O prazer de trabalhar com animais

27/04/2014 16:14

Zootecnistas e veterinários estudam os bichos e tratam deles como gente.

Revista Galileu

Por Álfio Beccari e Rodrigo Ratier
abeccari@edglobo.com.br

O costume do homem de ter animais de estimação em casa é mais antigo do que se imagina: evidências arqueológicas indicam que os cães foram domesticados há 14 mil anos e os gatos um pouco mais tarde, há 4 mil anos. Já a formação de profissionais que tratam especificamente dos animais é bem mais recente. No Brasil, a regulamentação da medicina veterinária data do começo do século. Desde então, o campo de trabalho do veterinário vem se alargando, e mesmo a sua função mais conhecida, a clínica médica, passa por modificações que a aproximam cada vez mais da medicina humana. 

Perfil em mudança
O veterinário tradicional, o chamado generalista, é aquele que sabe um pouco de cada animal e um pouco de cada especialidade. Mas isso está mudando. "Em cidades maiores, já há a necessidade do veterinário especialista. Existem médicos veterinários oftalmologistas, cardiologistas e até mesmo aqueles que realizam apenas diagnósticos por imagem", revela Márcia Fernandes Machado, coordenadora do curso de medicina veterinária da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal (SP). O veterinário generalista, aposta a professora, ainda deve sobreviver em cidades menores. Quem escolhe trabalhar com bichinhos de estimação tem outro obstáculo pela frente. "A concorrência na área é grande", adverte Márcia, "mas sempre há mercado para o bom profissional." 

Atualmente, a graduação em medicina veterinária - que tem mais de 50% de matérias práticas - amplia as opções de emprego para além dos consultórios e hospitais veterinários. Em fazendas e centros de reprodução, o profissional cuida do melhoramento genético dos rebanhos. Na saúde pública, ele atua no controle de zoonoses, doenças comuns aos animais e ao homem, como a raiva. Outra opção é tratar da saúde de animais selvagens. Na pesquisa, destaca-se outro profissional, o biólogo, que estuda características como o organismo, hábitat e comportamento dos bichos. 

Animais e alimentos
Além da veterinária, a zootecnia é outra profissão em que os animais são o objeto de estudo principal. Mas há distinções claras entre elas. "A veterinária se preocupa principalmente com a saúde dos bichos. Já na zootecnia, estudamos, em primeiro lugar, a produção de alimentos de origem animal", explica Célia Regina Orlandelli Carrer, professora do curso de Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP) de Pirassununga. Para o zootecnista, a preocupação com a produção começa antes mesmo do animal nascer, com a aplicação de técnicas para melhorar geneticamente as criações; segue ao longo da vida do animal, com o controle da nutrição e do manejo dos rebanhos; e ultrapassa o abate, com a fiscalização dos alimentos produzidos. 

Trabalhar com criações de animais é ocupação comum na área. Em matérias profissionalizantes, os estudantes tomam contato com várias delas, como a suinocultura e a apicultura. "Uma opção recente é a produção de animais exóticos, como javalis e avestruzes", completa a professora da USP. Para os candidatos à carreira, uma boa notícia: o mercado de trabalho está em expansão. "As oportunidades para os zootecnistas têm se ampliado e devem crescer cada vez mais nos próximos anos", aposta a professora. Um setor promissor é o de produção de rações e suplementos. Nessa área, o zootecnista utiliza conhecimentos de nutrição animal, especialidade estudada também por agrônomos
.

Como é o curso

Medicina Veterinária
Duração média: 5 anos
Informações: Unesp Jaboticabal Tel. (0**16) 323-2500 ramais 111 ou 125 (Muitas capitais também têm o curso)

Zootecnia 
Duração média: 4,5 a 5 anos
Informações: USP (Pirassununga-SP) Tel. (0**19) 561-6936; UFV (Viçosa-MG) Tel. (0**31) 899-2203; UFSM (Santa Maria-RS) Tel. (0**51) 220-8001