Zootecnistas são destaques no Encontro de Adubação de Pastagens

16/04/2014 09:30

 Entrevistas 

 

 PALESTRANTE VALDO RODRIGUES HERLING

Valdo Rodrigues Herling é zootecnista e professor associado na área de forragicultura e pastagens na FZEA/USP.

Sua palestra será sobre “Exigências nutricionais de plantas forrageiras – conteúdo de nutrientes, extração e ciclagem”.

Para saber um pouco sobre a palestra, leia a entrevista que ele concedeu à organização do Encontro de Adubação de Pastagens.

Entrevista com Valdo Rodrigues Herling

Scot Consultoria: Quais os principais cuidados que o pecuarista precisa ter quanto às exigências nutricionais de suas pastagens?

Valdo Herling: Existem duas possibilidades de pastagens que o produtor pode ter em sua propriedade. Aquela que já está estabelecida há algum tempo e aquela a ser estabelecida em determinada área. Quando o produtor já possui uma área de pastagem estabelecida ou necessita estabelecer uma pastagem em outra área, ele precisa ter o cuidado de saber as necessidades nutricionais (NN) da espécie e/ou cultivar em questão. Para isso, ele deve fazer o seguinte cálculo: NN = [Necessidade da planta - (Nutrientes no solo + Reciclagem)] x fator de eficiência da fonte. Quanto às NN, existem publicações brasileiras que já trazem as variadas espécies e suas necessidades em nutrientes. Os nutrientes no solo são determinados mediante boa amostragem, não negligenciando etapas e características do solo e manejo, e análise química em laboratório de qualidade. Cumprida essa primeira etapa, mediante os resultados da análise de solo, o produtor deverá em conjunto com técnico de confiança avaliar esses resultados e com base em tabela de referência formular as correções necessárias para satisfazer as exigências da planta. Cada fonte de fertilizante, considerando os nutrientes exigidos, tem sua eficiência no solo e deve ser considerada. Outro fator que é muito importante quando o assunto é pasto com acesso livre dos animais, é a reciclagem de nutrientes, seja pelo material vegetal morto ou senescente que se acumula naturalmente ou pela ação do animal, e pelos dejetos dos animais, fezes e urina. Considere que a reciclagem via fezes e urina é sempre desuniforme.

Scot Consultoria: Quais as variedades de forrageiras nutricionalmente mais exigentes e quais as menos exigentes?

Valdo Herling: Os pesquisadores de institutos ou empresas de pesquisa, como os do Instituto de Zootecnia e Agronômico e EMBRAPA, assim como os das universidades brasileiras, têm realizado esforços no sentido de dividir as diferentes espécies e cultivares de plantas forrageiras em Grupos de Exigência em nutrientes. Para separá-las nesses grupos, com base em resultados de pesquisa, há uma avaliação dos resultados experimentais com base na concentração de nutrientes na matéria seca e a produção de massa de forragem das plantas forrageiras avaliadas.

Assim, há dados disponíveis em boletins, da divisão das plantas forrageiras, gramíneas e leguminosas, em grupos de exigência, a saber: Werner et al. (1997) fez a classificação para o estado de São Paulo, considerando gramíneas do Grupo I (maior), II (intermediária) e III (menor); leguminosas dos Grupos I (maior) e II (menor); capineiras; gramíneas para fenação; pasto consorciado dos Grupos I (maior) e II (menor) e leguminosa para uso intensivo.  Quando se trata de utilizar as plantas forrageiras para capineiras ou prados de fenação, considera-se que os nutrientes extraídos são exportados e, portanto, o produtor deve ter mais cuidado na devolução com calagem e adubação.

Após a análise de solo, há a possibilidade de se calcular o índice de saturação por bases. Esse índice reflete o quanto da capacidade de troca de cátions (CTC) do solo é ocupado pelas bases trocáveis (SB) como cálcio, magnésio e potássio. À medida que o solo tem suas cargas negativas ocupadas por bases trocáveis, significa que o V% se eleva. Isso é bom para as plantas forrageiras, principalmente aquelas mais exigentes. Assim, no método de Werner et al. (1997), ao se ter a separação de plantas forrageiras de maior e menor exigência, o que se considera é a V% maior ou menor.

