Peixes ficam à frente dos gatos no ranking brasileiro de animais de estimação

05/04/2016 14:54

Colorindo os aquários residenciais, são 26,5 milhões de peixes no país, contra 21,3 milhões de felinos; cães seguem sendo os preferidos, com 37,1 milhões

Peixes ficam à frente dos gatos no ranking brasileiro de animais de estimação Carlos Macedo/Agencia RBS
O corretor de imóveis Marco Antônio Almendros tem três aquários e garante: um peixe nunca é "só mais um"
Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Que o cachorro é o queridinho dentre os animais de estimação, todo mundo sabe. Mas se você já está com a palavra na ponta da língua para adivinhar quem está em segundo lugar, saiba que não são os gatos — e, sim, surpresa!, os peixes. Já são 26,5 milhões deles colorindo os aquários residenciais, contra 21,3 milhões de felinos e 37,1 milhões de cães, conforme levantamento mais recente da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

A criação e o comércio de peixes ornamentais respondem por um segmento de mercado em crescimento no país, que é a segunda maior indústria pet do mundo — só perde para os Estados Unidos. Prova disso foi a criação, pela primeira vez, no ano passado, de um espaço específico para a aquariofilia na Pet South America, uma das mais importantes feiras pet do continente. De acordo com dados do Ministério da Pesca e Aquicultura, o valor unitário médio para peixes teve valorização de 744% entre 2007 e 2012. Em 2013, a exportação desses animais rendeu US$ 10,5 milhões (R$ 33 milhões) de faturamento aos criadores brasileiros — mais que o dobro do registrado seis anos antes. 

— Já passou o tempo em que colocávamos um peixinho em um aquário e dois dias depois ele estava morto. Hoje, as facilidades técnicas dos equipamentos impulsionam o setor, além do fato de os peixes serem animais que dão pouco trabalho — afirma o coordenador da Associação Brasileira de Criadores de Organismos Aquáticos (Abracoa), Wagner Camis.

E por pouco trabalho entende-se, basicamente, trocar a água do aquário de tempos em tempos e alimentar os bichinhos com ração de três a quatro vezes por dia. Como os aquários recriam o habitat natural dos peixes — seja a água doce ou a salgada —, as vantagens de se ter peixes de estimação vão além de serem artefatos decorativos de encher os olhos:

— Criadores de aquários caseiros tomam consciência do quão importante é um ecossistema para a sobrevivência das espécies. O principal benefício é que você adquire conhecimento de questões ambientais, porque o aquário é um pequeno ecossistema — explica o zootecnista Pierre Alonso, que tem 20 anos de experiência em criação de peixes e desenvolvimento sustentável.

A zooterapeuta Mariana Fonseca, que estudou, em pesquisa na Universidade de São Paulo (USP), como os peixes auxiliam no desenvolvimento psicológico de crianças autistas, afirma:

— Já se comprovou cientificamente que o aquário tem efeito calmante, diminuindo a ansiedade e o estresse.

Sem nome, mas com carinho

A domesticação de cães e gatos que lhes conferem o status de membros da família se difere da criação de peixes. É raro, por exemplo, que tenham nomes — normalmente porque são muitos, e, se forem da mesma espécie, muito parecidos entre si. O que não significa que deixem de provocar aquela sensação de afeto, característica da relação entre humanos e bichos de estimação.

— É claro que um peixe não é um animal de colocar no colo e fazer carinho, mas com o passar do tempo eles desenvolvem uma percepção apurada e passam a conhecer o "dono", a ponto de comer na sua mão — afirma o presidente da Associação Brasileira de Aquariofilia (Abraqua), Ricardo Bittencourt.

Quando, por exemplo, o corretor de imóveis e aquarista Marco Antônio Almendros toca nos vidros dos três aquários que mantêm em seu apartamento, os acarás-bandeiras, barbos-ouro, kribensis e limpa-vidros (para citar só alguns) se ouriçam e seguem seus movimentos. Não por acaso, enquanto Marco conversava com a reportagem ao lado do aquário de 200 litros, seus peixes pareciam prestar atenção.

— Para um aquarista, um peixe nunca é "só mais um". É um apego emocional muito grande. Tem peixes que duram anos, que a gente vê crescer, nota se está doente, essas coisas — enumera ele.

Aliás, a área da medicina veterinária que atende os peixes é uma tendência desta década, conforme Michelli de Ataíde, a cirurgiã que, em janeiro, comoveu a todos ao operar a retirada de um tumor de um peixinho dourado, no Hospital Veterinário da Universidade de Passo Fundo

— O aquarismo tem virado um hobby mais comum. Cada vez mais, as pessoas têm sido mais cuidadosas, atentando ao comportamento do peixe. Quando notam que o nado está diferente, que o peixinho deixou de comer, que as fezes estão com uma cor diferente, o ideal é procurar um profissional. Não é preciosismo, é carinho — conta ela, mestre em cirurgia de animais silvestres e exóticos.