Estadão: Indústria de carne bovina vê recuperação de margens no 2o tri

09/04/2013 19:09

 

ESTADO.COM.BR -
Reuters
Depois de um primeiro trimestre fraco, a indústria de carne bovina espera uma recuperação das margens operacionais, com a melhor oferta de animais para abate, custo menor com grãos e uma recuperação da demanda, disseram nesta quinta-feira dois executivos das maiores companhias do setor no Brasil.

"O começo deste ano foi meio difícil, com as férias, menos dias úteis em fevereiro... Mas em março já começamos a ver recuperação", disse à Reuters o presidente da unidade Beef Brasil da Marfrig, Andrew Murchie, no intervalo de evento de rede varejista em São Paulo.

O executivo observou que neste trimestre a indústria começa a ver um pequeno aumento de oferta de animais, além de uma maior demanda por carne, cujos preços começaram a reagir. "A gente entende que a partir de agora os números vão ser diferentes e a demanda vai ficar um pouco melhor... Vamos buscar recuperar margens", acrescentou.

Ele explicou que, historicamente, a tendência agora é ver um recuo no valor da arroba bovina. Com o fim da temporada de chuvas, os pecuaristas começam a ofertar mais animais prontos para o abate.

Os preços da arroba no mercado de São Paulo ficaram praticamente estáveis no mês de março, um pouco abaixo de 100 reais.

Mas Murchie ponderou que um eventual recuo no preço da arroba deve ser momentâneo, uma vez que há um equilíbrio entre a oferta e a demanda, e que a Marfrig trabalha com um cenário de menos volatilidade dos preços da arroba ao longo de 2013.

"Estamos otimistas. Não vai ser espetacular, mas acho que vai ter um balanceamento legal entre a oferta de animais com demanda tanto interna como externa", avaliou.

CONFINAMENTO

A JBS, maior processadora de carne bovina do mundo, também trabalha com um cenário favorável para este ano e prevê elevar o confinamento de animais para atender a demanda no período mais seco do ano, que afeta o potencial nutritivo dos pastos.

"O volume (de confinamento), como toda a pecuária no Brasil, é crescente no país... Acredito em um crescimento de 10 por cento sobre 2012", disse o presidente da divisão de Carnes Brasil da JBS, Renato Costa, sem detalhar o número de animais que a companhia prevê confinar neste ano.

Segundo ele, este incremento é motivado pela necessidade da indústria de melhorar a produtividade.

"Nosso foco é a prestação de serviço para fazer do confinamento uma ferramenta de terminação ao pecuarista", disse, referindo-se ao processo final de engorda do animal, que depois segue para o abate.

A JBS não faz confinamentos próprios mas faz parcerias com pecuaristas, através do sistema conhecido como "boitel". Ele explicou que o expertise adquirido da companhia nos EUA permite fornecer menor custo ao parceiro, mas com maior produtividade.

Do lado dos insumos (grãos), acrescentou o executivo, como a perspectiva é de baixa nos preços, a estimativa da companhia é de um recuo de 5 por cento no custo da JBS para confinar animais, com a arroba sendo produzida na faixa de 78 a 80 reais.

A Marfrig teve prejuízo líquido de 284,2 milhões de reais no último trimestre de 2012. Já a JBS teve lucro líquido de 66,4 milhões de reais no quarto trimestre.

MAIOR PARTICIPAÇÃO

Os dois executivos participaram de evento do Grupo Pão de Açúcar (GPS), maior rede varejista do país, que anunciou nesta quinta-feira a extensão de um programa de qualidade para 100 por cento da carne bovina negociada na rede.

A JBS e a Marfrig fazem parte de um grupo de oito fornecedores de carne para a rede que atende ao programa Qualidade Desde Origem (QDO). O projeto iniciado em setembro do ano passado deverá ser estendido a todos os pontos de venda do GPA até junho de 2013.

O programa inclui rastreamento do rebanho entre as fazendas fornecedoras, inspeção de qualidade, análises sanitárias e de resíduos entre outros pontos, em processo auditado, explicou o diretor de Perecíveis do Pão de Açúcar, Leonardo Miyao.

O executivo explicou que o programa não prevê um prêmio para as empresas que adotaram o sistema, mas poderá permitir aos frigoríficos com carne de melhor qualidade que aumentem sua fatia nas vendas do grupo.

Cerca de 80 por cento da produção nacional de carne bovina fica no Brasil, e o restante segue para os mercados internacionais.

(Reportagem Fabíola Gomes)