No método preconizado pela EMBRAPA – Vilela et al. (1998), a divisão das plantas forrageiras quanto à exigência em fertilidade do solo tem o mesmo padrão, porém, é mais conservador quanto às necessidades em V%. Isso ocorre devido ao método de cálculo desse índice e também por considerar que existem graus de adaptação de gramíneas e leguminosas aos solos de baixa fertilidade.

Outras recomendações são publicadas em boletins como: Alvarez e Ribeiro (1999) para a região Centro-Oeste e Comissão de Fertilidade do Solo – RS/SC (2000) para a região sul do país. Durante a apresentação teremos condições de expor e discutir as tabelas preconizadas.

Scot Consultoria: Qual o melhor manejo que o pecuarista deve adotar para evitar a imobilização dos nutrientes no solo?

Valdo Herling: Antes de tratarmos a imobilização é preciso refletir sobre os nossos solos. A maioria é caracterizada como de níveis baixos de pH (acidez) e de nutrientes. Se o produtor quiser melhorar a produção de suas culturas ele deverá investir em correções e adubações, senão os níveis de produção serão baixos. Para pastagens, após a calagem, os níveis de fósforo deverão ser corrigidos. Para este elemento, tem-se um problema grave, que é a facilidade como ele é fixado pelos solos brasileiros. A calagem é de suma importância para que esse processo seja baixo. Outro elemento que pode ser imobilizado no solo é o nitrogênio. Normalmente, a imobilização se dá na forma orgânica e, para torná-lo disponível às plantas cultivadas, a simples correção do solo pela calagem contribui bastante. O enxofre tem o mesmo comportamento do nitrogênio. A imobilização do nitrogênio também se dá pelos microorganismos presente no solo. Para sua reprodução e mineralização da matéria orgânica do solo, os microorganismos utilizam o nitrogênio disponível. Esse comportamento de mineralização, antagônico ao de imobilização, dependerá também da composição em carbono, nitrogênio, enxofre e fósforo. Relações C/N (acima de 30:1), C/P (acima de 300/1) e C/S (acima de 400/1), consideradas altas, levam a maior imobilização dos nutrientes, tornando-os menos disponíveis às plantas cultivadas. Em situação que a relação é menor que 20/1 (C/N) e menor que 200/1 (C/P e C/S), a imobilização dos nutrientes é menor que a mineralização. Um exemplo prático que normalmente ocorre em condições de pastagem: um produtor resolve utilizar uma fonte de nitrogênio em cobertura numa área de pastagem no início da estação de crescimento. No entanto, após toda a estação anterior (outono e inverno), houve acúmulo de matéria seca (macega) de baixo valor nutritivo, tanto em pé como depositado ao solo. Como esse material, normalmente, tem relação C/N, C/P e C/S alta, os microorganismos presentes e decompositores utilizarão parte do nitrogênio aplicado para o processo, diminuindo a disponibilidade desse nutriente para a rebrotação e crescimento.

Scot Consultoria: Como promover uma ciclagem eficiente de nutrientes em sistemas de produção a pasto?

Valdo Herling: Quando se menciona a ciclagem de nutrientes no ambiente produtivo, principalmente em áreas de animais em pastejo, deve-se ter o retrato do método de pastejo utilizado. No método denominado contínuo, os animais têm acesso a uma área de pasto pré-estabelecida e permanece por um ano ou mais em pastejo. Nesse caso, a reciclagem de nutrientes pelas fezes e urina é muito desuniforme, concentrando principalmente nas áreas de aglomeração dos animais, área de sombra, cocho e bebedouro. Para melhorar a distribuição, haveria necessidade de alterar a disposição, se possível, desses condicionadores de pastejo. Se o produtor faz opção pelo método rotativo, quando se tem a área de pasto com três ou mais divisões, a reciclagem de nutrientes pelas fezes e urina já se torna mais uniforme, comparada ao método contínuo. Há de se computar também a reciclagem da planta forrageira, quando esta morre ou quando os próprios animais depositam parte dela por acamamento ou perdas durante o pastejo. Nas áreas de pasto que estão submetidas ao subpastejo (poucos animais e alta disponibilidade de forragem) é muito comum acontecer essa deposição. Os nutrientes nesse caso somente estarão disponíveis no sistema pela decomposição desse material. O importante é sempre considerar a disposição da área de lazer (cocho, sombra e bebedouro) em relação ao método utilizado.

