Panorama da Malacocultura Brasileira

28/04/2016 16:37

As ostras, os mexilhões e as vieiras (coquilles) são moluscos que, por terem duas conchas, são conhecidos como bivalves (duas valvas ou duas conchas). A atividade do cultivo de moluscos é conhecida genericamente como “malacocultura”. Mas, quando se trata especificamente do cultivo de mexilhões, esse cultivo também pode ser denominado de “mitilicultura”, da mesma forma que se for de ostra, pode ser chamado de “ostreicultura”, ou ainda, se o cultivo for de vieiras (coquilles ou pectens) poderá ser chamado de “pectinicultura”. 

O prestígio da cadeia produtiva dos moluscos bivalves na área governamental ficou conhecido por todos quando recebeu recentemente atenção especial do DPA - Departamento de Pesca e Aqüicultura do MA, ao lado das cadeias da tilápia e do camarão marinho. Agora, ao receber o apoio do CNPq, através do Projeto Plataforma do Agronegócio do Cultivo de Moluscos Bivalves, a atividade se fortalece ainda mais para seguir sua trajetória rumo ao profissionalismo. No final de abril, cerca de 170 pessoas de 12 estados brasileiros, entre produtores e técnicos, participaram em Florianópolis – SC da reunião do Projeto da Plataforma que, segundo o zootecnista Carlos Eduardo Martins de Proença do DPA/MA, tem como base o Programa Nacional de Apoio ao Desenvolvimento do Cultivo de Moluscos Bivalves, elaborado pelo DPA/MA e validado pelas mais importantes entidades públicas e privadas que compõem o setor no Brasil.

O evento foi aberto pessoalmente pelo Governador Espiridião Amin, que demonstrou conhecer pormenores da atividade e um indisfarçável orgulho de governar o estado que lidera isoladamente todos os aspectos da cadeia produtiva dos moluscos, tendo produzido no ano passado 11.359 toneladas de mexilhões e 749.066 dúzias de ostras. Segundo Proença, a produção nacional de mexilhões em 2000 foi de 12.500 toneladas, avaliada em 6,2 milhões de dólares, enquanto a de ostras foi de 1,3 milhões de dúzias, avaliada em 3,2 milhões de dólares. Em 2000, a malacocultura brasileira, que hoje já congrega um pequeno exército de 1.600 produtores, faturou 9,5 milhões de dólares, mesmo tendo que enfrentar obstáculos como a crescente dificuldade para obtenção de sementes (formas jovens); um problema grave que pode comprometer o sucesso dessa atividade, ainda emergente. 

Hoje, se cultiva comercialmente no país apenas uma espécie de mexilhão, a Perna perna, duas espécies de otras: a ostra nativa do mangue Crassostrea rhizophorae e a ostra do Pacífico Crassostrea gigas e uma espécie de vieira, também conhecida como pécten ou coquille, da espécie Nodipecten nodosus. Em caráter experimental, podem ser encontrados o cultivo do sururu, a Mytella falcata, da ostra Spondylus americanu e da ostra perlífera Pinctada margaritifera. A seguir, um breve resumo da atividade. As informações foram obtidas diretamente com o gestores do Programa de Moluscos do DPA de cada estado.

Maranhão

O cultivo de moluscos no Estado do Maranhão teve início em 1999 com o Projeto Polomar envolvendo o governo estadual, UFMA, SEBRAE, IED-BIG e Prefeitura Municipal do Município de Raposa. Dos 11 Municípios litorâneos do Estado, oito contam com projetos já implantados, com cerca de 130 produtores organizados em 11 associações onde só se cultiva a ostra do mangue a partir de sementes captadas no ambiente natural. A temperatura das águas maranhenses varia ao longo do ano de 28 a 31 ºC. As profundidades nos locais de cultivo variam de 2 a 6 metros, com amplitudes médias de maré variando de 4 a 6 metros. A salinidade oscila de 6 a 39 ‰, com grande influência de nutrientes provenientes do deságüe dos rios. O tempo de engorda da ostra na costa maranhense varia de 6 a 8 meses, até alcançar o tamanho de mercado de 8 cm. Os sistemas utilizados são: long-line e o sistema de mesas suspensas, localmente chamadas de mesa-lines. A produção maranhense em 2000 foi de 144.000 dúzias de ostras, comercializadas pelos produtores a R$ 2,50/dz no mercado local. Segundo Wellington Martins, gestor do Programa de Moluscos no Estado, devido às excelentes condições sanitárias do litoral maranhense, as ostras são vendidas sem a necessidade de serem depuradas para um mercado local incapaz de absorver um aumento da produção, situação que, segundo o Wellington obrigaria os produtores a vender a produção para outros estados. Nota: Wellington Martins, da UFMA, veio a falecer alguns dias após participar da reunião do Projeto Plataforma em Florianópolis.

Ceará

O Estado do Ceará, segundo Max Dantas do GEMB - Grupo de Estudos de Moluscos Bivalves do Labomar/UFC e gestor estadual do Programa do DPA/MA (gemb@labomar.ufc.br), conta com 70 marisqueiras produzindo ostras do mangue no Município de Fortim, no estuário do Rio Jaguaribe, onde a temperatura quase não varia, ficando a maior parte do tempo entre 28 e 30 oC. A profundidade média na preamar é 2,10 m com marés variando em até 1,50 m. A salinidade varia de 30 a 35‰, chegando eventualmente a zero no “inverno” nordestino, por conta das chuvas. 

O cultivo no Estado está apenas começando, com as marisqueiras, geralmente esposas de pescadores, recebendo orientação técnica do GEMB. Segundo Max Dantas, as primeiras sementes foram provenientes da COONATURA de Sergipe, mas não demonstraram um bom desempenho de engorda. Atualmente existem cerca de 80.000 ostras em cultivo, todas provenientes de sementes colhidas no local com a ajuda de coletores de bambu, que deverão ser comercializadas em julho próximo pelas produtoras a R$ 2,50 a dúzia, devendo chegar ao consumidor final cearense entre R$ 4,00 e 5,00.

Rio Grande do Norte

Apesar do grande potencial, o estado do Rio Grande do Norte ainda não possui cultivo comercial de moluscos, segundo Guilherme Fulgêncio de Medeiros (seuguila@ufrnet.br) da UFRN. 

Recentemente, com a ajuda do programa BMLP – Brazilian Mariculture Linkage Programm, apoiado pelo governo canadense, foram instalados dois cultivos experimentais que não apresentaram, até o momento, resultados satisfatórios, já tendo sido selecionadas duas novas áreas para o reinício das experiências. 

Dos municípios litorâneos do Estado, sete apresentam condições para o desenvolvimento do cultivo de moluscos. As ostras existentes no mercado potiguar são provenientes da extração feita por catadores que vendem a carne após um pré-cozimento. Os preços do quilo da carne, nas mãos dos catadores, variam de R$ 3,00 a 4,00, podendo chegar ao consumidor final pelo dobro desse valor. Na orla, o consumidor paga R$ 0,50 pela unidade da ostra viva. Segundo Medeiros, o maior problema atualmente para desenvolver a atividade no estado é a falta de interesse demonstrada pelas comunidades litorâneas.

Pernambuco

Em Pernambuco o cultivo de moluscos é realizado por cerca de 35 famílias em três municípios: Goiana, Sirinhaém e Rio Formoso. Segundo Josenildo Souza e Silva (josenildopeixe@hotmail.com), do Prorenda Rural - PE, o trabalho é desenvolvido com a ostra do mangue, cujas sementes são provenientes da ONG Conatura de Sergipe. 

Os cultivos são feitos nos estuários, cujas águas apresentam temperaturas entre 24– 28 ºC. A salinidade varia de acordo com o estuário, indo de 16–38 ‰. A variação entre a preamar e a baixa-mar fica em torno de 2 metros. O tamanho de comercialização da ostra do mangue coletada no ambiente é de 6 cm, no entanto está sendo feito um trabalho para diferenciar a ostra coletada da cultivada e, para isso, está sendo adotado como tamanho médio para comercialização da cultivada em 7 cm; que necessita um tempo médio de cultivo de 6 a 8 meses. A produção no estado até o momento foi de 90 mil ostras, ou 7.500 dúzias. Com um estoque e uma previsão de produção até o início do ano que vem de mais 33 mil dúzias. O preço da dúzia da ostra coletada no ambiente é R$1,20; enquanto que para a ostra cultivada esse preço varia de R$ 1,80 a R$ 2,40. Segundo Josenildo, as ostras trazidas do sul do País, advindas de cultivo, são comercializadas in natura nos supermercados ao preço de R$4,00 a dúzia. Os hotéis, restaurantes e bares – ofertam as ostras a R$ 10,00 a dúzia. 

Os primeiros módulos de cultivo familiar em Pernambuco foram apoiados pelo PRORENDA RURAL/PE, que faz parte de um programa de cooperação entre o Governo do Estado de Pernambuco e a Agência de Cooperação Técnica Alemã - GTZ. 
__ Com o desenvolvimento dos trabalhos, houve a parceria com o Departamento de Pesca da UFRPE e em seguida com a Associação dos Engenheiros de Pesca – AEP, com recursos da extinta SUDENE.

Sergipe

Segundo Salustiano Marques (salu_marques@uol.com.br) do IBAMA/SE, nos 168 Km da costa sergipana, que banha 11 municípios, existem seis grandes estuários que apresentam as condições ideais para o cultivo da ostra do mangue, com excelente produtividade primária e temperaturas variando de 24 a 32ºC ao longo do ano. 

Apesar disso, e do fato de que os primeiros estudos no Estado foram realizados na década de 80, atualmente ainda não se tem uma grande base de cultivo comercial instalada, apesar do Estado possuir um dos poucos laboratórios de produção de semente do País, a Estação de Aqüicultura Estuarina Francisco Arturo, pertencente ao IBAMA, com capacidade de produção de 6 milhões de sementes/ano. Em função da nova missão do IBAMA, que não tem mais como meta o fomento pesqueiro, a Estação está sem produzir sementes desde 1999. 

A produção de sementes do Estado é oriunda da captação no ambiente natural realizada pela CONATURA - Cooperativa Mista de Trabalhadores e Conservadores da Natureza, que atualmente coleta ao redor de três milhões de sementes anuais. Nos estuários sergipanos, a ostra do mangue alcança os sete centímetros de 4 a 6 meses, quando então é comercializada in natura pelos produtores, a R$ 4,00 a dúzia, podendo chegar ao consumidor final a R$ 12,00. Os produtores recebem orientação técnica da Estação de Aqüicultura do IBAMA e do SEBRAE/SE, através da CONATURA.

Bahia

No Estado ainda não existem cultivos comerciais, mesmo assim, a Bahia Pesca está identificando as áreas mais propícias à ostreicultura visando a implantação de cultivos pilotos. Além disso, a empresa está empenhada na demarcação dos parques aqüícolas e na realização de estudos da cadeia produtiva da ostra no Estado. 

Segundo Denise Zottolo da Bahia Pesca (bhpesca@bahiapesca.ba.gov.Br) o IDES - Instituto de Desenvolvimento do Baixo Sul Baiano, estará, a partir de abril, colocando na águas baianas 6 mil colares de captação, 1.200 placas, 216 lanternas-berçários e 690 lanternas de engorda, com sementes oriundas de Santa Catarina, Espírito Santo e das coletas locais.

Espírito Santo

Em sete dos 14 municípios litorâneos capixabas, já é possível observar cultivos comerciais de moluscos. Segundo o relato de Humberto Ker de Andrade (ctaaqui@nutecnet.com.br) , gestor do Programa de Moluscos do DPA no Espírito Santo, a atividade envolve cerca de 90 famílias, organizadas em três associações. Na região sul do Estado (abaixo de Vitória), a predominância é de cultivos de mexilhão, devido ao seu bom desenvolvimento e a ocorrência de sementes em abundância. Cultivos de ostra nesta região se encontram em fase experimental, especialmente em sistema de mesas fixas, com utilização de travesseiros.

Na região norte do Estado, predomina o cultivo de ostras do mangue em sistema de balsas flutuantes, visto que a região da Grande Vitória é uma zona limítrofe de ocorrência natural do mexilhão. A região norte apresenta um litoral mais aberto, com áreas abrigadas somente nos estuários, sendo os três maiores os dos Rios Piraque-Açú (Aracruz), Barra Nova (São Mateus) e Cricaré (Conceição da Barra). As temperaturas da água variam de 21 a 30ºC, com variações de marés de –0,2 até 1,7m. As ostras alcançam 7 cm após 10-12 meses e os mexilhões 8 cm após 6-7 meses de cultivo. 

