Procura por confinamentos tem aumentado em todo o país

23/05/2013 11:44
Nos últimos anos os confinamentos brasileiros aumentaram de tamanho, houve mudança no tipo de ração que é servida aos animais, com a redução da quantidade do volumoso (como o capim e a cana-de-açúcar picada) e crescimento do percentual do concentrado (como caroços e farelos), o trabalho se tornou mais tecnificado, mas o sistema ainda tem muito a evoluir.
 

 

 

Procura por confinamentos tem aumentado em todo o país

 

 A avaliação foi feita pelo zootecnista, doutor em Nutrição e Produção de Ruminantes e professor da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), Danilo Millen, em palestra no Confinar 2013, em Campo Grande (MS).

 
Um dos exemplos citados para mostrar a necessidade dessa evolução está no perfil de animal que está entrando no sistema de confinamento. “Os animais estão entrando com a idade de 24,4 meses, mas com um peso em torno de 369 quilos. Então precisam de uma dieta especial nos primeiros dias de confinamento para crescer e engordar e outra para a terminação para dar o acabamento de gordura que o frigorífico pede. Sem esse cuidado, vão ganhar muita gordura e muito pouco peso”, explicou.
 
Além de novos tipos de rações, o zootecnista diz que o próprio manejo nos confinamentos precisa ser aprimorado. Um dos principais cuidados que os criadores têm de adotar, conforme ele é, com a mistura dos componentes da ração, que deve ocorrer em local próprio, com os horários em que o alimento é oferecido ao gado e depois com a sua distribuição nos cochos. “Sem esses cuidados o criador vai jogar dinheiro fora. A ração é item mais caro do sistema de confinamento e com margens cada vez mais apertadas o produtor precisa estar atento a esses detalhes”, avaliou.
 
Em relação ao futuro do confinamento no Brasil, Millen diz que atualmente o sistema é responsável por cerca de 9% dos animais abatidos anualmente no País e que se confirmadas as projeções deve fechar 2013 com cerca de 4 milhões de cabeças confinadas, atingindo o patamar de segundo maior confinador do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
 
Ele disse ainda que não acredita que ocorra no País a situação registrada nas propriedades norte-americanas, em que a maior parte do rebanho é criado no sistema de confinamento. “Lá tudo empurra para o confinamento. A pastagem em razão das condições climáticas não tem massa, para colocar uma vaca é necessária uma grande quantidade de áreas e eles têm uma produção recorde de milho. Por isso confinam. O Brasil tem é que aproveitar seu nicho, suas características. Os criadores brasileiros devem usar o confinamento para terminar os animais, padronizar a carne e rodar o ciclo produtivo”, destacou.
 
As perspectivas para o sistema no Brasil, indicam para um aumento do tamanho das operações, aumento do teor de energia das rações utilizadas, menor disponibilidade dos coprodutos e otimização do uso do amido (milho) nas rações.
 
 
 
Aumento do Confinamento
A safra 2012/2013 de milho de Mato Grosso, que deve alcançar 14,64 milhões de toneladas, pode favorecer o aumento do confinamento em Mato Grosso neste ano, já que o cereal é uma das principais matéria-prima utilizada na ração animal. As estimativas ainda não foram fechadas, mas presume-se que o aumento do número de animais confinados no Estado em 2013 fique acima da média nacional, prevista para crescer 19,6%.
 
No ano passado, foram confinados 880 mil animais no Estado. Enquanto no Brasil, o volume de gado confinado somou 3,4 milhões de cabeças, sendo Goiás o primeiro do ranking, com 1 milhão de cabeças, de acordo com a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon).