Embrapa estuda melhoramento genético da braquiária

17/03/2015 21:17
 

Foto: Divulgação

 

Grande parte da criação de gado no país, seja de corte ou leiteiro, utiliza a pastagem como principal fonte de alimentos, porém sua escassez e a presença em áreas de solos ácidos estão entre os problemas que têm incomodado os pecuaristas nos últimos anos. O que exige investimentos em fertilizantes e corretivos, bem como no manejo adequado em espécies de forrageiras adaptadas a tais condições, como é o caso das espécies do gênero braquiária, que apresentam boa tolerância às condições de alto teor de alumínio e de baixos teores de fósforo e cálcio, tanto que estão sendo objeto de estudos de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A pesquisadora Cacilda Borges Do Valle, da Embrapa Gado de Corte, aponta vantagens da braquiária em relação às demais forrageiras como fonte de alimento para o gado, tanto de corte como leiteiro. “As braquiárias se mostraram muito bem adaptadas aos solos e clima do Brasil e também aos sistemas de produção de carne e leite. Pecuaristas se referem a era antes e após as braquiárias, enfatizando o impacto dessas gramíneas sobre a produção animal no Brasil. Por serem rústicas, requerem menos adubações de manutenção do que outros capins como os coloniões e tifton, mas por isso e por mal manejo, há muitas áreas degradadas de pastagens de braquiárias. Como fonte de alimento provaram ser de boa qualidade nutricional sustentando a produção animal especialmente nos Cerrados de solos ácidos e pobres do Brasil”.

A pesquisadora diz ainda que a Embrapa está em franca colaboração com a nova unidade da Embrapa em Sinop para teste de duas novas braquiárias e coloniões e há previsão de expansão dessa colaboração nos próximos anos. “Temos também trabalhos com a Universidade Federal de Mato Grosso em relação à morte do braquiarão em Mato Grosso”.

Os programas de desenvolvimento de novas forrageiras desenvolvidos pela Embrapa tem como objetivo oferecer alternativas de forrageiras para pastagens e outros usos como bioenergia, controle de nematoides, produção de feno, entre outros. De acordo com a pesquisadora, como a produção animal é dinâmica, há necessidade de atender diferentes demandas do setor, especialmente quando ocorre uma praga, doença, ou outra limitação. Ela explica que o processo de desenvolvimento de uma nova cultivar demora de 8 a 10 anos desde os trabalhos básicos até as avaliações com animais e produção de sementes para comercialização. Isso porque há que se cumprir exigências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de comprovado valor de cultivo e uso das braquiárias, coloniões e capim elefante para se comercializar uma nova variedade. “O melhoramento genético é uma fonte inesgotável de nova variabilidade que só encontraríamos se voltássemos ao continente africano para buscar novos materiais. Assim, por cruzamentos conseguimos formar novas populações para enfim selecionar aquelas plantas que reúnam as característica desejáveis para solucionar um problema ou atender uma demanda”.

Conforme Cacilda Borges, o melhoramento genético propriamente dito implica, inicialmente, em selecionar os parentais, cruzar, avaliar as progênies (filhos desses cruzamentos), multiplicar as melhores para avaliar com mais detalhes em canteiros maiores e em diferentes regiões do Brasil e, por fim, em ensaios sob pastejo, repetindo se cada ensaio por pelo menos dois anos, para dar mais segurança quanto a variações climáticas. O objetivo maior do melhoramento genético é combinar características de interesse presentes em parentais distintos. É cruzar “o bom com o bom” para cada vez obter híbridos melhores.