Gato transgênico fosforescente ajuda na pesquisa da aids

26/02/2014 22:03

Cientistas desenvolvem método para inserir em óvulos genes que combatem a 'aids felina' - e provam a técnica com gene que faz o animal brilhar

Ainda sem cura, o vírus da imunodeficiência humana (HIV) atinge cerca de 34 milhões de pessoas no mundo

Ainda sem cura, o vírus da imunodeficiência humana (HIV) atinge cerca de 34 milhões de pessoas no mundo (Thinkstock)

Mayo Clinic

Os gatos também receberam um gene de água-viva que os fazem brilhar sob luz ultravioleta

Os gatos também receberam um gene de água-viva que os fazem brilhar sob luz ultravioleta

Cientistas do instituto médico americano Mayo Clinic desenvolveram uma terapia genética em gatos que poderá ajudar no combate à aids. Os especialistas conseguiram reproduzir felinos com um gene de macaco reso que é capaz de impedir a evolução do vírus da imunodeficiência felina(FIV, na sigla em inglês). A doença age em gatos da mesma forma do vírus do HIV em seres humanos. O estudo poderá ajudar cientistas a desenvolver abordagens semelhantes para impedir que humanos desenvolvam aids.

O gene TRIMCyp ataca e desabilita o escudo do vírus FIV assim que ele tenta invadir uma célula saudável. Os pesquisadores já viram que a técnica funciona em culturas de laboratório e agora querem testar os resultados em animais. Os médicos utilizaram uma técnica que insere genes em óvulos felinos - portanto antes da fertilização. É a primeira vez que cientistas conseguem concluir o procedimento com sucesso em carnívoros. Para confirmar o sucesso da técnica, um gene de água-viva também foi incluído no experimento, o que faz com que os felinos brilhem em tom esverdeado quando iluminados com luz ultravioleta. 

Por enquanto, os especialistas sabem que o método de inserir genes no genoma felino é eficiente: dos 12 gatinhos que nasceram 11 manifestaram o gene do macaco reso. Além disso, um dos gatos já acasalou com três gatas e os filhotes herdaram os genes.

 

Saiba mais

FIV
O vírus da imunodeficiência felina causa a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids, na sigla em inglês) em todas as 36 espécies de felinos, de gatos a leões. O vírus acaba com as células de defesa do organismo, de forma semelhante à ação do HIV em seres humanos. As proteínas que potencialmente defendem os animais contra a invasão de vírus em geral são ineficientes contra o FIV.