Pode faltar milho no mercado

14/08/2012 20:20

 

 

Com a escalada de preço, negociação do grão foi acelerada; cenário pode ter impacto nos alimentos 

A escalada nos preços da soja e do milho no mercado nacional e internacional pode provocar a falta das commodities no Estado e o país e como consequência um aumento nos preços dos produtos que possuem os grãos como base. A questão está causando apreensão em várias áreas da economia brasileira, desde o agronegócio até a indústria. A situação mais preocupante é a do milho, pois mesmo com uma safra recorde estimada em 14,2 milhões de toneladas em Mato Grosso e cerca de 80% da colheita executada, aproximadamente 70% da produção já estava comercializada na última semana de julho.

Para se ter uma ideia, em um mês o preços do grão aumentou cerca de 72%, saindo de R$ 14,50 para R$ 25,00. O valor de referência da saca de 60 quilos de milho hoje varia entre R$ 22 e R$ 25, dependendo da região. A cotação na bolsa de Chicago registra US$ 8,06 por bushel (medida de volume).
 
De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Brasil (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira, o problema é que frente aos preços internacionais atraentes a tendência é um direcionamento natural da produção para mercado externo. A preocupação motivou uma reunião essa semana entre o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Homero Pereira, com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro, e entidades do setor do agronegócio.
 
Conforme Glauber, se o governo adquirisse cerca de 2 milhões/t de milho seriam suficientes para minimizar a pressão sobre o preço local e o desabastecimento.

CENÁRIO

Segundo o vice-presidente da Aprosoja MT, Naildo Lopes, as compras do grão já acontecem ainda na lavoura, até mesmo como forma de fugir dos aumentos semanais que vem acontecendo. “A alta é motivada principalmente pela quebra de safra das duas culturas nos Estados Unidos. Em razão desse cenário o governo deveria ter comprado o milho para garantir estoque de passagem, contendo assim a alta da commoditie aos consumidores internos”, explica. Segundo Lopes, as exportações aquecidas colaboram com a pressão de alta no mercado e a possível falta do produto futuramente.


Brasil - No país as exportações de milho alcançaram 1,7 milhão de toneladas em julho deste ano, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O volume é 12,6 vezes maior em relação ao embarcado em junho. A procura pelo grão brasileiro aumentou em função dos problemas com a safra norte-mericana, que sofreu perdas em razão de uma forte estiagem.
 
Na comparação com o mesmo período do ano passado, as exportações foram 6,3 vezes maiores. Em julho de 2011, o Brasil embarcou 271,6 mil toneladas de milho. O faturamento em julho deste ano chegou a US$ 423 milhões. O valor é 12 vezes maior que os US$ 35,2 milhões faturados em junho. Em relação a julho de 2011, o número é 5,2 vezes maior.
 
No acumulado de 2012, o Brasil exportou 3,52 milhões de toneladas de milho, 14,7% mais na comparação com igual período de 2011.

 Fonte: Folha do Estado