A produção anual do Estado, estimada por Andrade é de 300 toneladas de mexilhões na casca e 14.000 dúzias de ostras. Os produtores comercializam as ostras a preços que variam de R$ 4,00 a 5,00 a dúzia. Os mexilhões pré-cozidos e desconchados, são vendidos de R$ 5,00 a 6,00 e toda a produção capixaba é consumida no Estado, principalmente nos municípios produtores. Os mexilhões são vendidos, em sua maioria, limpos, em bandejas de isopor de 500g ou 1,0 kg, congelados ou resfriados. As ostras são comercializadas, em sua maioria, “in natura”.

Rio de Janeiro

Cultivos comerciais de moluscos estão presentes em sete municípios litorâneos do Estado Rio de Janeiro, onde cerca de 150 produtores atuam através de cinco associações e 2 cooperativas. No litoral fluminense são cultivados o mexilhão (ou marisco), a vieira (ou coquile), a ostra do Pacífico e a ostra do mangue. O litoral do Estado possui três grandes baías: Guanabara, Sepetiba e Ilha Grande, e destacam-se para o cultivo de moluscos, as regiões de Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Niterói, Baía de Sepetiba e Baía da Ilha Grande. Segundo o oceanógrafo Júlio César Avelar (jcavelar@uol.com.br), as águas do litoral do Estado são influenciadas pela Corrente do Brasil e pela Água Continental do Atlântico Sul (ACAS) (6ºC a 18 ºC), que geralmente aproxima-se da costa no verão e também aflora pelo fenômeno da ressurgência de Cabo Frio. Assim, a temperatura média superficial ao longo do ano gira em torno de 22 º C no inverno, e 28 ºC no verão, sendo que se observa nesta época uma forte estratificação térmica com temperaturas mais baixas a 8 metros de profundidade. 

No litoral sul do Estado, o quadro que está se delineando é o policultivo, onde em um mesmo cultivo encontra-se o mexilhão, a vieira e a ostra. Mas parece não existir dúvidas de que a vieira é a espécie mais promissora. Atualmente, o grande gargalo é o fornecimento de sementes. De forma geral, no Estado as sementes de mexilhão são encontradas em abundância em costões rochosos. As sementes da ostra do mangue podem ser coletadas em ambientes naturais, apesar de muitas vezes serem trazidas de alguns Estados do Nordeste. 

As sementes de ostra do Pacífico são normalmente compradas no Laboratório da UFSC ou importadas do Chile. O preço das sementes de mexilhão fica em torno de R$ 0,75 o quilo. As das ostras do Pacífico custam R$ 20,00 o milheiro quando vindas de Santa Catarina; R$ 32,00 o milheiro quando vindas do Chile e, R$ 40,00 o milheiro se compradas em Angra dos Reis, onde pode-se comprar também a vieira a R$ 200,00 cada milheiro. As sementes da ostra do mangue vindas do Nordeste, chegam ao redor de R$ 16,00. No litoral do Estado do Rio de Janeiro, o tempo médio para engorda dos mexilhões até alcançarem 7 cm varia de 8 a 10 meses. A vieira e as ostras do mangue e do Pacífico, alcançam os 8 cm (tamanho de mercado) em 8–12 meses. Os preços médios praticados pelos produtores são: mexilhão na concha: R$3,00/Kg* e R$ 4,00/Kg**, ostra na concha: R$ 9,60/dz* e R$ 12,00/dz** e vieira na concha: R$ 20,00/dz* e R$ 30,00/dz** (*atacado e ** varejo). No que se refere ao processamento industrial, o Estado conta com uma empresa em Arraial do Cabo, em fase inicial de funcionamento, operando com SIF- Serviço de Inspeção Federal. A Associação Livre de Maricultores de Jurujuba (Niterói) também processa o mexilhão, comercializando a carne com o SIE. 

No entanto, grande parte do mexilhão lá processado é proveniente da extração direta dos costões rochosos, motivo pelo qual recebem críticas quanto à sua qualidade e, conseqüentemente, são comercializados a preços mais baixos (R$ 2,00 a 3,00/Kg de carne no atacado). No Estado do Rio de Janeiro o serviço de extensão é feito pela FIPERJ, entretanto, devido à falta de infra-estrutura, não possuem um programa específico de extensão capaz de atender à demanda, apesar de possuírem técnicos qualificados.

