Roto Acelerador de Compostagem - RAC acelera compostagem de suínos e aves

04/01/2016 15:52
A preocupação da agroindústria, dos órgãos ambientais e até mesmo dos produtores acerca do destino de animais mortos já não é mais uma novidade. Fatores como a mortalidade diária em aviários e granjas de suínos ou até mesmo catástrofes ambientais tornaram-se cotidianos no processo produtivo. 
 
Neste sentido, a principal preocupação é sobre a forma de dispensa dessas carcaças, que pode por vezes, ocorrer em margens de rios, fossas e outros locais passíveis de contaminação do ar, solo ou da água. Além disso, outro fator relevante é que muitos dos animais morrem vítimas de alguma patogenia, fato que torna ainda mais preocupante o destino dos restos mortais, levando em consideração o risco de transmissão de doenças. 
 
Como solução para tantos desafios, muitos produtores são adeptos à compostagem, um processo natural em que os microrganismos, como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação de matéria orgânica. No caso dos dejetos de animais, as carcaças são dispostas junto a camadas de material vegetal seco, como serragem, por exemplo, em pilhas ou baias. Neste caso, a mistura só ocorre após a decomposição total das carcaças.
 
Contudo, o sócio-gerente da CCP Soluções Ambientais e coordenador de Negócios da Agrobona Insdústria de Equipamentos, zootecnista Juliano Tormena Caliman, explica que o que era para ser uma solução, em alguns casos se torna um problema.

“Se o manejo para a compostagem estática não é feito da maneira correta, diversos problemas podem se estender por vários meses, como a produção de muito chorume; se há baixa umidade, não conseguimos a decomposição correta da matéria orgânica, o que leva a um período longo até a degradação da carcaça; a falta de revolvimento reduz a presença de oxigênio na massa e, pelo longo período necessário para decomposição, o produtor não consegue nem manejar a compostagem devido a gases acumulados e falta de oxigênio, gerando mau cheiro”, expõe.
 
Solução
Foi pensando no aperfeiçoamento deste processo que o zootecnista participou do desenvolvimento de um equipamento que objetiva reduzir os pontos negativos da compostagem: o Roto Acelerador de Compostagem (RAC). 
 
Caliman explica que o equipamento permite que a compostagem ocorra da maneira correta, com o equilíbrio dos fatores. “A compostagem é um processo aeróbio, onde se trabalha com a relação Carbono/Nitrogênio, umidade, temperatura e Oxigênio. Neste processo, o Carbono é proveniente de materiais vegetais, como a maravalha, serragem e palhas em geral, e as carcaças têm uma presença grande de material orgânico rico em nutrientes e Nitrogênio”, explica.
 
Conforme o zootecnista, no RAC é possível trabalhar com quantidades ideais de Carbono e Nitrogênio, bem como de umidade e revolvimento do material. Por ser um sistema fechado, outro ponto positivo é a possibilidade de controle das variáveis do processo, como temperatura, umidade e oxigenação, além de diminuir problemas de mau cheiro e atração de insetos causados pela anaerobiose em sistemas convencionais. 
 
 
 
“Não existe receita de bolo para fazer compostagem, o tempo varia de acordo com a forma de manejo, o que acontece no RAC é que a fase termofílica é acelerada, proporcionando um processo cinco vezes mais rápido, além de otimizar a mão de obra e realizar a compostagem em grandes volumes de resíduos”, diz.
 
Projeto-piloto
Há quase dois anos, o produtor Pedro Pies recebeu o primeiro equipamento de RAC para compostagem de suínos em sua propriedade, localizada em Maripá, no Oeste do Paraná. Junto ao filho Daniel e a esposa Janete, Pedro mantém 4,5 mil suínos de terminação e apostou na tecnologia para melhorar ainda mais a qualidade do processo produtivo. 
 
“Pela falta de mão de obra gerada pela condição insalubre do serviço, comecei junto com meu filho a pesquisar formas para melhorar esse processo e conhecemos o roto acelerador de aves. A partir daí, passamos a realizar estudos e testes junto com os técnicos durante alguns meses para desenvolver um triturador que comportasse carcaças de suínos”, explica.
 
Após passar pela aprovação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da equipe de Segurança do Trabalho da BRF - a qual Pies é integrado -, o RAC entrou em funcionamento. O suinocultor conta que, apesar do custo do equipamento ser cerca de 30% maior do que uma composteira tradicional, os benefícios do processo automatizado não são superiores. 
 
“Com o manejo correto, a compostagem estática demorava no mínimo seis meses para o animal começar a se degradar, isso quando não acontecia o apodrecimento ao invés da decomposição, o que deixava o odor ainda mais forte, além de atrair moscas e outros animais”, comenta. 
 
Por outro lado, segundo o produtor, em cerca de dez dias de processamento no RAC, os dejetos animais já não aparecem mais, dando vez para um composto uniforme e estabilizado, livre de cheiro, de risco sanitário e ambiental. 
 
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