Seis anos depois de marcado, peixe é visto de novo no Canal da Piracema

16/02/2016 14:08

'É um sobrevivente', comemora zootecnista ao alertar sobre pesca ilegal.

Curimba havia sido marcado em 2010 no Lago de Itaipu, em Foz do Iguaçu.

 

O Canal da Piracema, em Foz do Iguaçu, se estende por 10,3 km entre o reservatório da usina e o Rio Bela Vista (Foto: Itaipu Binacional / Divulgação)O Canal da Piracema, em Foz do Iguaçu, se estende por 10,3 km entre o reservatório da usina e o Rio Bela Vista (Foto: Itaipu Binacional / Divulgação)

Seis anos depois de ter sido marcado e registrado na região do Lago de Itaipu, um curimba voltou a ser detectado no Canal da Piracema, estrutura que ajuda espécies migratórias a transporem a barragem, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.

Marcado com um chip em 2010 e solto, o peixe na época tinha 44 cm e entre cinco e seis anos de idade. No reservatório, a espécie chega a atingir 74 cm (fêmeas) e 62 cm (machos) e viver mais de 13 anos.

“Se pensarmos nos riscos que ele corre no reservatório de Itaipu, onde é a quinta espécie mais capturada por pescadores, e em outros pontos, desde a Bacia do Prata até o Parque de Ilha Grande, usado como berçário para se reproduzir, este curimba é um sobrevivente”, aponta a zootecnista e gerente da Divisão de Reservatório da Itaipu, Carla Canzi, ao apontar para o perigo da pesca predatória.

Os seis anos desde o primeiro até o registro mais recente são considerados um recorde. E, neste período, estima-se que ele tenha feito cerca de seis viagens reprodutivas. "Neste tempo, ele poderia ter sido pescado, morto por outro motivo ou nunca mais passado pelo canal, mas voltou", comemora.

O registro, feito por volta das 18h do dia 15 de janeiro, na entrada do canal, foi bastante comemorado. Entre os motivos está a constatação de o canal ser atrativo e, portanto, as espécies migratórias o tem usado no período de reprodução. E, pelas características do curimba, a presença dele indica que outras espécies semelhantes, como o dourado e a piapara, também estão usando a estrutura, única no Brasil mais próxima do sistema natural.

Com 10,3 km de extensão, o Canal da Piracema como sistema de transposição da barragem começou a ser estudado em 1998, para os Jogos da Natureza, com o propósito de também servir para a prática de esportes como a canoagem slalom e o rafting, e foi inaugurado em 2002. Ele usa um trecho do Rio Bela Vista para vencer o desnível médio de 120 metros de altura entre o Rio Paraná e a superfície do reservatório.

“Os estudos são constantes e necessários para que o canal possa atender aos propósitos para o qual foi construído, que é o de auxiliar estas espécies viajantes no processo de reprodução”, reforça a Zootecnista Carla. Além do tipo escada, como o de Itaipu, há sistemas conhecidos como elevadores, como o usado na Usina Hidrelétrica de Yaciretá, entre o Brasil e a Argentina.

A zootecnista Carla Canzi alerta para os perigos da pesca predatória (Foto: Itaipu Binacional / Divulgação)A zootecnista Carla Canzi alerta para os perigos da
pesca predatória (Foto: Itaipu Binacional /
Divulgação)

Telemetria
Criado pelo biólogo Hélio Martins Fontes Júnior, o sistema de pit-telemetria, que capta a passagem dos peixes em quatro pontos do Canal da Piracema, foi o responsável pela boa notícia. Quando capturado, o peixe é marcado com um receptor, chamado pit-tag, introduzido por uma pequena incisão na região abdominal do peixe. Ao passar pela antena, o código é captado e enviado para um receptor que armazena a informação. Em 2015, este sistema foi modernizado, tornando mais fácil o registro das espécies.

Desde que Itaipu começou a marcar peixes com esta técnica, em 2009, 2.215 animais receberam a marca eletrônica do tipo pit-tag. Deste total, foram feitos 462 registros em um dos quatro pontos no canal. Outra marcação, externa e visível, é feita desde 1997 e carrega uma cápsula com um número de telefone para os pescadores ligarem quando capturarem o peixe. Esta marca externa já foi feita em 47.255 peixes.

Marcações pelo sistema de pit-telemetria são feitas nos peixes que passam pelo reservatório de Itaipu desde 2009 (Foto: Itaipu Binacional / Divulgação)Marcações pelo sistema de pit-telemetria são feitas nos peixes que passam pelo reservatório de Itaipu desde 2009 (Foto: Itaipu Binacional / Divulgação)