Sensor alerta fazendeiros quando vaca está no cio

16/10/2012 22:11

 

The New York TimesChristian Oesch cuida de um rebanho de gado leiteiro e carrega um smartphone aonde quer que vá. Às vezes ele recebe um SMS de uma de suas vacas.

Isso acontece porque Oesch, 60, que cuida de 44 vacas das raças holstein vermelha (holandesa) e jersey, está ajudando a desenvolver um equipamento que implanta sensores nos animais que avisam os fazendeiros quando as vacas estão no cio. Nesse caso, o sensor envia um SMS para o telefone do criador.

A mensagem pode ser em qualquer uma das três principais línguas usadas na Suíça --alemão, francês e italiano--, em inglês ou em espanhol.

O detector eletrônico de cio estará no mercado no próximo ano. É uma criação de vários professores de um colégio técnico na capital suíça, Berna. A tecnologia preenche uma lacuna no mercado porque as vacas leiteiras, que sofrem cada vez mais estresse para produzir maiores quantidades de leite, dão cada vez menos sinais de estarem no período reprodutivo. Isso dificulta as tradicionais inspeções visuais para saber quando um touro deve ser trazido, ou, em cerca de 80% dos casos hoje em dia, o inseminador artificial.

O sensor implantado nos órgãos genitais de Fiona ou Bella (nomes preferidos para vacas suíças) mede a temperatura do corpo e transmite o resultado para um sensor fixo no pescoço do animal, que também mede a movimentação (as vacas no cio ficam inquietas). "Os resultados são combinados usando algoritmos, e, se a vaca estiver no cio, um SMS é enviado ao criador", diz Claude Brielmann, um especialista em computação que ajudou a criar o sistema. O detector no pescoço da vaca é equipado com um chip para que o fazendeiro pague pelas mensagens.

"O índice de reconhecimento é de cerca de 90%", diz Brielmann. O dispositivo, conhecido como detector de cio, desperta preocupações entre os defensores dos direitos dos animais, não tanto porque invade as partes íntimas da vaca --seu uso envolve inserir um termômetro com um pequeno transmissor e uma antena na genitália--, mas por causa do que a nova tecnologia diz sobre a vida estressante das vacas suíças.

Também há ceticismo entre os criadores, que rejeitam o custo do equipamento --pelo menos US$ 1.400 por unidade.

"Há benefício financeiro?", pergunta Ulrich Tschanz, 76, que criou 40 vacas holstein vermelhas até alguns anos atrás, quando entregou seu rebanho ao filho. "Sempre fique de olho nas suas vacas, fique de olho", acrescenta. "Isso é o melhor."

Mas especialistas dizem que as medidas tomadas para aumentar a produção de leite --acréscimo de proteínas, minerais e vitaminas à ração-- perturbam o metabolismo das vacas, tornando o dispositivo cada vez mais necessário. "Com maior produtividade, há uma queda na atividade reprodutiva", diz Samuel Kohler, um veterinário que está entre os desenvolvedores do equipamento e hoje é membro da direção da empresa que pretende vendê-lo, a Anemon.

Oesch está muito feliz com os resultados, apesar de alguns problemas iniciais. Ele disse que às vezes o dispositivo envia um sinal falso de que a vaca está no cio ou deixa de detectar o sinal. Logo ele começará a testar modelos mais novos e resistentes.

Os suíços têm leis sobre direitos dos animais que estão entre as mais duras do mundo. Hansuli Huber, o diretor-gerente da agência de direitos dos animais suíça Tierschutz, diz: "O verdadeiro problema é que as vacas não dão sinais de cio para diminuir as exigências cada vez maiores de produção de leite".

JOHN TAGLIABUE
DO "NEW YORK TIMES"

Fonte: Folha on line