Mulheres empreendedoras. Talento aliado à dedicação

03/09/2014 20:59
(Dona Eni Zimmer )

Eni Zimmer e Marribe Síria Cardena são apenas duas, entre milhares de mulheres empreendedoras, em uma área que, até pouco tempo atrás, era tradicionalmente masculina. Rompendo barreiras e avançando em setores como o de agronegócio, as mulheres estão mostrando que também sabem gerir.

Trinta por cento dos novos empresários no mundo são mulheres, e no Brasil elas representam 40% desse universo, de acordo com dados divulgados pelo Centro para a Liderança Feminina do Babson College, com sede em Boston, nos Estados Unidos. Hoje, de cada 100 brasileiras, 13 estão à frente da própria empresa. Pela primeira vez na história são as mulheres que abrem mais empresas no país, representando 52,4% dos empreendimentos com até 42 meses de criação. No agribusiness, o cenário não é diferente, cada vez mais as mulheres estão investindo no seu próprio negócio.

O empreendedorismo e a busca por qualidade de vida foram os fatores que instigaram a zootecnista e técnica em agropecuária Marribe Síria Cardena a ingressar no cultivo sem solo. A produção começou em 2014, com alface das variedades crespa Vera e Amanda, americana, roxa e lisa. Hoje, a zootecnista, de 34 anos, colhe 30 pés de alface por dia, e também está implantando o cultivo de agrião. “Depois de estudar várias opções no agronegócio surgiu a oportunidade de conhecer a Hidroponia, da qual me apaixonei e resolvi investir. Agora, estamos colhendo as primeiras produções, com dificuldades, dedicação, prazer, aprendizado e muito entusiasmo ao ver a satisfação dos primeiros clientes que, ao comprar, sempre retornam com elogios” revela Marribe. 

NEGÓCIO DE FAMÍLIA

No trabalho diário na estufa, Marribe conta com o auxilio dos dois filhos Marcello e Tarllei, de 13 anos, e do marido Anésio dos Santos. O investimento na Hidroponia também partiu da vontade de unir a família em prol de uma atividade que promovesse a qualidade de vida, segundo a produtora. Ela conta que sempre quis complementar a renda familiar com algo saudável em que ela, junto com os filhos, pudesse produzir e oferecer a amigos e pessoas interessadas. “Sempre me dediquei à área agropecuária e acredito que tenho o dom. Identifiquei na Hidroponia a oportunidade de realizar um projeto que me dá prazer e gera renda”, afirma. A iniciativa está tendo retorno. “Uma experiência fascinante onde, com nosso esforço e dedicação, podemos ver nascer, crescer e comercializar produtos diferenciados e com maior valor nutritivo. Nosso esforço e conhecimento faz chegar à mesa das pessoas produtos saudáveis e alinhados com os preceitos de sustentabilidade”  comenta.

 

DO RIO GRANDE DO SUL PARA O CEARÁ

Eni Zimmer, 72 anos, foi pioneira na implantação da Hidroponia no Nordeste do Brasil, ao lado do seu marido Delmar Zimmer. Em 1995, o casal deixou a cidade de Portão, no Rio Grande do Sul, e fixou residência em Eusébio, no Estado do Ceará, onde, há mais de 18 anos, fundaram a Hidrohorta Gaúcha, empresa que hoje produz alface (crespa, crocante, roxa, mimosa), rúcula, agrião, manjericão e coentro.

Mas o início da produção não foi fácil. Tudo começou a partir dos 400 metros quadrados da propriedade do casal e o empreendimento dos produtores hidropônicos cresceu e hoje, quase duas décadas depois, soma cerca de 12 mil metros quadrados de área produtiva, empregando 17 colaboradores.

 

TRANSIÇÃO COMO DESAFIO

Com o falecimento de seu esposo Delmar, em agosto de 2012, Dona Eni assumiu os negócios da família e até hoje comanda a empresa com autoridade e muita dedicação.  Dedicação, que nasceu há quase vinte anos, junto com o amor pelo cultivo hidropônico.  “O que me motivou a investir em Hidroponia, foi uma reportagem que assisti junto com meu marido na televisão. Nunca tinha visto coisa igual, vi os pés de alface lindos com raízes branquinhas eu e o Delmar nos apaixonamos naquele momento e resolvemos entrar neste negocio” comentou Dona Eni. A partir desta vontade de empreender, o casal procurou a emissora de TV e conseguiu o contato do produtor que apareceu no programa, depois de três ligações Delmar Zimmer já estava matriculado em um curso de Hidroponia. 

Mas um triste capítulo marcou a história do Grupo Hidrohorta Gaúcha, o falecimento de seu idealizador, Delmar.  Com a tragédia, Dona Eni assumiu o papel que antes era desempenhado por seu esposo. Foi neste cenário que a empresária comprovou que sua experiência, espírito de liderança e afinidade com os negócios, seriam itens indispensáveis para desenvolvimento e expansão da empresa.

De acordo com Eni, o pioneirismo que começou nos anos 90, ainda faz parte do cotidiano da empresa, que busca fornecer aos consumidores produtos da mais alta qualidade  e com garantia de procedência. “A busca da excelência em nossos processos e produtos é um desafio diário. A rastreabilidade e a higienização das hortaliças comercializadas pela Hidrohorta Gaúcha são diferenciais importantes. Neste sentido, o sistema de produção hidropônico favorece. Cultivados em bancadas, sem contato com a terra, e assim, mais preservados sob o aspecto de  higienização, as verduras  que comercializamos, se bem armazenadas, estendem seu prazo de durabilidade, o que permite um produto com maior valor agregado” finalizou.

 

 A ALA FEMININA DO AGRONEGÓCIO

A agricultura evoluiu, e junto com ela a produção hidropônica, que está cada vez mais moderna e competitiva. Por isso, a participação da mulher na gestão dos negócios e da propriedade da família tornou-se imprescindível. Seja por sua visão diferente à frente dos desafios diários, ou até mesmo, por quebrar paradigmas da sociedade que até poucos anos atrás era conservadora.

Segundo Marribe, o rótulo do sexo frágil não existe mais. A zootecnista relatou que as mulheres de hoje são capazes de gerenciar as tarefas domesticas em cooperação com sua família e ainda assim, estão dispostas a trilhar novos rumos e empreender em outras áreas.