Primeira raça genuinamente paranaense, Purunã se destaca na pecuária de corte

02/05/2016 13:53

A raça vem ganhando notoriedade e já ultrapassou as fronteiras do Paraná

 

O bovino paranaense, apresentado pelo Iapar também na última edição da Expolondrina, é resultado do cruzamento de outras quatro raças – Charolês, Aberdeen Angus, Caracu e Canchim. O nome é uma homenagem à Serra do Purunã, que separa o primeiro e o segundo planaltos do Paraná, uma região com forte tradição pecuária no Estado

A qualidade da carne, a precocidade sexual e de acabamento e a adaptação aos diferentes climas, principalmente aos mais quentes, são algumas das características que têm agradado aos pecuaristas que criam o gado Purunã, a primeira raça genuinamente paranaense e também a primeira no Brasil desenvolvida por um instituto de pesquisa. O Purunã é resultado de mais de 30 anos de estudos na Estação Experimental Fazenda-Modelo, mantida pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. 

O pecuarista e veterinário Piotre Laginski, de Cascavel, no Oeste do Estado, começou a criar o Purunã em 2007 e hoje tem um rebanho de aproximadamente 400 cabeças. “É uma raça que está ganhando muito espaço, principalmente pelo seu potencial de produtividade. Acredito que é uma das raças do futuro, que tem um grande desempenho e pode trazer um importante retorno ao pecuarista”, afirma. 

Lagiski conta que já comercializa a carne em alguns frigoríficos e supermercados e que a aceitação é grande. “Os elogios dos açougueiros são os melhores possíveis, comprovam que o Purunã vem produzindo carne de alta qualidade, que é o que o mercado busca”, disse. “É uma carne que poderia ser usada para acessar o mercado europeu, por exemplo, que é superexigente. É uma raça que vem para somar na pecuária brasileira”, avalia. 

Além de conquistar pecuaristas paranaenses, o gado Purunã vem ganhando notoriedade e já ultrapassou as fronteiras do Paraná, com criadores no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia e até no Amazonas. A raça ainda precisa do registro definitivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que deve ser emitido neste semestre. Entretanto, desde 2012, o Iapar tem a autorização do Ministério para emitir o Certificado Especial de Identificação e Produção (Ceip) do Purunã, documento que permite sua apresentação e comercialização em todo o Brasil. 

PROCESSO – O zootecnista e pesquisador do Iapar José Luís Moletta está envolvido desde o início da década de 1980 nos estudos que chegaram ao Purunã, desenvolvido a partir do melhoramento genético das raças puras para chegar às características do animal. Além de Moretta, o pesquisador Daniel Perotto também liderou os estudos, que contaram ainda com a participação de técnicos agrícolas e de outros profissionais. 

“Foram vários estudos entre 1981 e 1995 para a avaliação dos cruzamentos, indicativos e ganhos genéticos das raças. Ao final do processo, chegamos à conclusão de que esses cruzamentos produziam animais superiores”, conta o pesquisador. “Então, propusemos ao Iapar a continuidade da pesquisa para a formação de rebanho. Foi um processo quase 100% financiado pelo Estado”, destaca. 

Em 2012, o Iapar liderou a criação de uma associação de produtores para iniciar os trâmites junto de reconhecimento da raça junto ao Ministério da Agricultura. Hoje, o rebanho está em expansão e conta com cerca de 3 mil matrizes envolvidas na criação de bezerros. 

“Nossa expectativa é que isso se amplie ainda mais com o reconhecimento do Ministério. Na Expolondrina, por exemplo, muitos criadores se mostraram interessados em criar os bovinos, mas ainda não temos capacidade de fornecer o sêmen em grande quantidade, o que será possível após essa chancela”, afirma o pesquisador. 



CARACTERÍSTICAS – Moletta explica o papel de cada raça nas características do Purunã. O Charolês contribuiu com a velocidade de ganho de peso, grande rendimento de carcaça e elevado porcentual de carnes nobres. O Angus conferiu precocidade, tamanho adulto moderado e temperamento dócil, além de carne macia e com alta qualidade de marmoreio (acumulação de gordura intermuscular na carne). 

Já as raças Caracu e Canchim transmitiram rusticidade, tolerância ao calor e resistência aos parasitas. As vacas Purunã se destacam também pela habilidade materna e boa produção de leite, características herdadas de Caracu e Angus. 

Além do bom acabamento da carcaça, Moletta salienta que os animais Purunã vêm se destacando pela precocidade sexual. “Novilhas e tourinhos criados em sistema extensivo com suplementação estão chegando à idade reprodutiva em torno de 14 a 15 meses”, aponta o pesquisador. 

Outra característica favorável da nova raça é o bom desempenho dos touros em regiões de clima mais quente. Segundo o pesquisador, a raça Purunã pode ser adotada tanto para criação exclusiva quanto em cruzamentos com vacas Nelore e aneloradas, visando terminação