Paraná exporta gado Nelore com melhoramento genético

25/04/2016 14:55

Primeiro touro Zebu da raça Gir foi importado da Índia, na década de 60.
Nelore paranaense é base para comercialização de sêmen. 

A qualidade do Nelore brasileiro é resultado de técnicas avançadas de reprodução e melhoramento genético animal, garantem especialistas. Na fazenda Cachoeira, em Sertanópolis, no norte do Paraná, por exemplo, são usadas técnicas modernas, como aspiração de óvulos, para desenvolver a criação de gado.

Com um aparelho de ultrasonografia, o veterinário encontra o óvulo e o extrai para análise. O material recolhido vai para o laboratório e os melhores óvulos são selecionados para a fertilização. "A vaca produziu 17 estruturas. Destas, 15 têm chance em se converter em embrião. Uma tecnologia de ponta", explica o zootecnista Jusberto Júnior. 

Toda esta tecnologia, que facilita o trabalho do pecuarista, só é possível graças ao esforço dos primeiros criadores, como Celso Garcia Cid. Na décade de 60, ele importou um touro Zebu da raça Gir. E encontrou no rebanho de um marajá indiano a qualidade genética que mudaria a história do gado Nelore brasileiro. "Com certeza essas importações feitas pelo meu avô contribuíram como base genética", diz o pecuarista Gabriel Garcia Cid.

Moacir Sgarioni, presidente da Sociedade Rural do Paraná, conhece bem a história. O estado foi o primeiro a comercializar o material genético conquistado com as importações. "Também logo em seguida das primeiras importações criou o primeiro laboratório de industrialização e comercialização de sêmen", lembra Moacir Sgarioni. 

Com os bons resultados, o Paraná começou a exportar o gado Nelore brasileiro para outros países da América do Sul. O êxito desse modelo de melhoramento genético, que começou no norte do estado, possibilitou muitos cruzamentos industriais, permitindo que animais de diferentes raças consigam se adaptar com mais facilidade às diferenças climáticas.