Empresários investirão R$ 15 milhões na cadeia produtiva do jacaré em AL

13/03/2013 18:42

Expansão vai ampliar rede da maior exportadora de jacarés da América Latina. Empreendimento será implantando em área de São Miguel dos Campos.

Criatório em Alagoas quem expandir negócios (Foto: Jonathan Lins/G1)Jacarés alagoanos criados em cativeiros são
exportados para todo o mundo.
(Foto: Jonathan Lins/G1

Um investimento na ordem de R$ 15 milhões e o surgimento de uma nova cadeia produtiva para o estado de Alagoas. Depois de ser certificada como a empresa que possui o maior criatório e abatedouro de jacarés da América Latina, sendo a única autorizada a exportar carne e pele do réptil para os cinco continentes, Mr. Cayman pretende expandir os negócios com a implantação, no município de São Miguel dos Campos, interior de Alagoas, de um megacomplexo que modificará o cenário econômico da região Sul do estado.

Segundo a proprietária da Mr. Cayman, Cristina Ruffo, a mesma que ganhou em 2012 o Prêmio Mulher de Negócio do Sebrae, pelo potencial do empreendimento que construiu ao longo de duas décadas, o Complexo Mr. Cayman, que está sendo construído no município que fica a 60 km da capital alagoana, ocupará uma área de 40 hectares. A previsão é de que o negócio, que tem foco no mercado nacional e internacional e condutas ambientais criteriosas, gere cerca de 200 postos de trabalho diretos durante o pleno funcionamento.

Jacarés do criatório em Fernão Velho, em Alagoas (Foto: Jonathan Lins/G1)

Jacaré no criatório que fica no bairro de Fernão Velho, em Maceió. (Foto: Jonathan Lins/G1)
 

“O que estamos construindo é um empreendimento inédito e sólido onde haverá de um hotel fazenda de luxo, para turistas que buscam serviço 5 estrelas, a um complexo empresarial com criatórios individualizados de jacaré que terão o suporte do abatedouro certificado e da indústria de beneficiamento da pele e carne do animal. O espaço também contará com um restaurante especializado em pratos que tem o jacaré como base, uma fábrica de calçados, bolsas e acessórios, e uma escola técnica profissionalizante”, conta Cristina.

Franquias
O empreendimento, que receberá investimentos de brasileiros e estrangeiros, conta com uma espécie de franquia, onde o interessado pode pagar R$ 1,1 milhão pelo arrendamento do modelo de negócio, que compreende o espaço para criação e abate de matrizes do animal, consultorias quanto à destinação do produto final – carne e pele – dos jacarés e o auxílio de profissionais que ficarão responsáveis pelo manejo do lote da fazenda de jacarés.

 

“Este é um bom negócio porque não há erro. O mercado já está garantido dentro do próprio sistema do complexo. Que vai do manejo dos animais à logística para vendas dos produtos no mercado nacional e internacional”, completa Cristina Ruffo, ao estimar que o valor aplicado volta para o investidor em um prazo de até 5 anos.

Até que parte do complexo empresarial seja consolidado, a Mr. Cayman mantém as atividades no atual criatório e abatedouro, que fica no bairro de Fernão Velho, em 
Maceió. É deste local que sai a matéria-prima dos produtos de jacaré.

Alguns produtos, a exemplo da carne, são beneficiados no frigórifico que fica no local. Já as peles, por necessitarem de uma tecnologia específica para tratamento, são processadas, por enquanto, na cidade de Estância Velha, no Rio Grande do Sul. Além da marca Mr. Cayman, a empresa possui a Mr Crkocco, que atua na venda da carne para restaurantes, e a DuMotier, que é a grife de bolsas e assessórios.

Empresária Cristina Ruffo mostra pele do jacaré com pigmentação (Foto: Jonathan Lins/G1)
Empresária Cristina Ruffo mostra pele do jacaré com
pigmentação (Foto: Jonathan Lins/G1)

Mercado de luxo
Certificado pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), acordo que atende a critérios ambientais para venda, circulação e exportação de produtos e derivados animal e vegetal, a Mr. Cayman fornece derivados de jacaré para diversas empresas de luxo do mundo.

Na cartela de clientes estão, segundo Cristina Ruffo, desde os fabricantes de estofados para as marcas de veículos Ferrari e das motocicletas Harley-Davidson, como também boutiques que trabalham com moda de alto padrão em países da Europa, Ásia e dos Emirados Árabes.

“Há até iates de sheik árabes que possuem itens do couro do jacaré criado em Alagoas. Isso ocorre porque os produtos possuem certificados de origem e qualidade com padrão internacional”, expõe Cristina.

Agregando valor ao produto
O quilo do filé do jacaré no mercado nacioal custa, em média, R$ 100. Uma pele, em estado bruto, cerca de R$ 3 mil. Já os sapatos, bolsas, cintos e demais itens que seguem os padrões da alta costura de designers e estilistas internacionais, valores acima de R$ 5 mil. A Mr. Cayman exporta, mensalmente, cerca de cinco mil unidades de produtos fabricados em Alagoas.

Artigos de pele de jacaré são produzidos em Alagoas (Foto: Jonathan Lins/G1)
Artigos de pele de jacaré são produzidos em Alagoas (Foto: Jonathan Lins/G1)
 
Fonte G1

Com o recente lançamento da marca DuMotier, a Mr. Cayman colocou no mercado sua primeira coleção de bolsas e sapatos confeccionados com a pele do jacaré pigmentada, procedimento tecnológico que agrega mais valor aos produtos.

“A DuMotier une tecnologia de fabricação europeia e a paixão nacional pela moda e alta costura. Nossos itens são peças que querem fazer parte da história de seus donos e a parte de design e engenharia de marketing vem da Europa. O alto padrão das peças é o que chama a atenção e atrai clientes do mercado nacional e internacional”, destacou.