Empresas agrícolas impedem deficit maior da balança comercial

23/05/2013 11:26

O comportamento das 40 principais empresas exportadoras do país explica o deficit comercial deste ano.

De janeiro a abril, elas exportaram o correspondente a US$ 36,9 bilhões e importaram US$ 31,3 bilhões. O superavit, de US$ 5,6 bilhões, é 45% menor que o de 2012.

O desequilíbrio veio da Petrobras, que exportou US$ 4,1 bilhões, mas gastou US$ 14,1 bilhões com as importações.
Incluindo as demais empresas do setor classificadas entre as 40 maiores, como Raízen Combustíveis e Sinochem Petróleo, a exportação de petróleo e derivados atinge US$ 5,3 bilhões.

O setor que mais exporta é o de mineração, que atingiu US$ 11,52 bilhões no primeiro quadrimestre do ano, mas a desaceleração mundial, principalmente a da China, fez esse valor ficar igual ao do mesmo período do ano passado. A Vale lidera, com vendas de US$ 7,7 bilhões e alta de 4% ante 2012.

O setor de grãos sustenta a balança. As sete empresas classificadas entre as 40 maiores exportadoras do país exportaram US$ 7,43 bilhões até abril, valor 24% acima do de 2012.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, que aponta quatro empresas com receitas superiores a US$ 1 bilhão. A liderança é da Bunge, que atingiu US$ 1,99 bilhão.

Dois outros setores impediram queda maior do saldo comercial: sucroenergético e cítricos. A preferência pelo produto brasileiro no mercado externo fez as exportações de açúcar e de álcool das duas empresas classificadas entre as 40 subirem para US$ 1,46 bilhão, 103% mais do que no ano mesmo período de 2012.

Seguindo o mesmo critério, as duas do setor cítrico obtiveram US$ 944 milhões, 75% mais.

As exportadoras de carnes, lideradas pela BRF S.A, atingiram receitas de US$ 3,68 bilhões nos quatro primeiros meses deste ano, 47% mais.

  Mark Hirsch - 9.mai.07/AFP  
Agricultor planta milho em fazenda nos EUA
Agricultor planta milho em fazenda nos EUA

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China volta ao mercado e esquenta preços do milho

A China, que sempre esquentou os preços da soja, começa a interferir de forma consistente nos do milho. Mesmo com o avanço do plantio nos EUA, o que deveria segurar os preços, o cereal teve forte alta ontem.

O bushel (25,9 quilos) foi a US$ 6,59 no primeiro contrato do mercado futuro da Bolsa de Chicago, com alta de 2,9% ontem.
A alta se deve à informação do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) de que a China comprou mais 360 mil toneladas do cereal norte-americano.

A previsão é que a China importe 7 milhões de toneladas nesta safra, uma boa notícia para os produtores brasileiros, que terão safra recorde neste ano.

As exportações brasileiras de milho vêm perdendo ritmo nos últimos meses. Mesmo assim, já somam 7,9 milhões de toneladas até abril.

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Pneus A forte aceleração nas vendas de máquinas agrícolas, devido à safra recorde, provocou um crescimento de 6% nas vendas de pneus para tratores nos quatro primeiros meses deste ano, em relação a igual período de 2012. A produção global da indústria de pneus foi de 4%.

Carga Alberto Mayer, presidente da Anip (associação da indústria), diz que o desempenho agrícola influenciou também a produção de pneus para veículos de carga e para camionetas, que cresceu 8,2% e 10,3%, respectivamente, no período.

Demanda A Conab vendeu todas as 28 mil toneladas de milho colocadas em leilão ontem. O cereal vai para Paraíba e Rio Grande do Norte.

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Suíno
Preço tem nova alta nos frigoríficos paulistas

O preço do suíno voltou a subir nos frigoríficos do interior de São Paulo ontem. Segundo pesquisa da Folha, na média, o valor da arroba do animal foi cotada a R$ 55,6, com alta de 2,6% no dia.

Em sete dias, o aumento chega a R$ 8,2%. Redução na oferta de animais explica a alta nos preços da carne.

vaivém

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma mais de 35 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária.