O consumo de carne e o mercado do boi gordo

01/09/2016 10:34

Resultado de imagem para canal terra viva

Zootecnista Isabella Camargo, consultora de mercado pela Scot Consultoria concedeu uma entrevista ao apresentador Anderson Sobrinho, do canal Terra Viva sobre o que o pecuarista deve esperar para o segundo semestre.

 

Isabella Camargo é zootecnista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Jaboticabal.  

 

Resultado de imagem para picanha

Confira a entrevista na íntegra:

 

Anderson Sobrinho: A gente observa que o mercado está bastante estável neste começo do mês, com poucas alterações nas praças pesquisadas, porque isso esta acontecendo?

 

Isabella Camargo: Nós temos uma baixa oferta de animais terminados, que era esperado ainda este ano, mas temos um escoamento fraco de carne bovina.

 

É a questão da margem de comercialização, que a gente tanto fala nas análises da Scot.

 

Em números, a diferença entre o que o frigorífico paga pela arroba do boi gordo e a venda da carne sem osso no atacado, somada aos demais produtos do abate, está em 11,1%. Este patamar é cerca de 10,0 pontos percentuais menor que a média histórica.

 

Então, como frigorífico não consegue repassar as altas da arroba do boi gordo para a carne ele tenta ao máximo segurar os preços, mesmo em períodos com baixa oferta, que é o que está acontecendo agora. Então ele acaba abatendo menos, aumentando a ociosidade.

 

No ano passado quando a margem chegou a patamar semelhante, houve fechamento de diversas plantas.

 

Anderson Sobrinho: O consumo de carne pelo consumidor neste início de junho está menor do que o esperado?

 

Isabella Camargo: Este ano todo tivemos problemas com o consumo interno de carnes. Um exemplo foi no Dia das Mães, considerado a segunda melhor data para vendas de carne. Só perde para o final do ano e nem assim tivemos melhora no consumo.

 

No final de maio também tivemos um feriado que possibilitou que os frigoríficos abatessem menos, diminuindo a disponibilidade de carne no mercado e o resultado foi a manutenção nos preços no atacado.

 

Já estamos no início do mês, que é quando a população tem maior poder de compra e esse fato também não gerou melhoria expressiva na demanda. Então, a partir de agora não são descartadas quedas para a carne bovina.

 

Este ano temos as exportações indo bem, o que vem colaborando para o escoamento. Mas é importante a gente lembrar elas representam uma parcela relativamente pequena da produção. O mercado doméstico é muito importante para o escoamento.

 

Anderson Sobrinho: Como esse consumo baixo influencia no mercado?

 

Isabella Camargo: Aqui voltamos à primeira pergunta. O baixo consumo pode ser um fator limitante das altas nos preços do boi gordo.

 

E voltamos ao exemplo do ano passado, quando os frigoríficos reagiram à baixa margem de comercialização derrubando os preços.

 

Este ano também tivemos essa ação. Em março último, de um dia para o outro as ofertas de compra diminuíram muito. Alguns frigoríficos ofertaram valores até R$8,00/@ menores, de um dia para o outro. As referências não cederam na mesma magnitude devido à oferta limitada de boiadas, mas o mercado cedeu um pouco.

 

Anderson Sobrinho: Como você analisa o mercado do boi gordo nesses últimos meses?

 

Isabella Camargo: A gente começou o ano com preços firmes.

 

O que a gente pode observar nos últimos meses é que no final de abril e começo de maio tivemos pressão de baixa, com queda de pouco mais de 1,0%, considerando preços em São Paulo.

 

Esta movimentação é comum devido à chegada da seca no Brasil Central, com aumento das vendas pelos pecuaristas, devido à diminuição da qualidade das pastagens. De toda forma, o mercado não esfriou e retomou a firmeza.

 

Anderson Sobrinho: Quais são as expectativas para o futuro, dá pra gente prever como deve se comportar o mercado?

 

Isabella Camargo: Em curto prazo a expectativa é de que os preços continuem firmes. Mas aqui há a necessidade de atenção e acompanhamento das margens da indústria, que podem limitar a movimentação de alta.

 

Embora o cenário seja incerto, o segundo giro do confinamento poderá ser maior que o esperado inicialmente. Desta maneira, a oferta de bovinos terminados a partir de outubro, mesmo que ainda restrita, tende a ser um pouco maior, o que pode alterar limitar valorizações maiores, quando somamos a isso a conjuntura de demanda calma. 

 

Anderson Sobrinho: Qual a dica que você pode passar para o amigo pecuarista que nos acompanha agora, se tratando de mercado?

 

Isabella Camargo: Considerar a utilização de ferramentas de garantia de preços no mercado futuro, seja qual for a modalidade.

 

Avaliar o custo de produção e garantir preços com antecedência é uma estratégia importante para períodos de incertezas, como o atual.

Isabella Camargo