Texto e roteiro de Zootecnista vira história em quadrinhos que ajuda a popularizar os cientistas brasileiros

20/02/2013 21:24

Produzida no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, a obra, intitulada Sim, nós temos cientistas, divulga a história da ciência no Brasil

 

É brincando que se aprende. Com essa proposta, um livro de história em quadrinhos, produzido no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBCCF/UFRJ), vem ajudando a popularizar a ciência entre as crianças. A obra, intitulada Sim, nós temos cientistas, foi publicada com recursos da FAPERJ, concedidos por meio do edital Apoio à Produção de Material Didático para Atividades de Ensino e/ou Pesquisa.

"O objetivo do livro é divulgar a história da ciência brasileira, incluindo a produção científica do Instituto de Biofísica da UFRJ, para o público em idade escolar. Queremos aproximar as crianças e os jovens do universo acadêmico, com uma linguagem atraente e de fácil compreensão", disse a bióloga e proponente do projeto Valéria Magalhães, que é coordenadora de Extensão e professora do IBCCF/UFRJ.

 

"O apoio da FAPERJ foi fundamental para a publicação da tiragem de 20 mil exemplares, que serão distribuídos gratuitamente para alunos de todas as escolas municipais e estaduais no decorrer do primeiro semestre de 2013, além de bibliotecas públicas estaduais", completou.

 

A trama tem como personagem principal Chaguinhas, criado em homenagem ao patrono do instituto, o eminente cientista Carlos Chagas Filho - por sinal, também patrono da FAPERJ. No enredo, Chaguinhas recebe três alunos que visitam o IBCCF/UFRJ, que questionam curiosidades sobre a ciência brasileira. Ele explica às crianças qual foi a contribuição de grandes cientistas e acadêmicos, como Malba Tahan, Amoroso Costa, Cesar Lattes, José Leite Lopes, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Nise da Silveira e Johanna Dobereiner.

 

Ao final dessa história, Chaguinhas propõe um desafio aos personagens. Cada um deles teria que sugerir uma atividade de divulgação científica em seus respectivos colégios, sobre a vida de dois cientistas. Assim, as três histórias seguintes do livro relatam a importância de alguns nomes, como Oswaldo Cruz, Vital Brazil, Carlos Chagas, Adolfo Lutz, Carlos Chagas Filho e Aristides Pacheco Leão.

 

De acordo com a zootecnista e especialista em divulgação científica Daniele Botaro, responsável pelos textos e pelo roteiro da história em quadrinhos, a ideia de fazer a publicação surgiu a partir de uma pesquisa (http://www.mct.gov.br/upd_blob/0214/214770.pdf) realizada em 2010 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, junto com o Museu da Vida/Fiocruz, que revelou o desconhecimento dos brasileiros sobre a história da ciência no Brasil e dos seus principais cientistas.

 

"No estudo, muitos entrevistados disseram conhecer cientistas estrangeiros, como Einstein, Galileu ou Isaac Newton, mas quase não conseguiram lembrar de nenhum brasileiro no campo da ciência, com exceção de Oswaldo Cruz ou Carlos Chagas, citados em livros de história do Brasil", disse Daniele. "Os entrevistados apontaram ainda dificuldade de entendimento da linguagem usada pelos cientistas, material de divulgação escasso e a forma desinteressante com que esse material é apresentado, como as principais causas desse afastamento entre o público e a ciência", acrescentou a pesquisadora, que foi contemplada anteriormente pela FAPERJ, com o programa de Apoio ao Pós-Doutorado no Estado do Rio de Janeiro.

 

Para Valéria Magalhães, ao atrair o público infanto-juvenil, o livro de história em quadrinhos deve ajudar a popularizar a ciência também entre os adultos. "A criança é um multiplicador do conhecimento. Se produzimos mensagens de divulgação científica para elas, consequentemente atingiremos sua família e amigos", disse Valéria. "É importante divulgar a história da ciência e o que os cientistas fazem para o público em geral, para que o conhecimento acadêmico, muitas vezes hermético, não fique enclausurado na universidade", destacou.

 

Além de contar a história de grandes nomes da ciência brasileira, Sim, nós temos cientistas!  cita alguns centros e espaços de divulgação científica fluminenses, como o Espaço Memorial Carlos Chagas Filho ( http://www.biof.ufrj.br/memorial/  http://www.facebook.com/emccf), uma das atrações do IBCCF/UFRJ. O espaço conta com um rico acervo de objetos e equipamento antigos do professor Chagas Filho, e está aberto para visitação semanal de estudantes, após agendamento prévio. Em uma visita guiada, os alunos são conduzidos aos laboratórios que compõem o instituto.

 

Para agendar a visita ao Espaço Memorial Carlos Chagas Filho, basta mandar um e-mail para memorial@biof.ufrj.br , ou ligar para 21 25626645. 

 

Confira a íntegra do livro Sim, nós temos cientistas em destaque na página do IBCCF/UFRJ:
http://www.biof.ufrj.br/memorial/

 

(Débora Motta, Boletim da Faperj)