Mudança na alimentação dos cães facilitou domesticação, sugere estudo

29/01/2013 23:11

Cachorro aprendeu a digerir amido para ser 'o melhor amigo do homem'.

Interesse mútuo de proteção e segurança alimentar ajudou no processo.

Se o cachorro se tornou o melhor amigo do homem, é porque aprendeu, ao longo do tempo, a digerir melhor o amido do que o lobo, seu ancestral carnívoro, sugere um estudo publicado nesta quarta-feira (23) na revista "Nature" que comparou o genoma dos dois animais.

Ainda é de conhecimento científico como e porquê os ancestrais dos humanos priorizaram os cães. No entanto, especula-se que tenha sido devido ao interesse mútuo para obtenção de alimento e proteção. Os cães teriam sido o primeiro animal a ser domesticado.

Um fóssil de uma espécie canina próxima ao cachorro, com uma idade de 33.000 anos, e restos de cães de 11.000 a 12.000 anos identificados em uma sepultura humana são consideradas provas desse processo.

A genética indica que a domesticação do cachorro começou há cerca de 10.000 anos no Sudeste da Ásia ou no Oriente Médio, mas as mudanças genéticas que acompanharam a lenta transformação dos lobos antigos em cachorros domésticos ainda são pouco conhecidas.

Segundo estudo, a facilidade dos cães em digerir amido facilitou o processo de domesticação (Foto: Lauren Solomon, iStockphoto, Nicholas Moore/Nature)Segundo estudo, a facilidade dos cães em digerir amido facilitou o processo de domesticação (Foto: Lauren Solomon, iStockphoto, Nicholas Moore/Nature)

Pesquisa avança sobre tema
Erik Axelsson, biólogo na Universidade sueca de Uppsala, e seus parceiros compararam os genomas de 12 lobos provenientes de diversos pontos do mundo e de 60 cães de 14 espécies distintas para tentar descobrir mais sobre esta evolução.

No total, eles identificaram 36 regiões do genoma que provavelmente sofreram modificações no processo de domesticação e adaptação evolutiva do cachorro.

Mais da metade dessas regiões estão ligadas às funções cerebrais, principalmente ao desenvolvimento do sistema nervoso, e poderiam explicar as diferenças de comportamento que separam o lobo do cão domesticado.

Os pesquisadores encontraram ainda três genes que desempenham um papel determinante na digestão do amido, um glicídeo de origem vegetal. "Nossos resultados mostram que foram essas adaptações que permitiram aos primeiros ancestrais dos cães modernos a prosperar graças a uma alimentação rica em amido, comparativamente com o regime carnívoro dos lobos, o que constitui uma etapa crucial na domesticação", escreveram os investigadores.

Revolução agrícola pode ter contribuído para mudança
Uma mudança de nicho ecológico pode ter sido o principal motor deste processo de domesticação. E foi oferecendo a alguns lobos a possibilidade de encontrar comida entre os restos consumidos pelos humanos, cada vez mais frequente com a revolução agrícola, que este novo nicho ecológico foi criado, acreditam os pesquisadores.

"Nossa descoberta pode fazer pensar que o desenvolvimento da agricultura serviu de canalizador para a domesticação do cachorro", acrescentam, ressaltando o "surpreendente paralelo" entre a evolução do Homem e do cão para se adaptar a uma alimentação cada vez mais rica em amido com a aparição da agricultura.

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A Revolução agrícola contribuiu para afastar lobos dos seres humanos, já que eles podiam encontrar mais variedades de alimentos (Foto: Henry Romero/Reuters)

A Revolução agrícola contribuiu para afastar lobos dos seres humanos, já que eles podiam encontrar mais variedades de alimentos (Foto: Henry Romero/Reuters)

 

 

Fonte G1