PALESTRANTE ADILSON AGUIAR

Adilson de Paula Almeida Aguiar, zootecnista pela FAZU, especialista em Didática do Ensino Superior (UFV, Viçosa) e em Solos e Meio Ambiente (UFLA, Lavras).

Sua palestra será sobre as “Recomendações de correção e adubação da pastagem com base em modelo de balanço de massa – uma visão sistêmica”.

Para saber um pouco sobre a palestra, leia a entrevista que ele concedeu à organização do Encontro de Adubação de Pastagens.

Entrevista com Adilson de Paula Almeida Aguiar

Scot Consultoria: Como funciona a recomendação de correção e adubação de pastagem por meio de modelos de balanço de massa?

Adilson Aguiar: O balanço de massa é um modelo matemático que possibilita a inclusão de todos os compartimentos de um ecossistema de pastagem, que são a atmosfera, o solo, a planta forrageira, o animal e os insumos utilizados (suplementos, corretivos e fertilizantes). Estes compartimentos contribuem com entradas e com saídas de nutrientes que ciclam no sistema da pastagem. Este software possibilita a inclusão do índice pluviométrico e da análise de solo da propriedade em questão, as metas de produtividade em unidades animais/ha ou em litros de leite ou quilos de carne/ha; a composição química da forragem e dos suplementos utilizados, a quantidade de suplementos que entram no sistema, as eficiências de conversão dos insumos, entre outros. O modelo calcula as doses de calcário, de N, P, K, S e micronutrientes para as metas estabelecidas. As doses de corretivos e fertilizantes calculadas pelo balanço são sustentáveis em suas dimensões técnica, econômica e ambiental.

Scot Consultoria: O que o senhor recomenda para que o pecuarista efetue uma correta adubação de pastagem com o menor custo possível e melhor eficiência?

Adilson Aguiar: Eu vou responder de uma maneira diferente, relacionando os principais erros cometidos pelos produtores, pois já foi citado que “os adultos aprendem mais com os seus erros…”.

- não ter análise de solo para fazer as recomendações de correção e adubação do solo;

- amostragem de solo de forma incorreta (épocas e profundidades de amostragem incorretas, número de amostras simples insuficiente para compor a amostra composta que é enviada para o laboratório);

- análise de solo incompleta, faltando textura, micronutrientes, entre outros;

- aplicação de corretivos e fertilizantes em excesso (é menos frequente) ou em subdosagem (bem frequente);

- a correção e adubação de pastagens já em estágios avançados de degradação;

- não saber manejar o pastejo de forma que a colheita da forragem produzida seja eficiente;

- não ajustar as taxas de lotação à capacidade de suporte da pastagem, o que resulta em condições de superpastejo (taxa de lotação acima da capacidade de suporte) ou de subpastejo (taxa de lotação abaixo da capacidade de suporte).

- colocar animais de baixo potencial genético para pastejar em pastagens adubadas.

Todos estes erros levam a frustrações e desânimo em relação à adoção da tecnologia de manejo de fertilidade de solos de pastagens.

Para todos estes erros só existe uma solução preventiva: a contratação de consultoria especializada no manejo de fertilidade de solos de pastagens para orientar o pecuarista.

Scot Consultoria: Em geral os pecuaristas se queixam dos custos elevados para recuperar ou adubar as pastagens. Quais seriam as alternativas para o pecuarista melhorar seus pastos?

Adilson Aguiar: Primeiro é importante relacionar as razões da baixa adoção de uso de corretivos e adubos em pastagens no Brasil.

São muitas e é complexo, pois envolve, desde questões culturais (cultura extrativista), falta de conhecimento das respostas potenciais da pastagem e dos animais à correção e adubação do solo da pastagem e suas relações benefício: custo; baixa adoção de assessoria técnica por parte dos pecuaristas; dificuldades em manejar pastagens com elevado nível de fertilidade do solo, representados pelo manejo do pastejo (frequência, intensidade, duração do pastejo, entre outros), pela programação das adubações no tempo e horas adequadas para a melhor resposta desse insumo e, principalmente, pela falta do planejamento para equilibrar a produção de forragem com a demanda do rebanho; falta de projeto com visão estratégica (de longo prazo), burocracia para contratação de financiamento por causa do excesso de exigências, falta de garantias para contrair financiamentos; termos de trocas desfavoráveis entre os valores dos fertilizantes e do produto animal (arroba, leite); impossibilidade de o produtor utilizar capital próprio para investir no segmento produtivo, em virtude de a atividade pecuária operar com margens estreitas ou até mesmo negativas porque o nível de exploração é extensivo na maioria das propriedades.

