Excelência leiteira do gir

10/06/2013 20:03

Com valor médio de R$ 8 mil, cada vaca, e por apresentar a maior variedade em coloração de pelos entre os bovinos, a raça gir se destaca na exposição em Goiânia

DIÁRIO DA MANHÃ

THAMYRIS FERNANDES
 

Uma raça dócil, com baixos custos de manejo e produção leiteira de alto padrão. Esses são as vantagens mais citadas por conhecedores do gir leiteiro, raça zebuína de origem indiana, que chegou ao Brasil pela primeira vez por volta de 1912. De acordo com a zootecnista Anna Clara de Brito – organizadora da exposição da raça na 68ª Exposição Agropecuária de Goiás (Expo-Goiás) –, outro benefício desses animais é a alta capacidade de adaptação a situações adversas.

"O gir é uma raça rústica, que se adéqua com facilidade a ambientes inóspitos, com pouca disponibilidade de alimento; ao clima tropical e resiste bem a pragas, como carrapatos", explicou a especialista. Segundo ela, além do baixo custo de produção que esses animais demandam, a boa qualidade do leite que produzem – rico em gordura e proteína –, também agregam valor a esse rebanho.

Ainda sobre cadeia produtiva do leite, a zootecnista ressalta que o gir leiteiro desempenha papel primordial na criação da raça girolando – espécie híbrida –, considerada destaque nesse mercado dentro do País. "As vacas girolando predominam dentre o gado leiteiro nacional e são as que apresentam maior produtividade. Elas são fruto do cruzamento do gir asiático com o holandês europeu; que já têm vasta tradição nesse segmento."

DIFERENCIAIS

Conforme o coordenador do Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (PNMGL) – da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGL) – André Rabelo Fernandes, o melhor rebanho da raça atualmente é o brasileiro. Segundo ele, embora esteja presente em quase todo o Brasil, os Estados que se destacam na criação do gir são Minas Gerais, em primeiro lugar; seguida por Goiás.

De acordo com André, o rebanho nacional de gir conta hoje com mais de 150 mil cabeças, com uma média de lactação diária de, aproximadamente, quatro quilos por animal. "Embora apresente um custo de criação abaixo do necessário para outros bovinos, o gir leiteiro ainda é uma raça cara no mercado pela pouca disponibilidade de animais. Uma vaca dessa linhagem pode custar, em média, R$ 8 mil", comentou.

Segundo o coordenador do PNMGL, além do bom desempenho produtivo, o gado gir ainda apresenta particularidades genéticas que os tornam inconfundíveis. André explica que essas características vão da pelagem – que varia do vermelho ao branco, considerada a raça com a maior variedade em coloração de pelos –, até os chifres, muitas vezes longos, voltados para baixo, para os lados ou para trás.

"Outro detalhe que define bem a aparência de um gir é o crânio ultraconvexo, ou seja, com a extremidade superior arredondada. Isso força a definição dos chifres para trás e faz com que nunca sejam tão frontais como os do nelore, por exemplo", conta o coordenador. André ressaltou também a particularidade das orelhas "encartuchadas", muito longas, e presença  de cupim e barbela nesse animais.

Na prática

Criador de gir desde 2006, o agropecuarista Daniel Silvano, da Fazenda Santo Antônio - Gir Dsil, de Bela Vista de Goiás, conta estar satisfeito com a raça. Especialista na produção leiteira, ele conta que, diariamente, seu rebanho produz uma média de 500 litros de leite.

Segundo ele, a produção leiteira desses animais é muito bem aceita pelos laticínios, que acabam pagando mais pelo produto da raça. "Esse é apenas um item dentro de uma lista de vantagens. O rebanho gir ainda tem o diferencial de não precisar de uma manejo muito elaborado. Ele pode ser criado a pasto, porque, nesse meio, consegue buscar sem ajuda boa parte de seu sustento."

Entretanto, como Daniel fez questão de ressaltar, não é por suas características rústicas que o gir leiteiro não precisa de cuidados especiais. Segundo ele, como todo animal voltado a produção do leite, a raça é mais produtiva quando tem condições melhores de alimentação -como receber ração na hora da ordenha –, entre outras regalias.

Prova que tais cuidados funcionam são as vacas premiadas que o agropecuarista tem em sua propriedade. Segundo Daniel, está entre seu rebanho a Escreta FIV Dsil, considerada a segunda melhor do Brasil, período 2012 e 2013, na produção leiteira. "Essa disputa foi vencida em Uberaba (MG), quando a vaca atingiu o total de 44 quilos de leite, na categoria Fêmea Jovem, no torneio leiteiro Megaleite."

Também na categoria Fêmea Jovem, outra vaca gir de Daniel, Etiqueta FIV Dsil, conseguiu destaque no torneio leiteiro de Goiânia. O animal foi o campeão de 2013 ao conseguir atingir o recorde de 47,8 quilos de leite no concurso.

Gir participa de torneio leiteiro na Expo-Goiás

Thamyris Fernandes

Da Editoria de Economia

Tradicional na Exposição Agropecuária de Goiás (Expo-Goiás), o torneio do gado Gir está marcado está confirmado para esse ano. De acordo com a coordenação do evento, a disputa ocorre entre amanhã e sexta-feira, 24, no pavilhão do gir leiteiro na Pecuária.

Conforme a zootecnista Anna Clara de Brito – organizadora da exposição da raça na 68ª edição da Pecuária de Goiânia –, o torneio leiteiro consiste na disputa, em quilos, da maior quantidade de leite produzida pelos animais inscritos. Ela conta que os volumes são medidos em três ordenhas diárias – às 6h, 14h e 22h –, durante quatro dias. "No final, é feita uma média de cada vaca. A vencedora deve quebrar ou manter o recorde atingido, por cada categoria, no ano anterior", contou a especialista.

Sobre essas divisões, Anna Clara explicou serem três categorias: Fêmeas Jovens, com até 36 meses de vida; Vaca Jovem, de 36 a 52 meses; e Vaca Adulta, com mais de 48 meses.

Com relação aos recordes a serem alcançados, as representantes também seguem uma quantia estipulada por categoria. As Fêmeas Jovens precisam ultrapassar os 48,8 quilos de leite, as Vacas Jovens, 50,1 quilos; e as Vacas Adultas, 62 quilos.

Outro dado relevante da disputa, como contou a zootecnista, é a saúde no úbere, ou mama, da vaca. Segundo ela, os avaliadores também consideram as condições dos animais, certificando o tamanho dos órgãos, as condições de sustentação e a boa irrigação das tetas.