Leite orgânico com rentabilidade

30/01/2013 20:27

 

Com determinação e muito trabalho, produtor se supera e alcança eficiência para produzir e comercializar leite orgânico certificado, o que lhe garante boa rentabilidade e margem para investimentos
 

João Antônio dos Santos

 
Vacas mestiças pastejam nos piquetes de tifton irrigados,
com produtividade de 18.338 litros/há

Localizada dentro de um vale, entre morros pelados, com solo degradado, várzeas alagadas e com apenas uma área de reserva legal. Este era o cenário da Fazenda Nata da Serra, situada no município de Serra Negra-SP, há quase 15 anos. De lá para cá, muita coisa mudou a partir de trabalho, investimento e determinação do produtor Ricardo Schiavinato, que fez de uma área de 102 ha uma das principais referências de produção orgânica certificada no Estado de São Paulo.

Hoje, serve de modelo como unidade demonstrativa na produção de leite orgânico, mas reserva espaço também para hortaliças, vegetais, frutas, café, piscicultura, apicultura, eucalipto, e até turismo rural. “A opção por uma exploração diferenciada sempre significou desafios”, cita. No início, ele e o pai se voltaram para a pecuária de corte, a partir de um rebanho heterogêneo e feito sem muito critério. A frustração com os resultados apontava, então, a recuperação do solo como a maior prioridade.

Já a atividade leiteira surgiu meio por acaso, a partir de 1990. Do gado de corte, selecionou algumas vacas boas de leite, cuja produção era destinada aos funcionários da fazenda, enquanto a sobra era vendida a um laticínio da região. Com isso, Schiavinato percebeu que o leite poderia ser um bom negócio, gerando receita mensal, a partir do pasto que já dispunha de braquiária e napiê, além de uma silagem “meia-boca” de milho.

Investiu na compra de matrizes Holandesas e adotou um sistema de produção semiconfinado. Pasto, capim picado e cevada no cocho compunham a base da dieta. Nesse modelo chegou a produzir 800 litros de leite, com umas 45 vacas em lactação, com média de 17/18 litros por dia.

Mas admite que eram tempos difíceis, com a inflação nas alturas. “Todo o dinheiro da produção era corroído pela inflação ou ficava com o laticínio”, lembra. O mesmo acontecia em relação à venda das hortaliças e legumes, pois só quem ganhava algum dinheiro era o atravessador. Concluiu, então, que a saída para ter alguma renda era montar uma pequena usina para pasteurizar e envasar o próprio leite em saquinhos barriga-mole e produzir iogurte.

Schiavinato: exploração diferenciada

sempre significou desafios

A nova proposta se sustentou apenas por uns três ou quatro anos. Sem receita suficiente para cobrir os custos e pagar as dívidas, parecia que a melhor saída era mesmo vender a propriedade e buscar outra atividade. Foi aí, então, que ficou frente à frente com sua própria situação, marcada pela ineficiência.

“Não conseguia bom desempenho nos dois segmentos. Na produção, com rebanho desorganizado, muitos problemas reprodutivos, alta mortalidade de bezerras, dieta inadequada, doenças, volumoso de baixa qualidade... Na comercialização, não conseguia fazer uma boa distribuição do produto no mercado. “Meu desespero só indicava a venda de tudo para pagar as contas. Mas ao falar com meu pai, ele me fez ver que seria melhor buscar uma alternativa, pois já havíamos investido muito para desistir”, relata.

Uma mudança de rota na produção - Da conversa com um amigo sobre produção orgânica e o promissor potencial desse mercado, vislumbrou que este poderia ser seu novo rumo. Assim, em 1997 iniciou o preparo da propriedade para a produção orgânica de hortaliças e legumes. Seguindo todas as recomendações técnicas pertinentes ao novo conceito de exploração, logo conseguiu boa produtividade e alta qualidade nos produtos.

