Piscicultura: técnica inova e é sustentável pois não usa veneno

03/09/2012 18:31


Os criadores de peixes interessados na aquaponia podem dedicar 70% da lâmina d’água para o cultivo de hortifrutis. Há diversas formas de plantio que vai do cultivo de alfaces até flores e frutas. A técnica praticada pela presidente da Aquamat, Maria da Glória Bezerra, segundo o zootecnista, Manuel Braz, está voltada a produção em pequena escala e para a geração de uma segunda renda.

Sem o uso de fertilizantes, o índice de dejetos dos peixes na água influenciam diretamente no desenvolvimento da planta. O despejo de adubo nos tanques pode ser realizados desde que feito de forma adequada para não prejudicar os animais.

A dica do especialista é dedicar cada tanque para uma cultura diferente. Em águas com peixes pequenos, o nível de dejetos será menor. Assim, o cultivo deve ser de plantas que necessitam de pouco adubo. Já em tanques com peixes crescidos, o nível de material orgânico na água é maior e consegue nutrir vegetais mais exigentes.
“Fui colher minhas alfaces e elas ficaram subdesenvolvidas por causa do pouco adubo. Essa é outra etapa que vou ter que superar”, conta Maria da Glória.

A plantação a partir da água da piscicultura ainda caminha a passos curtos no Brasil. Países como os Estados Unidos e o México já criaram políticas para fomentar a atividade. Em terras brasileiras, a falta de incentivo público e informação não contribuem para a expansão da atividade. A tecnologia da aquaponia na Austrália e em países da Ásia já ocorre há mais de três décadas. O estado de São Paulo é o que mais investe na cultura no país. “Apesar de conhecer projetos do Sul ao Norte do país, São Paulo ainda se destaca no ramo”, comenta.

Um benefício que pode ser explorado pelos piscicultores é a renovação da qualidade da água ocasionado pela filtragem das plantas. A aquaponia é considerada uma prática sustentável e a produção integrada de organismos aquáticos com plantas na qual, ambos compartilham espaço, nutrientes e uso de energia, contribui para ampliar as receitas, ao mesmo tempo em que reduz o impacto ambiental. A tecnologia pode ser aplicada na produção de peixes comestíveis e ornamentais (carpas e kinguios), além de rãs e camarões.

Conforme Braz, é importante colocar que o uso de fertilizantes industriais na agricultura está ligado a queima de combustíveis fósseis para sua produção e ao aquecimento global. A aquaponia, ao reciclar os nutrientes dos peixes para as plantas, contribui para se produzir alimentos com menor impacto ao meio ambiente. 

Fonte Folha do Estado