de crustáceo conhecido como remípede. Remípedes são um grupo de crustáceos cegos, aquáticos e habitantes de cavernas, primeiro descritos em 1981. Estes crustáceos têm corpos longos e segmentados, com a maioria dos segmentos equipados com pernas nadadoras (são ligeiramente semelhantes às centopeias terrestres). Eles podem ser encontrados em cavernas submarinas na América Central, no Caribe, nas Ilhas Canárias e na Austrália ocidental.

O Speleonectes tulumensis é encontrado em cavernas em Quintana Roo (México) e Belize. A neurotoxina destes remípedes é muito semelhante às neurotoxinas presentes no veneno da aranha.

8. Saltuarius eximius, uma nova espécie de lagartixa rabo-de-folha da Austrália

Lagartixas rabo-de-folha são lagartos grandes e impressionantes que são altamente camufláveis contra rochas e troncos de árvores. O “Geco Cape Melville” é conhecido apenas na vizinhança do tipo de localidade das terras altas do Melville Range, conhecida como Cape Melville. Ele mede cerca de 12 cm de comprimento e pesa cerca de 20 g. Tem cabeça curta e olhos muito grandes.

9. Zospeum tholussum, um caracol das cavernas com concha semitransparente da Croácia

O Zospeum tholussum é um pequeno e frágil caracol com uma concha semitransparente, maravilhosamente moldada como uma cúpula. Biólogos encontraram apenas um espécime vivo em uma grande câmara sem nome no sistema de cavernas Lukina Jama-Trojama, à notável profundidade de 980 metros.

10. Esquilo voador gigante laosiano (Biswamoyopterus laoensis), uma espécie de esquilo voador de Laos

O esquilo gigante voador laosiano pesa 1,8 kg e mede cerca de 1,1 m de comprimento total. Biólogos acidentalmente encontraram o único exemplar conhecido deste esquilo em um mercado de carne de caça na Central da República Democrática Popular do Laos.

11. Pristiophorus lanae, uma espécie de tubarão-serra das Ilhas Filipinas

Os tubarões-serra são um pequeno grupo de tubarões do fundo do oceano, facilmente distinguidos pelos seus focinhos parecidos com serras e um par de barbilhões longos. Por causa de seu focinho, tubarões-serra às vezes podem ser confundidos com peixes-serra. O Pristiophorus lanae é um tubarão-serra de corpo delgado, com cinco guelras, que chega a medir entre 80-85 cm de comprimento.

12. Olinguito (Bassaricyon neblina), um novo mamífero da Colômbia e do Equador

O animal pertence à família Procyonidae, a qual partilha com guaxinins, quatis, kinkajous e olingos. É a primeira espécie de carnívoros descobertos no Hemisfério Ocidental em mais de três décadas. O olinguito, o menor membro da família dos guaxinins, parece um cruzamento entre um gato doméstico e um ursinho de pelúcia.

13. Lêmure Anão Lavasoa (Cheirogaleus lavasoensis), uma nova espécie de lêmure de Madagascar

O Lêmure Anão Lavasoa mede entre 50-55 cm e pesa até 0,3 kg. Esta espécie está extremamente ameaçada de extinção. “Os dados do censo estão indisponíveis. Nossa estimativa preliminar é de que menos de 50 indivíduos permanecem”, relataram os cientistas.

14. Pandoravirus salinus, um novo vírus gigante

O Pandoravirus salinus foi encontrado em uma amostra de sedimento coletada na costa da região central do Chile. A sua espécie irmã, a Pandoravirus dulcis, foi coletada em uma lagoa de água doce superficial perto de Melbourne, na Austrália. Além de ser enorme – cerca de 1 μm de comprimento e 0,5 μm de diâmetro -, estes vírus têm genoma em tamanhos enormes. O genoma de Pandoravirus salinus tem 2.473.870 bases de DNA de comprimento, enquanto Pandoravirus dulcis possui 1.908.524 bases.

15. Bothriechis guifarroi, uma víbora verde de Honduras

Bothriechis guifarroi é uma cobra arborícola altamente venenosa. Foi descoberta no Texiguat Wildlife Refuge, uma das mais florestas montanhosas mais ricas em endemismos e diversificada da Mesoamérica.

16. Enyalioides azulae, uma nova espécie lagarto do Peru

O Enyalioides azulae, juntamente com outra espécie nova, a Enyalioides binzayedi, foi descoberto em áreas pouco exploradas das selvas peruanas.

17. Abscondita cyatta, uma nova espécie de formiga-cortadeira brasileira

Formigas-cortadeiras que vivem em mutualismo com fungos são noturnas e devastam restos orgânicos para aumentar seus jardins de fungos. Os fungos que elas cultivam provavelmente não são completamente dependentes de seus parceiros para sobreviver e se reproduzir. As formigas, no entanto, são obrigatoriamente dependentes deles.

18. Rhacophorus helenae, uma espécie de sapo voador do Vietnã

A rã verde brilhante de 10 cm de comprimento, com uma barriga branca, foi encontrada apenas em duas manchas de floresta de várzea no meio das terras agrícolas, não muito longe da cidade de Ho Chi Minh. Tem mãos com membranas entre os dedos e pés como pára-quedas para planar de árvore em árvore.

19. Lêmure-rato Marohita (Microcebus marohita), uma nova espécie de lêmure de Madagascar

Lêmures-rato são primatas onívoros e noturnos nativos de Madagascar. O lêmure-rato Marohita tem pelagem cinza e marrom e pesa de 65 a 85 gramas.

20. Calotes bachae, um lagarto espetacularmente colorido do Vietnã

Calotes bachae mede até 10 cm de comprimento e tem espinhos nas costas. Os machos desta espécie impressionam pela sua coloração surpreendentemente rica. Durante a época de acasalamento, as cabeças azuis brilham como em um concurso, só para impressionar as fêmeas.

Calotes bachae também podem reduzir a sua gama de cores, de forma semelhante ao que fazem os bem conhecidos camaleões. Por exemplo, à noite, eles se tornam animais discretamente escuros e marrons.

Fonte: Hypescience / Sci News.

Por Bruno Calzavara