São Paulo

O cultivo de moluscos bivalves no litoral sul do Estado de São Paulo utiliza a ostra do mangue, cujos bancos naturais estendem-se desde o litoral sul de São Paulo até a região contígua de Paranaguá - PR. Em São Paulo, o núcleo produtor da ostra do mangue é o município de Cananéia. No litoral norte do Estado os cultivos ocorrem em Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, além da Baixada Santista onde, ocorrem em Santos, Bertioga e Guarujá. Segundo Valéria Cress Gelli (valeria@aquicultura.br) do Instituto de Pesca, no Estado existem 115 produtores, sendo 47 no litoral sul, organizados e atuando em escala comercial por meio da COOPEROSTRA, uma cooperativa da região de Cananéia que trabalha com viveiros tipo “tabuleiro” na engorda e possui uma depuradora com SIF em operação. Existem também no Estado outros grupos organizados como a REMA - Associação dos Moradores da Reserva Extrativista de Mandira e a AMESP - Associação dos Maricultores do Estado de São Paulo. No litoral sul há o predomínio da ostra do mangue. 

O mexilhão é cultivado em escala experimental somente em uma comunidade da Ilha do Cardoso. Há também o cultivo experimental do sururu ou mexilhão do mangue - Mytella falcata, na Ilha Comprida. No litoral norte o predomínio é do cultivo comercial do mexilhão. A vieira, Nodipecten nodosus está sendo cultivada em escala experimental na Ilhabela da mesma forma que a ostra do mangue está sendo experimentada em Bertioga. As sementes das ostras são obtidas no próprio Estado, dentro do estuário de Cananéia. As sementes do mexilhão são obtidas através da captação artificial em redes trançadas, balsas de bambu, no próprio “long line” ou raspadas em costões rochosos. As ostras alçam 7 cm após 4 a 6 meses na engorda, a partir de juvenis de 3-5 cm, e 18 a 20 meses no cultivo integral, a partir da captação de sementes no ambiente.

Os mexilhões são comercializados acima de 7 cm, após 7 a 9 meses da engorda de sementes de 2 a 4 cm. A produção mensal da C. rhizophorae varia de 30 a 35 mil dúzias, sendo cerca de 1/3 desta produção obtida por cultivo e 2/3 por extrativismo. A produção anual de mexilhões é de 150 toneladas. As ostras são comercializadas in natura (vivas), depuradas e embaladas e, os mexilhões são comercializados in natura ou congelados. Na prática do extrativismo, a ostra é paga a R$0,70/dz ao produtor, podendo chegar ao consumidor em preços que variam de R$5,00 até R$15,00 /dz, em função do ponto de venda final. Para a ostra de cultivo, os preços variam em torno de R$2,50/dz e, da mesma forma, o preço pago ao consumidor varia em função do ponto de venda. Já o mexilhão é vendido localmente, diretamente ao consumidor e seu valor pode alcançar R$3,00/Kg . 

Os produtores de Cananéia contam com o apoio de uma equipe interinstitucional fixa, composta pelo Instituto de Pesca, Fundação Florestal e ONG Gaia Ambiental. Além destas, várias outras instituições apoiaram ocasionalmente o projeto, como a Prefeitura Municipal de Cananéia, empresa Shell do Brasil, Fundação Botânica Margaret Mee, Instituto Adolfo Lutz, entre outras. No litoral norte, os produtores de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela contam com o apoio de uma equipe fixa da Secretaria de Agricultura Estadual, do núcleo de Pesquisa do Litoral Norte do Instituto de Pesca e da CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, de São Sebastião.

Paraná

Guaraqueçaba, Paranaguá, Guaratuba e Antonina são os municípios em que estão concentrados os cultivos de moluscos no litoral paranaense. Segundo Javier Macchiavello (cppom@rla13.pucpr.br), são cerca de 60 produtores, existindo na comunidade de Ilha Rasa, no município de Guaraqueçaba, uma Associação de maricultores, inclusive implantando uma depuradora de ostras. 