“Aí ocorreu algo fundamental na minha vida. À parte a consciência ecológica que crescia dentro de mim, me descobri como produtor e agrônomo, ou seja, fui obrigado a pensar na produção. Foi uma mudança de paradigma em minha visão de agricultura. Começou a ficar claro o tanto de erros que eu vinha cometendo”, ele se recorda. Em 1998 já recebia certificação de produção orgânica de hortaliças e legumes e a credencial de fazenda agroecológica, com grande diversidade de flora e fauna nativas.

Daí para decidir entrar na produção orgânica de leite foi um pulo. De um dia para outro, começou a mudar tudo na Nata da Serra. O primeiro passo foi mexer nas áreas de pastagem, adotando o sistema Voisin. As vacas Holandesas da noite para o dia saíram do confinamento e foram para o pasto. Substituiu os medicamentos alopáticos pelos homeopáticos e fitoterápicos ministrados sem orientação, o que lhe custou muito caro.

Bezerras são criadas no sistema argentino,

com sombreamento garantido

 

“Nessa época não se falava em leite orgânico, não existia orientação técnica. Então, fui seguindo o que ouvia falar”, recorda. A falta de critérios e os erros acumulados na nova experiência fizeram a produção de leite cair de 800 para 200 litros de leite/dia, além de somar mortes de vacas e bezerras. Mas aí se deparou com um paradoxo: os 200 litros de leite e iogurte orgânicos passaram a dar mais lucro do que os 800 litros anteriores. A explicação estava no novo preço cobrado, bem superior ao produto convencional.

O laticínio, mesmo com pouca produção, em torno dos 250 litros, sustentou a atividade leiteira na fazenda por uns sete anos, até 2006. As vacas pastejavam o napiê no sistema Voisin (não era adubado, sendo apenas controlada a saída e entrada dos animais); como volumoso no inverno, a silagem de milho e de capim-cameroun. A capineira era adubada com composto orgânico de cama de frango.

A ordenha, com bezerro ao pé, segundo as normas dos orgânicos na época, era feita apenas uma vez ao dia. Assim, obteve a certificação orgânica também na produção de leite em 1999, outorgada pela Associação de Agricultura Natural de Campinas. Com o rebanho, intensificou o cruzamento das Holandesas com touros Gir Leiteiro para obter fêmeas mais resistentes, embora de menor produção, ao mesmo tempo em que começou a obter Jersolando.

Produção de leite com orientação técnica - Em 2006, com as contas em boa parte pagas, graças aos recursos obtidos com a venda do leite e de legumes e hortaliças, Schiavinato decidiu que era chegado o momento de incrementar o negócio. “Já havia recuperado a maior parte da cobertura vegetal da propriedade e na agricultura orgânica e no leite conseguia bons resultados. Porém, quando fiz uma avaliação dos índices zootécnicos do rebanho levei o maior susto, tal a ineficiência traduzida pelos índices zootécnicos”, diz ele.

Os números indicavam que nos 45 ha de pastagem obtinha uma produção média de 250 litros por dia, com 33 vacas em lactação (média de 7-8 litros de leite/vaca/dia), 17 vacas secas, 28 bezerras e 16 novilhas. E o que era mais preocupante ainda: apenas 60% das vacas estavam em lactação e o intervalo entre partos ao redor de 16 meses. A produtividade estacionara nos 2.400 litros de leite/ha/ano.

Produção de quase mil litros/dia é transformada

em derivados lácteos com selo “orgânico”

Nessa época, a dieta dos animais em produção consistia em pastejo rotacionado de dois dias por piquete; fornecimento de 25 kg de cevada úmida por vaca/dia, misturados com capim picado. O que mascarava os resultados era o custo do leite, que batia em R$ 0,71 por litro, ser compensado com o preço de venda do litro de iogurte, R$ 3,00, e o do leite, a R$ 2,00. Entretanto, sabia que poderia ganhar mais se alcançasse maior eficiência na produção. Com os índices na mão, entrou em contato com os técnicos do Projeto Balde Cheio, na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos-SP.

