O mercado está pra peixe

26/06/2013 20:07
 
Edição 332 - Junho de 2013

Edição 332 - Junho de 2013

Tendência para alimentação saudável e avanço da aquicultura mostram que investir na produção de pescados é bom negócio

Editora Globo
A despesca manual cede espaço para tecnologias que reduzem os custos de produção

Campo Verde, cidadezinha próxima à Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, está entre as 30 com o maior Produto Interno Bruto do Brasil: R$ 1,09 bilhão. Lá plantam-se algodão, soja, milho e também se criam suínos e aves. Só que, pelo andar da carruagem, em pouco tempo a capital do algodão em pluma – alcunha que o município ganhou anos atrás – poderá ser, também, a capital do tambaqui. Ou do pintado. Isso porque é lá que fica a Bom Futuro Piscicultura, uma das três maiores criações de peixes nativos da Bacia Amazônica no Estado, com 180 hectares de lâminas d’água. 

O empreendimento é do Grupo Bom Futuro, forte em algodão, soja, milho, arroz e feijão (cultiva 430.000 hectares de lavouras), dono de um rebanho de 90 mil cabeças de gado e de dezenas de pequenas centrais hidrelétricas (PCH). E, apesar desse não ser o negócio mais rentável (a estimativa de faturamento para este ano é de R$ 9 milhões, o que representa 1% do faturamento total), a criação de peixes conquistou lugar especial na diversificação de negócios do grupo. E tudo isso no momento em que o potencial aquícola nacional ganha destaque. 

O negócio dos peixes no Bom Futuro começou por acaso, quando os sócios Eraí, Elusmar, Fernando (todos Maggi Scheffer) e Zeca Bortoli compraram a Fazenda Filadélfia, em Campo Verde, que já tinha instalado um projeto experimental de piscicultura. Foi no ano de 2001. “Resolvemos continuar para ver no que dava. Nesse período, fizemos, refizemos, erramos muito e acertamos algumas coisas. Estamos aprendendo”, diz Zeca, que encabeça o projeto junto com a filha, Aline, e se apaixonou pelos peixes (e faz a melhor peixada de Mato Grosso). “Eles (os outros sócios) olhavam para o negócio com desconfiança”, lembra. Mas o pé atrás, garante o cunhado, Eraí Maggi, não existe mais. “Era esquisito, ninguém sabia lidar com isso. Fomos aos Estados Unidos, ao Chile. Vimos que, se eles faziam, poderíamos fazer, porque temos todos os ingredientes para isso: grãos, água, clima e consumidores”, afirma. “Eu acredito que, em dez anos, o 1% de faturamento vai ser 10% no nosso negócio”, diz Eraí. 

A aposta traduziu-se em um megaempreendimento. Na Fazenda Filadélfia (o grupo também tem lâminas d’água em Canarana, na região do Araguaia) existem mais de 20 tanques e equipamentos importados do Chile para a despesca (um tubo que suga os peixes do tanque direto para o armazenamento) e máquinas selecionadoras para separar os animais por tamanho, espécie ou peso, além da fábrica de gelo (1 quilo de peixe = 1 quilo de gelo). Mas boa parte dos trabalhos exige mão de obra humana. Ao todo, 42 funcionários trabalham lá.

Editora Globo

Fonte: Globo Rural on line