As águas nesses municípios são de boa qualidade e os moluscos cultivados são as ostras do mangue e do Pacífico e os mexilhões. Existem também no Estado pesquisas com as vieiras e com um mitilideo conhecido como bacucu Modiolus brasiliensis, em travesseiros. 

As sementes são coletadas no meio ambiente e colocadas em travesseiros ou lanternas para a engorda. Em 2001, o CPPOM - Centro de Produção e Propagação de Organismos Marinhos da PUC-PR, já produziu 12 milhões de sementes de C. gigas, tendo destinado 11 milhões aos produtores de Santa Catarina. Segundo Macchiavello, “o tamanho de comercialização é o liberado pelo IBAMA com tempo médio de produção de 8 a 10 meses”. A produção média anual é de 60.000 dúzias de ostras nativas, vendidas pelos produtores por R$ 2,00/dz. O preço médio pago pelo consumidor varia de R$ 3,00 a 5,00. No Estado do Paraná os produtores recebem Assistência Técnica da Emater/PR e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná com unidades de pesquisa na região, além da UFPR e Sema.

Santa Catarina

Dos 30 municípios litorâneos, a malacocultura está sento desenvolvida em 13 municípios, dos quais 10 já possuem produção comercial de moluscos bivalves. Segundo Francisco M. Oliveira Neto (neto@epagri.rct-sc.br) da EPAGRI, existem 1050 malacocultores, organizados em 18 associações de maricultores, quatro cooperativas, a Associação Catarinense de Aquicultura (ACAQ), e a Federação das Associações de Maricultores de Santa Catarina (FAMASC). 

No Estado se cultiva o mexilhão e as ostras do Pacífico e a do mangue (nativa). O cultivo catarinense é desenvolvido nas baías e enseadas com profundidades que variam de 1 a 10m. As temperaturas variam de 80C (inverno) a 300C (verão). Nos ambientes com profundidade média de 5 metros a temperatura oscila de 14 a 260C. A variação de marés está entre –0,2 até 1,20 metros. A salinidade, nas principais regiões produtoras do Estado varia de 27 a 35 ppt, com exceção das regiões lagunares do sul do estado, onde varia de 4 a 30 ppt. 

O carro-chefe da maricultura em Santa Catarina é, sem dúvida, o mexilhão, onde há mais de 1.000 mitilicultores, na maioria, pescadores artesanais. Os ostreicultores estão concentrados no município de Florianópolis e são representados por profissionais de outras áreas como: biólogos, eng. agrônomos, oceanógrafos etc. As sementes de mexilhões são obtidas através da extração dos bancos naturais (costões), mediante concessão de autorização para extração, e pela coleta através de coletores manufaturados, e, ainda, das próprias estruturas de cultivos (cabos, bombonas etc). As sementes de ostras são compradas no Laboratório de Cultivo de Moluscos Marinhos da UFSC e uma quantidade muito pequena é importada do Chile. Em Santa Catarina, os mexilhões, a partir de sementes com cerca de 2 cm, alcançam tamanho comercial com 7 meses de cultivo. As ostras, com o uso de sementes # 4 e #5, o tamanho comercial de 8 a 10 cm é atingido a partir do quinto mês, completando todo o lote em até 12 meses. No ano passado, o Estado produziu 11.359 toneladas de mexilhões e 749.066 dúzias de ostras. Os preços médios praticados pelos produtores de mexilhão “in natura” varia de R$ 0,50/kg no atacado a R$ 1,00/kg no varejo, mexilhões desconchados variam de R$ 4,60/kg (com SIF) a R$ 3,50/kg (direto do produtor).

A dúzia da ostra é vendida a R$ 3,50. Se adquiridos de intermediários (peixarias, mercados públicos etc) os consumidores pagam em média R$ 1,50 no quilo do mexilhão “in natura”, R$ 6,00/kg de mexilhão desconchado e R$ 5,00 a dúzia das ostras. Os produtores e suas formas associativas recebem integral apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Agricultura e Abastecimento/EPAGRI. Nas áreas sedes das Universidades – UFSC (Florianópolis) e UNIVALI (Penha), os produtores têm ainda apoio destas entidades em ações parceirizadas com a EPAGRI.

http://www.panoramadaaquicultura.com.br/paginas/revistas/64/Malacocultura.asp