Deve-se considerar também que o aumento na taxa de lotação resultante do uso de fertilizantes implica em custos adicionais com compra de mais animais, suplementos, vacinas, etc. Em determinadas situações são necessários investimentos em infraestrutura para permitir o manejo eficiente da pastagem.

Devido ao maior tempo de retorno do capital investido, é comum observar fluxos de caixa pouco positivos ou até mesmo negativos nos primeiros anos depois da implantação do projeto.

É preciso também levar em consideração que a idade média dos pecuaristas brasileiros está avançada, e, em sua maioria, eles não têm sucessores interessados em continuar a atividade, o que limita a adoção de sistemas mais intensivos, e , portanto, mais complexos.

É preciso também diferenciar os verdadeiros pecuaristas daqueles “pecuaristas” que entram na atividade buscando reserva e ganho de capital, sonegar impostos ou lavar dinheiro.

Segundo, vou relacionar os procedimentos que o pecuarista pode adotar e já alcançar ganhos de produtividade significativos antes de iniciar a correção e a adubação de suas pastagens. Estes procedimentos eu classifico como “tecnologias de processos (técnicas) e baixo insumo”.

Tecnologias de processos e baixo insumo, nesta ordem:

1º. Escolha de espécies forrageiras adaptadas às condições de clima, solo, pragas, doenças, entre outros, da região;

2º. Plantio correto da pastagem, desde a etapa da escolha da área que será plantada até o primeiro uso da pastagem;

3º. Implantação correta da infraestrutura do sistema de pastejo (piquetes, áreas de lazer, sombreamento, fontes de água, cochos para suplementos, corredores de acesso, etc);

4º. Manejo correto do pastejo com adoção de métodos de pastoreio adequados para o sistema em questão (lotação continua ou alternada ou rotacionada) e manejo pelas alturas alvos de cada espécie/cultivar forrageiro;

5º. Controle de plantas invasoras e de pragas (principalmente das cigarrinhas-da-pastagem e dos canaviais) da pastagem;

6º. Seleção na cria ou na compra de animais com potencial para desempenho compatível com os sistemas de pastagens;

7º. Suplementar o rebanho de acordo com as características do sistema, com suplementos minerais e/ou múltiplos (consumo de até 5,0 gramas de suplemento por quilo de peso corporal do animal);

8º. Adoção de calendário sanitário adequado para o rebanho e a região em questão.

Eu considero que estes itens são “básicos” e qualquer produtor pode e deve adotá-los em suas fazendas.

Depois de superado esta etapa de adoção do pacote de “tecnologias de processos e baixo insumo” é possível à adoção do pacote de “tecnologias de alto insumo”, tais como:

1º. Correção e adubação do solo da pastagem;

2º. Suplementação concentrada do rebanho (consumo acima de 5,0 gramas de suplemento por quilo de peso corporal do animal);

3º. Irrigação da pastagem.
 

ENCONTRO DE ADUBAÇÃO DE PASTAGENS DA SCOT CONSULTORIA – TEC-FÉRTIL ENTREVISTA O PALESTRANTE RICARDO ANDRADE REIS

Ricardo Andrade Reis, zootecnista e professor da Unesp Jaboticabal.

Sua palestra abordará “Eficiência do uso do pasto na engorda de bovinos”.

Para saber um pouco sobre a palestra, leia a entrevista que ele concedeu à organização do Encontro de Adubação de Pastagens.

Entrevista com Ricardo Andrade Reis

Scot Consultoria: Quais as técnicas de manejo que mais contribuem para a eficiência da adubação de pastagens?

