Adaptação e reprodução emperram faturamento

01/10/2013 21:32

Os animais da raça Belgian Blue conseguem se adaptar a algumas regiões do Brasil, principalmente na região Sul, onde existem alguns criadores que possuem rebanhos com animais puros.  Entretanto, o presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Ricardo Yano, afirma que o Belgian Blue não recebe muita atenção dos pecuaristas em Goiás. Entre os principais motivos estão as “dificuldades de adaptação ao clima do Cerrado, que é relativamente muito diferente do clima europeu, onde a raça surgiu”, destacou Yano. 

Além disso, Ricardo Yano lembra outro fator inviável para a criação do animal puro em Goiás e se refere à própria reprodução do animal em sua forma pura, ou seja, cruzamento entre animais da mesma raça. “Tenho conhecimento de que as fêmeas têm dificuldades na hora do parto. Por serem animais sensíveis, podem trazer prejuízos aos produtores”, diz o presidente da SGPA.

A abordagem de Ricardo Yano é confirmada pelo especialista em melhoramento genético. “Deve-se alertar que quando criados animais puros ocorre grande incidência de problemas de parto, pois os bezerros acabam se desenvolvendo e alcançando um tamanho maior ainda no ventre das matrizes”, explica Glaeser. Em 91% dos casos, o parto das crias de Belgian Blue precisa de cesariana.

CUSTO BENEFÍCIO

Para o presidente da SGPA, o custo benefício apresentado por outras raças puras que já se destacam no cenário brasileiro e goiano também inviabiliza a criação do Belgian Blue. “Raças zebuínas, como o nelore, tabapuã, entre outros, se adaptam muito bem ao território goiano, pela rusticidade. Por isso, essas raças se instalaram em Goiás”, diz Yano. 

Ricardo Yano leva em consideração os gastos com adaptação ao clima e às pastagens, alimentação diferenciada, doenças causadas por fatores diversos, etc. “Não tem segredo: hoje em dia, os produtores precisam pensar em faturamento. Mesmo que queiram criar uma raça por paixão, a realidade pode ser de prejuízos. Todo mundo quer ganhar dinheiro. No final, é preciso gerar rentabilidade com baixo custo e altos ganhos”. 

Fonte Diário da Manhã