Empresas crescem com "creches" e outros serviços para pets

10/08/2012 20:07

A Dogwalker, de São Paulo, nasceu em 2001 e especializou-se em passeio e creche para cães. Foto: Alexandre Mazzini/Divulgação

Com uma população de quase 50 milhões de animais de estimação no País, entre os quais pouco mais de 29 milhões são cães, os pet shops já fazem parte do cenário das cidades brasileira há um bom tempo. Mas, à medida que cresce o interesse da população pelos pets, também crescem os negócios relacionados a eles. Não apenas com produtos, mas também com serviços especializados. 

Segundo uma pesquisa da consultoria GSMD - Gouvêa de Souza, o setor faturou R$ 11,26 bilhões em 2011. Em 2010, este número foi de R$ 10,14 bilhões. Cerca de 65% do faturamento do segmento vem da venda de rações. Os serviços já representam 20% do mercado. 

A Dogwalker, empresa de passeio e creche para cães, nasceu em 2001 em São Paulo. A ideia do negócio começou de maneira informal. "Tinha uma rotina flexível de trabalho e podia ir com o meu cachorro ao parque com frequência. Acabei me casando com uma mulher que também gostava de animais. Logo percebemos que poderíamos fazer dos passeios com os cães algo lucrativo", conta o proprietário Paulo Carreiro. 

Hoje, além do passeio, a empresa também oferece o serviço de creche para cães. O serviço começou a ser comercializado em 2004. Na época, a Dogwalker atendia entre 10 e 15 cães por dia no regime de creche. Atualmente, são 80. "O salto aconteceu porque as pessoas passaram a ter mais consciência de que precisam cuidar da saúde física e mental de seus cachorros. Aqui, eles ficam ao ar livre, se exercitam e são monitorados", diz Paulo. 

Os animais podem ficar nas dependências da empresa das 7h às 20h. Para tanto, os donos pagam mensalidades entre R$ 420 (duas vezes por semana) e R$ 610 (cinco dias por semana). 

Em 2011, a empresa aumentou seu faturamento em 30% quando comparado ao ano anterior. Para este ano, a meta é dobrar de tamanho. Isso porque até dezembro mais duas unidades da Dogwalker deverão ser abertas. 

"Junto com o crescimento natural do mercado, vem também o aumento da concorrência. Se sai melhor quem presta um serviço com mais qualidade e aposta em um diferencial", afirma o proprietário. Para isso, a empresa instalou câmeras na creche, permitindo que o dono possa monitorar seu cão. E também oferece um curso de um mês para interessados em se tornar passeadores. 

Aulas e consultas comportamentais
Com seis anos de mercado, a Cão Cidadão, de São Paulo, é uma franquia especializada em aulas de adestramento e consultas comportamentais para pets. O modelo adotado é o que a rede chama de "franqueado móvel". Daniel Svevo, sócio-diretor, explica que há apenas uma unidade da empresa e que cada adestrador/consultor é um franqueado. Ao todo, são 35. O interessado desembolsa R$ 5 mil para começar a trabalhar e por mês, estima o executivo, é possível ganhar R$ 7 mil. 

"Escolhemos aquelas pessoas que têm afinidade com animais, mas não necessariamente contratamos alguém com uma formação específica. O franqueado precisa fazer o seu trabalho e também prospectar novos clientes", esclarece Daniel. Apesar de trabalhar com animais domésticos em geral, 99% dos atendidos pela Cão Cidadão são cachorros. 

O executivo também cita a ida dos cães para dentro de casa como o principal motivador da ascensão do mercado para pets. "Pela proximidade hoje existente, a família percebe muito mais os problemas que os cachorros podem desenvolver, desde dificuldade para obedecer até ansiedade de separação", explica. 

Por mês, a empresa atende cerca de 800 clientes. O ciclo de adestramento básico demora de 4 a 5 meses, mas não é raro ver donos que utilizam o serviço por um tempo maior como forma de entretenimento para o cão. Já as consultas comportamentais - que visam diagnosticar o problema do animal e dar subsídios para que o próprio dono consiga reverter a situação - podem acontecer quando houver necessidade.

Fonte- Terra