Pesquisadores de SC conseguem reprodução da sardinha em cativeiro

01/10/2013 21:46

Pesquisa em Santa Catarina iniciou em 2005 e é inédita no Brasil.
Objetivo é utilizar o peixe como isca viva para pesca de atum.

 

Do G1 SC

 
 
 
 
Reprodução completa das sardinhas é feita em laboratório de forma inédita (Foto: Divulgação/Univali)Reprodução completa das sardinhas é feita em laboratório de forma inédita (Foto: Divulgação/Univali)

Pesquisadores de Santa Catarina estão criando, de forma inédita no país, sardinhas em cativeiro. O objetivo é diminuir os impactos da utilização do peixe como isca viva para a pesca de atum, no Litoral catarinense. A pesquisa para a produção da isca viva iniciou em 2005 e, segundo o pesquisador e professor da Univali, Gilberto Manzoni, é a primeira vez que o ciclo reprodutivo completo é feito em laboratório. "A pesca da sardinha é feita com rede de arrasto, o que traz uma degradação bastante significativa para o fundo do mar. Além dela, acabam pescadas também outras espécies", explica.

O projeto da Univali ganhou força em 2010 com o aporte de recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC), por meio do estabelecimento de parceria com o Lapmar/UFSC, que passou a dedicar-se ao estudo e desenvolveu, com sucesso, a metodologia para a reprodução de sardinha em laboratório.

Segundo o pesquisador, a utilização de sardinha criada em cativeiro vai ajudar também a espécie a se recompor na natureza. "Santa Catarina é um dos maiores portos pesqueiros de sardinha do país, tanto para beneficiamento e consumo em lata, como também para pesca de atum, para a qual são utilizados peixes de até nove centímetros. Nos últimos anos temos notado uma baixa no número de exemplares, e a criação em cativeiro ajudaria a preservar as espécies no habitat natural", comenta Manzoni.

Sardinhas terminam seu desenvolvimento em tanques redes, no mar (Foto: Divulgação/Univali)Sardinhas terminam seu desenvolvimento em
tanques redes, no mar (Foto: Divulgação/Univali)

A principal espécie de isca viva utilizada para a pesca de atum é a sardinha-verdadeira, entretanto outras sardinhas e as manjubas também podem ser utilizadas. Atualmente são utilizadas cerca de 1.2 mil toneladas de isca viva por ano, sendo que dessas, 800 toneladas são de sardinha e 400 toneladas de boqueirão, outra espécie de peixe. Estima-se que, por viagem, cada barco atuneiro captura em torno de duas toneladas de isca. O peso médio dos juvenis de isca é em torno de 2,3g. Então, por viagem, cada atuneiro utiliza cerca de 1 milhão de sardinhas/manjubas juvenis.

Além da preservação, este tipo de produção vai trazer benefícios para a economia. Segundo o professor, ao invés dos barcos capturarem isca para depois zarparem para alto-mar, o processo ficaria bem mais simples, já que fazendas de iscas-vivas poderiam abastecer atuneiros antes da partida, reduzindo assim o tempo de procura por isca e, consequentemente, o custo de produção."Com a possibilidade da produção da espécie em cativeiro as embarcações não precisarão mais capturar sardinhas para a pesca do atum, gerando economia de tempo e de combustível", explica o professor.

Cerca de oito mil  juvenis da espécie, originários de larviculturas produzidas pelo Laboratório de Piscicultura Marinha (Lapmar) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foram transferidos para um tanque rede no mar, na área de cultivo da Univali, na Enseada do Itapocorói, em Penha, no Litoral Norte. A previsão é transferir as espécies para barcos atuneiros a partir de outubro. Porém, a data depende dos navios atuneiros, que estão parados por causa da água fria.