A nova e atual fase teve início em 2007, com a visita do agrônomo André M. Novo para orientar as mudanças. O foco inicial das ações foi no sentido de elevar a eficiência na produção de alimento de qualidade para os animais. Iniciou com 2,5 ha de capim-cameroun, divididos em 35 piquetes, mais 1,0 ha de grama-estrela. A adubação com composto orgânico ficou mais criteriosa. “Em pouco tempo, as vacas estavam dobrando a produção, já que dispunham de melhor comida, como aveia e azevém irrigados no inverno”, lembra o produtor.

Muito motivado, continuou investindo na infraestrutura para produção de volumoso, e chegou a 2012 na seguinte situação: 12 ha de pastagem irrigada (cameroun, mombaça, tifton, jiggs e braquiária); 3 ha de cana-de-açúcar; 5 ha para cultivo de milho para silagem. Nesses 20 ha, produz 1.000 litros de leite/dia, com a ordenha de 71 vacas (com média vaca/dia em torno de 15 litros, em duas ordenhas). O restante do rebanho é formado por 19 vacas secas, 56 novilhas e 32 bezerras, totalizando 178 animais. O leite tem alta qualidade, com contagem de células somáticas de 206 mil/ml e contagem bacteriana de 25 mil UFC/ml.

Novilhas, assim como as bezerras, são

separadas em lotes, por idade e peso

 

Em menos de cinco anos, resultados melhores - Segundo a normativa da produção orgânica, as vacas em lactação devem comer no máximo 15% da matéria-seca em concentrado. A pastagem garante uma produção de 12 a 13 litros de leite, enquanto a média do rebanho é de 15 litros. Assim, as matrizes ingerem volumoso com 10 a 12% de matéria seca e complemento com concentrado na base de 3 a 3,5 kg por vaca/dia. O concentrado é composto de farelo de soja, milho (ambos orgânicos) e sal mineral especial, de algas.

Com tais ajustes, a produtividade de 2.400 litros de leite/ha/ano saltou para 18.200. O intervalo entre partos está hoje em 13 meses e 78% das matrizes adultas estão em lactação. Nos últimos dois anos, registrou apenas uma morte de bezerra. “Isso em menos de cinco anos, sem estar ainda com o rebanho estruturado. Estou focando criteriosamente no melhoramento genético para chegar a um padrão de gado adequado para o sistema de produção orgânica”, diz ele.

Seu rebanho atual é um misto de animais das raças Holandesa, Girolando, Jersey puro, Jersolando, e já tem algumas bezerras tricross, que é o padrão de matrizes que está buscando, juntamente com as Jersolandos. Segundo Schiavinato, fazer um cruzamento de raças provoca a heterose e o novo produto é mais eficiente e resistente. Daí seu interesse em fazer o Jersolando. Avançando um pouco mais começou a cruzar com uma terceira raça, a Sueca Vermelha, e produzir o tricross para ser o padrão do rebanho.

“Escolhi a raça Sueca Vermelha porque tem características favoráveis para o pastejo, porte mediano, positiva em teor de sólidos no leite, boa mobilidade e longevas. E também a pelagem vermelha favorece o controle de ectoparasitas”, argumenta. Ao adotar as orientações dos técnicos que o visitam, o produtor também começou a utilizar um protocolo para aplicação de medicamentos homeopáticos no rebanho. Esse protocolo foi elaborado pelo veterinário Mário Ramos, com base nos quadros de controle da reprodução e de crescimento.

Assim, as bezerras e novilhas são separadas em lotes padronizados (por idade e peso), que receberão medicamento específico para seu desenvolvimento ou para algum problema de saúde que o grupo apresente. Já as vacas são separadas em lotes de produção e reprodução. Todos os animais recebem um protocolo de homeopatia para controle de endo e ectoparasitas na ração, uma mistura padrão, que é colocada em barricas devidamente identificadas, segundo o lote a que se destinam. As vacas que precisam entrar no cio recebem uma mistura padrão para produção, prevenção de mastite e para estimular o cio.

Hoje, com o sistema de produção mais equilibrado, mas ainda em estruturação, o produtor tem um custo de produção de R$ 1,10 por litro de leite. Entre os principais fatores que compõem esse custo estão: mão de obra, com 23%; concentrado, 24%; sal mineral, 4%; adubação, 24%. Em geral, num sistema convencional, este último custo gira entre 10 e 15%.

