Brasil, Canadá e EUA buscam unificação de dados de genética animal

07/08/2014 15:28

Para garantir o intercâmbio de informações e aperfeiçoar pesquisas na área, países articulam a adoção de um banco de dados conjunto

Brasil, Canadá e Estados Unidos articulam a adoção de um sistema único de dados para conservação de recursos genéticos animais. A unificação, uniformização e o intercâmbio de informações entre os países busca o aperfeiçoamento de pesquisas e a preservação de dados de genética animal.

Batizado de 'Alelo Animal' no Brasil, o sistema 'Animal-Grin' foi concebido por meio de parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, oAgricultural Research Service do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (ARS/USDA) e oAgriculture and Agri-food (AAFC), do Canadá.

O sistema foi adaptado para a realidade brasileira, de forma a permitir que o Alelo Animal armazene dados dos animais vivos mantidos em núcleos de conservação. Ele  guardará, dentre outras informações, o catálogo dos bancos de sêmen, embriões e DNA dos três países além de dados genômicos associados aos animais.

Workshop em Brasília

Para operar o sistema no Brasil, estão sendo treinados 18 especialistas de nove Unidades de pesquisa da Embrapa no 'I Workshop Labex EUA Recursos Genéticos', de 5 a 7 de agosto na Secretaria de Inteligência e Macroestratégia (SIM), em Brasília (DF).

Participam do workshop principalmente curadores e gestores da atual Rede de Recursos Genéticos Animais da Embrapa que, ao final da semana, serão aptos a inserir dados de seus respectivos Núcleos de Conservação e Bancos de Germoplasma.

"O sistema possui vários níveis de acesso, e cada curador poderá trabalhar os dados da área que lhe compete", esclarece o pesquisador da Embrapa Samuel Paiva, que coordena o evento. Ele conta que no nível mais básico do repositório haverá acesso público a essas informações por meio de consultas na internet.

Paiva explica que, atualmente, essas informações são armazenadas localmente o que dificulta a padronização e o intercâmbio entre as coleções. Com a uniformização do sistema, os três países poderão trocar dados e organizar melhor suas bases de dados.

O pesquisador explica que, para elaborar os catálogos, cada indivíduo recebe um único código pelo qual serão identificadas as diferentes formas de armazenamento. Por exemplo, um animal mantido vivo em um núcleo de conservação da Embrapa poderá apresentar uma amostra de sêmen estocada em Brasília e o sistema relacionará esses tipos de material à espécie e informará a localização das informações em cada banco.

Ao lado do esforço pela adoção internacional do Alelo Animal, os técnicos da Embrapa deverão executar a migração de dados dos sistemas descentralizados para a nova base.

Informações genômicas em segurança

Outra inovação do Alelo Animal é o armazenamento de informações genômicas. Trata-se de dados sobre marcadores moleculares de interesse pecuário, como genes relacionados à conversão alimentar ou resistência a doenças de um determinado animal, por exemplo. Essas informações são guardadas por instituições de pesquisa, empresas privadas ou mesmo associações de produtores que as armazenam localmente.

"O Alelo Animal permitirá que esses dados sejam guardados com mais segurança em hardwares com backup remoto e acesso restrito ao público que o proprietário das informações permitir", detalha Paiva.

Harvey Blackburn, diretor do Centro Nacional de Preservação de Recursos Genéticos (NCGRP) do ARS/USDA em Fort Collins, no estado norte-americano do Colorado, que realizou a primeira apresentação do Workshop, elogiou a parceria com a Embrapa.

"Com mais de 70 mil doses de sêmen, cerca de 450 embriões e aproximadamente 12 mil amostras de DNA, a preservação de recursos genéticos da Embrapa é muito significativa o que gera um rico intercâmbio. O Brasil guarda inúmeras espécies que os Estados Unidos não têm e vice-versa", declarou o norte-americano. Para ele, é possível que o mundo compartilhe no futuro um sistema global de organização de recursos genéticos. 

A previsão, de acordo com Paiva, é que o acordo com os Estados Unidos seja assinado até o fim deste ano e depois as negociações seguirão com o Canadá para outra assinatura. "Também estamos dialogando com Argentina, Colômbia, México e Uruguai que se mostraram interessados em utilizar o mesmo software. Poderemos ter um sistema de informações genéticas para todo o continente americano", acredita o pesquisador da Embrapa.

Fonte:
Embrapa