Ricardo Reis: A análise do solo é fundamental para diagnosticar qual fertilizante e qual dose devem ser aplicadas, sendo que, a análise foliar da planta forrageira também pode auxiliar na determinação dos nutrientes limitantes. O momento correto e o modo de aplicação também são fundamentais para eficiência do produto aplicado. Podemos citar como exemplo a ureia, fonte de nitrogênio que deve ser aplicada antes das chuvas para evitar perdas por volatilização, e com o número de aplicações parcelado no maior número de vezes possível. O manejo do pastejo, ou seja, a forma de conduzir a colheita de forragem pelos bovinos em uma determinada área de pastagens é fundamental no sucesso da aplicação de fertilizantes, pois a massa de forragem no momento da aplicação, bem como as características do dossel, será impactante na eficiência de utilização dos nutrientes aplicados, e, consequentemente, na resposta da planta quanto ao acúmulo de massa de forragem. De modo geral, pastos com elevada massa de resíduo pós pastejo podem utilizar o nitrogênio aplicado para decomposição da massa de forragem senescente, onde a resposta no acúmulo de novos tecidos será comprometida.

Scot Consultoria: Quais as vantagens e desvantagens dos sistemas com lotação contínua e com lotação intermitente?

Ricardo Reis: Sistemas de lotação contínua apresentam reduzidos custos com implantação de cercas quando comparados com outros sistemas, e consequentemente menores custos com depreciação de instalações. Quando este sistema é utilizado com ajuste de taxa de lotação (lotação variável) em função da disponibilidade de forragem, é possível atingir elevados índices de eficiência de pastejo, com manejo relativamente simples. As principais desvantagens são observadas com a dificuldade de estabelecer pastejo uniforme, onde algumas regiões são super pastejadas, outras sub pastejadas. Em sistemas com alta frequência de desfolhação, existe alto índice de morte de perfilhos por pastejo, e aumento no tempo de recuperação, ocasionando redução na massa e valor nutritivo da forragem. No sistema de lotação intermitente (rotacionado) tem-se o maior controle da intensidade de pastejo e das condições de rebrota, aumentando a eficiência de utilização da forragem disponível.

Scot Consultoria: Quais os principais impactos ambientais causados pela intensificação do pastejo?

Ricardo Reis: Do ponto de vista da emissão de gases de efeito estufa, notadamente a do metano pelos bovinos, ao intensificar um sistema, e proporcionar desempenho mais elevado com o uso de dietas balanceadas, podemos reduzir as perdas pela fermentação entérica, com aumento da digestibilidade dos alimentos fornecidos. Este fator resulta diretamente na redução da emissão do gás metano (CH4). Mesmo que o aumento na taxa de lotação de uma pastagem possa aumentar a produção de metano por hectare, a relação de metano por quilograma de produto será favorável em sistemas mais intensificados, pelo aumento na eficiência de uso dos alimentos disponíveis, convertidos em quilogramas de carcaça. A mesma lógica deve ser utilizada para a produção de forragem, em relação ao uso do dióxido de carbono (CO2) atmosférico, onde, para aumento nas taxas de acúmulo da forragem, as plantas aumentam o sequestro do CO2 atmosférico para síntese de novos tecidos vegetais. Em relação à excreção de N2O, tem-se a possibilidade de diminuir a excreção ao utilizar dietas mais equilibradas em termos de proteína e energia, elevando assim a síntese de proteína microbiana, e consequentemente o desempenho animal. Não podemos esquecer que a produção pecuária em pastagens, nada mais é do que a transformação, e síntese de proteína de origem animal pelos bovinos após a ingestão de vegetais, que foram originários de compostos atmosféricos como a água, carbono, nitrogênio e oxigênio.

Scot Consultoria: Quais são os nutrientes mais limitantes para o aumento da produtividade nas pastagens? Essa limitação varia para pastejo intensivo e extensivo?

Ricardo Reis: Na maioria das propriedades brasileiras onde ocorre baixo acúmulo de forragem, podemos atribuir este fato às deficiências no manejo do pastejo, associada ao desbalanço químico no solo, o que compromete a assimilação de nutrientes pela forragem, além da escassez de alguns nutrientes específicos. Podemos citar entre os nutrientes mais limitantes o nitrogênio, fósforo e potássio. Os índices produtivos e taxas de acúmulo da forragem são importantes do ponto de vista da reposição de nutrientes, onde quanto maior for a extração de nutrientes (sistemas mais intensificados), maior deverá ser a quantidade de nutrientes repostos no sistema.