Enquanto bois morrem com a seca, búfalos seguem fortes

09/04/2013 19:18

 

Animais tem resistências a períodos difíceis e se mostram como opção viável de nova cadeira produtiva de leite

Jornal do Commercio

 / Foto: Michele Souza/JC Imagem

Foto: Michele Souza/JC Imagem

Antes de cruzar a porteira que separa a estrada do pasto, Heretiano Colaço apanha no chão um pouco de palha seca de cana-de-açúcar. Atira o que ninguém diria ser alimento para alguns dos seus 800 búfalos. Eles não se fazem de rogados. Comem tudo. Água Preta, Mata Sul do Estado, local onde Colaço cria seus animais, está a cerca de 200 quilômetros do Agreste agredido pela falta de água. Onde ossadas de bois e vacas fazem parte da paisagem. Como se desconhecessem estiagem, os búfalos seguem grandes e gordos em Pernambuco. Criadores defendem que os búfalos são opção viável de renovação da pecuária leiteira no Estado, combalida pela seca.


 

O sistema digestivo dos animais é muito eficiente, capaz de arrancar nutrientes de alimentos pobres. “Se colocar no Sertão, sob as mesmas condições, bovinos e bubalinos, só depois que o último boi morrer é que os búfalos começam a se entregar. É um animal inteligente, pois inteligência é adaptação”, resume Alberto Couto, criador, mestre em zootecnia e proprietário da Búfalo Bill e de 500 cabeças, em Alagoas. Em Pernambuco, a queda no rebanho bubalino entre 2012 e este ano foi pequena, em torno de 10% ou menos 1.160 cabeças. E não tem ligação com a seca. É fruto do abate de animais velhos ou venda dos mais novos para fora.

Não que a estiagem não tenha trazido problemas. Colaço relata que a cana usada como alimento saltou de preço, de R$ 30 a tonelada para R$ 60. O pasto secou e os açudes, riachos, filetes de rio e outras áreas alagadas ou sumiram ou ficaram estreitas. São nelas que, quando o sol castiga, os búfalos se espremem. “Eles precisam de água, lama ou sombra, pois suam pouco e a pele ressequida incomoda.” Ainda assim, das 5h às 13h, todos os dias, as suas búfalas são levadas para ordenha e o laticínio processa 12 mil quilos de queijo mensais.

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