Sem pódio, cavaleiros dizem que Brasil precisa de mais cavalos

08/08/2012 19:54

 

Sem pódio nos Jogos de Londres, os cavaleiros brasileiros já miram a Rio-2016. E dizem que, para o Brasil ter uma equipe competitiva em casa, é preciso investir em cavalos.

"Precisamos trabalhar seriamente para ter mais cavalos bons. Os proprietários não são brasileiros, só alguns, a maioria é de americanos. Achar cavalos dessa qualidade é complicado. Precisamos de qualquer investimento, privado, comercial, doação. Os preços são altos, mas precisamos encontrar animais à altura dos nossos cavaleiros", afirmou Rodrigo Pessoa.

 

"Estou falando de investimento de um, dois, três, quatro milhões de euros. O atleta precisa ter um, se possível dois cavalos desse nível. Hoje, o hipismo é 70% cavalo e 30% cavaleiro".

Sua montaria, Rebozo, sofreu uma lesão no ano passado e só voltou a competir em janeiro. Após cometer uma falta na primeira rodada, Pessoa fez outras três e estourou o tempo na segunda fase da competição. Terminou em 22º e último lugar.

"Estou desapontado por no final ter perdido tantos pontos. Pelas circunstâncias, o que meu cavalo fez foi tremendo. Faltou um pouco para ele aguentar fazer a segunda passagem", afirmou o campeão em Atenas-2004.

 

 

 

Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, terminou em 12º lugar, com duas faltas (uma na primeira fase) e um estouro de tempo. O cavaleiro disse que cometeu a falha na segunda passagem em um obstáculo com o qual não se preocupava.

"Eu tomei todas as precauções, fiz a curva aberta, o cavalo estava impecável. Mas aconteceu. Faltou um pouco de sorte. Ele fez um campeonato bom, é sua primeira Olimpíada. Foi um preço que pagamos agora, mas que vai nos ajudar daqui a quatro anos. Tenho planos de ter mais cavalos, mais opções", afirmou Doda, que montou Rahmannshof's Bogeno.

Na segunda-feira, o brasileiro José Roberto Reynoso, 32, havia criticado o governo por falta de apoio à modalidade e criticou a "cultura" de as pessoas no Brasil terem o cachorro como animal de estimação, enquanto na Europa também abrigam cavalos em casa. Depois, Reynoso, 32, voltou atrás e disse que estava de cabeça quente.

O campeão olímpico dos saltos em Londres foi o suíço Steve Guerdat. Após uma disputa de desempate, a prata ficou com o holandês Gerco Schroder, e o bronze, com o irlandês Cian O'Connor.

 

Fonte: Folha on line

MARIANA LAJOLO
ENVIADA ESPECIAL A LONDRES