 

Rebanho atual é um misto de Holandês,

Jersey, Girolando e Sueca Vermelha

 

Meta é elevar eficiência e reduzir custos - Schiavinato assinala que é preciso adubar com grande quantidade de composto orgânico: 40 t/ha, ao custo de R$ 100/t, o que significa um valor de R$ 4.000/ha/ano, enquanto no manejo convencional o custo da adubação fica ao redor de R$ 2.200/ha/ano. Ou seja, o custo de adubação orgânica sai 80% mais caro. Além disso, ele observa, é natural que haja deficiência de nitrogênio no solo das pastagens, o que reduz a produtividade da forrageira.

“Procuramos compensar isso elevando o teor de matéria orgânica do solo por meio de roçadas no capim, logo depois que o gado faz o pastejo de ponta e sai dos piquetes”, explica. Outra providência é buscar maior eficiência no uso esterco produzido na fazenda. Para isso, o chorume descansa por uns dez dias e depois é usado na fertirrigação do pasto.

Ele também usa leguminosas. Depois de picar a parte aérea, espalha as plantas nos piquetes de pastagem. “O sistema orgânico é limitado para se atingir grande produtividade no leite. Por exemplo, será quase impossível atingir uma produtividade de 30 mil litros de leite/ha/ano. Porém, é possível atingir um patamar que permita boa rentabilidade”, garante ele, com a convicção ditada pela própria experiência.

A Fazenda Nata da Serra vem crescendo nos últimos três anos uma média de 40%, possibilitando com a produção e comercialização de lácteos uma rentabilidade de 30%. Com o processamento diário de 1.000 litros de leite, produz iogurte em oito sabores, leite, manteiga, queijo frescal, ricota, muçarela e minas-padrão. O produtor prefere colocar seus produtos no pequeno varejo especializados em produtos orgânicos, das praças da região de Campinas, Grande São Paulo e Rio de Janeiro.

O total de investimentos na produção de leite, de 2007 a 2012, chega a R$ 860 mil. Esses recursos foram alocados para formação de pastagens, irrigação, reforma da sala de ordenha, compra de vagão forrageiro, de trator e reforma e manutenção de corredores. Schiavinato não pretende crescer na produção leiteira nos próximos anos. Sua ideia é manter 80 vacas em lactação, com média de 15 litros de leite/vaca/dia, o que dá 1.200 litros de leite.

Como já está muito próximo dessa meta, sua preocupação maior é focar na eficiência e reduzir os custos. “Com o rebanho bem estruturado, com base no padrão tricross, pretendo também comercializar essa genética mais apropriada para a produção orgânica de leite. São animais com características para manejo a pasto, produtivos, selecionados para resistência a ecto e endo parasitas”, assinala o produtor.


Mais informações, www.natadaserra.com.br ou e-mail: natadaserra@natadaserra.com.br

Orgânico, sim; ineficiente, não

 

Artur Chinelato de Camargo

 

 

 

A discussão sobre a produção de alimentos orgânicos traz em seu seio uma enorme dose de idealismo, desconhecimento e romantismo. É preciso discutir o assunto profissionalmente, sem paixões, ideologias e teorias que beiram a insanidade. Opte-se por produzir alimentos convencionais ou orgânicos, mas em ambos os casos, a eficiência do processo não pode ser posta de lado.

Não há mais espaço para a produção de alimentos de modo ineficiente num mundo que precisa alimentar 220 mil pessoas (balanço populacional entre os que nascem e morrem no planeta Terra) a mais a cada dia.

No caso da atividade leiteira, chega-se ao absurdo de achar que soltar um bando de vacas numa pastagem que mais parece uma capoeira, cheia de cupins, formigas, assa-peixes, leiteiros, joás, sulcos de erosão, deixando-as, literalmente, “caçar” seu próprio alimento, pode ser caracterizado como uma produção orgânica de leite.

