Plantação de palma miúda e sorgo são destaque no Sertão

19/10/2014 18:34
Durante a seca de 2012 e 2013 a bacia leiteira alagoana sofreu perdas enormes. O estrago só não foi maior porque os sertanejos tinham em seus campos plantações da resistente palma miúda ou palma doce, como é conhecida. Além de matar a fome do gado em Alagoas, essa variedade foi vendida em grande toneladas para Pernambuco, que além da seca sofreu com a cochonilha do carmim, praga que dizimou as plantações de palma daquele estado.
 
Hoje, Alagoas é o maior produtor de palma forrageira do País, como um total de 150 mil hectares plantados. É na Estação Experimental do Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater), em Santana do Ipanema, que são desenvolvidas pesquisas para fornecer aos produtores alagoanos da bacia leiteira variedades de palma resistentes a pragas, como a cochonilha do carmim (Dactylopius Opuntiae).
 
 
O trabalho de pesquisa é coordenado pelo engenheiro agrônomo Fernando Gomes, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri). “A bacia leiteira de Alagoas depende da palma para sobreviver. Por isso é preciso avançar cada vez mais nas pesquisas buscando novas variedades resistentes à seca e a pragas, além de melhores formas de cultivá-las”, afirma.
 
Fernando Gomes citou como exemplo o surgimento de outras pragas como a cochonilha de escama. “A cochonilha de escama ataca até a resistente palma miúda, se o produtor se descuidar a produção é comprometida. O superadensamento, muito recomendado para melhorar a produtividade, pode favorecer o aparecimento dessa praga”.
 
Na Estação Experimental é guardada uma rica coleção com as principais variedades de palmas – cerca de 50 genótipos diferentes. Também são realizados experimentos com variedades de palmas plantadas em Alagoas, como a doce, a palma Alagoas, a palma Orelha de Elefante Mexicana e Orelha de Elefante Africana, entre outras.
 
Os experimentos são acompanhados de perto pelo zootecnista José Cícero Oliveira, que observa em detalhes a evolução das plantas. “Plantamos em condições normais, sem irrigação. Tudo é anotado, o espaçamento, a capacidade de rebrotação e desenvolvimento, a quantidade de chuva. Plantamos todas juntas e podemos fazer a comparação em busca da melhor variedade”.
 
Sorgo ‘silageiro’, uma opção ao milho
 
O sorgo é uma cultura adaptada ao clima seco. “Em relação ao milho as vantagens são enormes. O sorgo produz com a metade da água e se desenvolve bem em condições adversas”, explica o pesquisador Fernando Gomes.
 
 
A partir de um trabalho conjunto com o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) foi lançada a variedade do sorgo SF-15, especialmente adaptada às condições do semiárido alagoano. “Ele apresenta alto poder de rebrota, produz muita massa verde, alta produção por hectare e resistência ao acamamento”, destacou o engenheiro agrônomo.
 
Na Estação, é realizado neste momento um experimento com diversas variedades de sorgo numa área de um hectare. “Plantamos diversas variedades de sorgo juntas e de forma aleatória. Vamos selecionar as melhores plantas para a produção de grão, silagem ou com dupla aptidão”, explicou o zootecnista Petrônio Azevedo.
 
“O sorgo de porte alto é bom para silagem, o de porte baixo, para produzir grão. Tudo é avaliado para obtenção das sementes para multiplicação”, detalhou o zooctenista. “Queremos um sorgo mais precoce, mas com uma capacidade maior de produção. Neste experimento utilizamos variedades consolidadas no Brasil todo junto com o nosso sorgo SF-15. Isso serve para fazer uma comparação, verificar a produtividade e resistência”, destacou Petrônio Azevedo.
 
por Agência Alagoas