Gestão de Resíduos na Suinocultura

26/02/2014 21:09

Criadores do oeste catarinense têm repensado o manejo dos dejetos de suínos para mitigar o agravamento da poluição ambiental

 
Gestão de resíduos na suinocultura
 

Propostas de manejo dos dejetos de suínos vêm sendo adotadas para mitigar o agravamento da poluição ambientall. Crédito: Mark Forman/Stock.XCHNG

Entre os principais problemas ambientais causados pela expansão da criação intensiva de animais destaca-se aquele gerado pela criação de suínos. Com aproximadamente 40 milhões de abates no ano de 2010, o Brasil era o quarto maior produtor mundial de suínos, e o Estado de Santa Catarina o principal produtor nacional, com 22% da produção total, segundo a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína. Nesse Estado, destaca-se a região do oeste catarinense, dada a extensão da produção e o avançado padrão tecnológico empregado. 

Em busca de maior produtividade e menores custos, os sistemas de confinamento de suínos foram responsáveis pelo aumento da escala de produção, com a concentração da criação de um grande número de animais em pequenas áreas e a diminuição do número de pessoas ocupadas com essa atividade. 

O uso de sistemas de confinamento tem gerado quantidades cada vez maiores de dejetos por unidade de área. É um setor com baixa qualidade ambiental, pois polui as águas superficiais e subterrâneas, e também os solos, além de causar desconforto ambiental, por conta da emissão de maus odores e da proliferação descontrolada de insetos. A contaminação dos cursos de água, da maior parte das fontes de água e dos lençóis freáticos é causada pela sobrecarga de matéria orgânica, de nutrientes (sobretudo de nitrogênio e fósforo) e de metais pesados (sobretudo de zinco e cobre, componentes das rações dos animais). 

Em busca da diminuição dos custos, o produtor não pode, porém, ignorar a necessidade de dar um correto destino aos dejetos orgânicos e inorgânicos provenientes dos sistemas de criação, principalmente os sistemas com maior confinamento de animais. As recomendações internacionais, provenientes da série de normas ISO 14000, reforçam essa preocupação dos setores produtivos exportadores de carne suína, já que muitos países importadores condicionam a liberação de barreiras à importação à garantia de fornecimento de produtos com qualidade ambiental. 

Considerando o contexto social, econômico e ambiental da região do oeste catarinense, o importante é trabalhar com uma proposta custo-efetiva de controle da poluição dos dejetos, ou seja, é preciso definir um padrão eficiente de controle da poluição que considere a melhor tecnologia disponível, ao menor custo social. Basicamente, trata-se de aliar a fixação de metas de controle da poluição à adoção de instrumentos econômicos para a sua consecução.

Várias propostas de manejo dos dejetos de suínos vêm sendo adotadas para mitigar o agravamento da poluição ambiental. Embora impeçam que os resíduos finais sejam lançados diretamente nos cursos d’água, grande parte dessas propostas apenas reduz seu potencial poluidor, restando sempre uma fração residual que acaba lançada inapropriadamente ao meio ambiente. 

Além de reduzir a poluição a padrões ambientalmente toleráveis, é também recomendável que os processos de tratamento adotados agreguem valor ao resíduo final, tornando-o autossustentável economicamente e melhorando a situação socioeconômica dos produtores. Entre os usos alternativos desses resíduos destaca-se seu emprego como adubo orgânico (biofertilizante), como fonte alternativa de energia térmica ou elétrica e como fonte de créditos no mercado de carbono.

Uma proposta de gestão eficiente poderia promover condições para a queda gradual dos impactos dessa atividade sobre os recursos hídricos da região, mas sem ameaçar sua viabilidade econômica. A implantação dessa proposta exige uma estrutura de fiscalização e controle, além de instrumentos econômicos que induzam a melhoria contínua do ambiente e obedeçam às metas estabelecidas para cada etapa do planejamento. 

Também é importante mencionar que a operacionalidade de um bom sistema de gestão está condicionada à presença de um capital social importante: o da capacidade associativa e organizacional da população local, com a participação tanto da iniciativa pública quanto privada. 

Leia o estudo completo. 

http://www.embrapa.br/publicacoes/tecnico/revistaAgricola/rpa-de-2011-2/RPA_3-2011_Baixa_resolucao_16.11.pdf

Revista de Política Agrícola