FAO: Consumo e comércio inter-regional de pescado pode contribuir na luta contra a fome

23/10/2013 20:32

A Rede de Aquicultura das Américas reuniu Ministros do setor para discutir estratégias para fortalecer a contribuição da aquicultura à segurança alimentar.

Santiago do Chile, 02 de setembro de 2013 – A aquicultura gradualmente está sendo reconhecida pelos governos da América Latina e Caribe como um forte instrumento para incrementar a produção de proteínas de boa qualidade a preços acessíveis aos grupos mais vulneráveis das sociedades, disse hoje a FAO.

Ministros da Pesca e Aquicultura de 10 países da região participaram da Primeira Reunião do Conselho de Ministros da Rede de Aquicultura das Américas (RAA) que analisou medidas para incrementar o consumo e a comercialização de pescado na América Latina e Caribe, como uma forma de fortalecer a segurança alimentar.

Segundo o Representante da FAO no Chile, Alejandro Flores, há um espaço importante para incrementar o comércio inter-regional de pescado na América Latina e Caribe já que, atualmente, 40% do pescado consumido vêm de outras regiões.

Alejandro Flores também destacou o Brasil e a Colômbia, como países que tiveram um aumento no consumo de pescado nos últimos anos. No Brasil, o consumo per capita de pescado aumentou de 4kg/ano para 9kg/ano, nos últimos oito anos, graças a políticas e campanhas para estimular seu consumo. Na Colômbia, o aumento per capita foi de 4kg/ano para 6.1kg/ano, nos últimos seis anos.

O Representante lembrou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o consumo per capita de 12kg de pescado/ano.  A média de consumo mundial per capita é de 18kg/ano, no entanto, a média da América Latina e Caribe é de 9kg/ano.

Estratégias para aumentar o consumo

A Ministra da Produção do Peru, Gladys Triveño, destacou que cada vez se obtém mais produtos da aquicultura e cada vez menos da extração direta. "Precisamos garantir através da aquicultura o consumo desses recursos como uma proteína importante para a população", explicou.

A Ministra apresentou a campanha "Comer Peixe" e disse que é "importante aproveitar as novas tendências da gastronomia como no caso do Peru, que tem impulsionado o desenvolvimento da aquicultura de peixes como o linguado e a garoupa".

O Subsecretário de Pesca e Aquicultura do Chile, Pablo Galilea, apresentou estratégias-chave para aumentar o consumo de pescados e mariscos no Chile, cujo país varia entre os 7,2kg e 9,6 kg per capita/ano.

Para o Ministro da Agricultura da Guiana, Leslie Ramsammy, a aquicultura tem uma relevante atuação na luta contra a fome e acrescentou que “a pesca, em especial a aquicultura, completa um importante papel em acelerar o desenvolvimento econômico”.

"Estamos conscientes de que o desenvolvimento da aquicultura é uma ferramenta essencial para o crescimento da região e que seu sucesso depende em grande parte de sermos capazes de realizar um trabalho coordenado entre todos nós”, disse o Ministro da Economia, Desenvolvimento e Turismo do Chile, Felix Vicente.

O ministro chileno também destacou que os aquicultores de pequena escala podem fazer uma contribuição fundamental, mas, para isso devem ser apoiados com ferramentas que lhes permitam a diversificação.

Um dos eixos principais da Rede de Aquicultura das Américas (RAA) é o apoio ao desenvolvimento sustentável dos agricultores com recursos limitados, que somam mais de 100 mil na América Latina e Caribe e cuja atividade contribui significativamente para a segurança alimentar e nutricional e o emprego rural.

Rede de Aquicultura das Américas

Atualmente, a Rede de Aquicultura das Américas, RAA, conta com 13 países membros e visa totalizar 20 países ao final de 2014.

Com o apoio do Governo do Brasil, por meio do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO, a RAA conta com um fundo para sua consolidação, através de um projeto que a FAO presta assistência.

 

Fonte: FAO