Ter 200 ha de terra e de 200 vacas tirar 1.000 litros diários, sinceramente, não há nada de orgânico nisso e, sim, uma ineficiência brutal e uma agressão ao ambiente que se esconde atrás do slogan “orgânico”. Quem produz desse jeito é tudo, menos orgânico. É um sujeito desmazelado, largado, que encontrou uma forma de transformar seu desleixo em negócio, tendo como aliados leigos que cultuam essa forma de produzir como se natural fosse, repetindo esse discurso como um mantra.

Segundo trabalho sob o título “Caracterização da produção orgânica de leite em algumas regiões do Brasil”, publicado pela Embrapa, o rebanho médio de 10 propriedades orgânicas (oito cadastradas e duas em processo de cadastramento) era constituído por 76 vacas, sendo que destas 41 eram vacas em lactação, ou seja, 54% de vacas em lactação.

O rebanho total era composto por 164 cabeças, o que significa 25% de vacas em lactação no rebanho, quando o índice deveria ser de no mínimo 55%. A produção média levantada foi de 9,2 kg de leite na época das chuvas, caindo para 8,2 kg de leite na época seca do ano. Com esses dados é possível calcular o quanto o produtor está deixando de ganhar, sem mudar a estrutura do rebanho e sua média de produção, apenas alterando a proporção entre vacas em lactação e vacas secas.

Vamos aos cálculos. Um índice que deve ser perseguido incansavelmente na atividade leiteira, seja ela qual for, é de 83% de vacas em lactação, resultado de um período de lactação de 10 meses, dividido por um intervalo entre partos de 12 meses. É difícil, mas deve-se buscá-lo sempre. Apenas alternando este índice, a propriedade orgânica média, ao invés de 41 vacas em lactação, deveria estar ordenhando diariamente, 59 vacas, o que significa 18 vacas a mais.

Multiplicando tal quantidade de vacas pela média de produção, que foi de 8,7 kg de leite entre períodos de seca e chuvas, se chega ao diferencial de 156 litros de leite que deveriam ter sido produzidos diariamente, e não foram. Multiplicando por 365 dias, se chega à quantidade de 56.940 litros de leite por ano que deixaram de ser produzidos.

Considerando o preço de R$ 1,20/litro para o leite orgânico, o produtor médio de leite orgânico caracterizado no levantamento citado deixou de arrecadar a bagatela de R$ 68.328 por ano, graças aos conceitos de criação paz e amor, tipo Woodstock, que esses produtores estabeleceram em suas propriedades. Deixar de ganhar dinheiro não tem nada de orgânico, natural ou bonito. Ou será crime desejar ter lucro?

Mais uma informação: no levantamento efetuado a área média ocupada pela atividade leiteira era de 138 ha. Considerando a produção média diária de 357 litros (41 vacas em lactação vezes 8,7 kg de leite por vaca em lactação), a produtividade da terra foi de 944 kg de leite/ha/ano, menor que a média brasileira que gira em torno de 1.200 kg de leite/ha/ano. Por fim, a quantidade de vacas em lactação por hectare foi de 0,3. Sem comentários!

Nos últimos cinco anos, eu e os pesquisadores André Novo, Marco Bergamaschi e Júlio Palhares, todos da Embrapa Pecuária Sudeste, mais o professor Fernando Mendonça, da Esalq/USP, o agrônomo Ricardo Schiavinato, proprietário da Fazenda Nata da Serra, em Serra Negra-SP, e seus empregados, temos discutido, acompanhado, trabalhado, errado, acertado e, por fim, aprendido muito com a transformação de uma produção orgânica ineficiente e desorganizada que existia, em uma produção leiteira orgânica eficiente e organizada, em nada devendo a propriedades convencionais quando o assunto são os índices agrícolas, zootécnicos e econômicos.

Finalizando minha opinião sobre o assunto, a produção orgânica organizada e eficiente por ser mais complexa devido à impossibilidade de utilização de insumos como fertilizantes químicos, defensivos agrícolas e medicamentos alopáticos, é mais onerosa. Custa por volta de 30 a 40% a mais para se produzir. Por essa razão, chega a um preço mais elevado ao consumidor.

Artur Chinelato de Camargo é pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste e membro do conselho editorial de Balde Branco.