A importância da reposição de fêmeas em um plantel

08/03/2014 16:08
O produtor rural conta hoje com diversas ferramentas tecnológicas e inúmeras fontes de informações disponibilizadas por associações e pesquisadores da área para contribuir com o desenvolvimento de uma propriedade

Produtividade e lucratividade são os principais temas que os produtores brasileiros buscam em seu rebanho. Mas muitos criadores não têm dado a devida atenção para um dos itens mais importantes dentro de um plantel: a reposição de fêmeas. “Onde há menos fêmeas parindo, há redução de crias, resultando em prejuízo nos negócios”, ressalta o técnico de corte da Alta, Marcos Labury.  
O produtor rural conta hoje com diversas ferramentas tecnológicas e inúmeras fontes de informações disponibilizadas por associações e pesquisadores da área para contribuir com o desenvolvimento de uma propriedade. Mas é necessário saber o momento certo para descartar uma fêmea e substituí-la. Esta prática deve fazer parte da rotina das propriedades e pode gerar gastos ainda maiores se não realizados de maneira correta. “A vaca é a peça principal na produção de carne. A substituição de matrizes é realizada em dois segmentos: seleção e comercial”, explica Labury. No caso da seleção, os produtos possuem maior valor agregado e serão destinados à reprodução. Já nos rebanhos comerciais, o animal entra como bezerro e sai como boi gordo, transformado na carne, que é o produto final.
Todo criador, de visão progressista, tem um plano estratégico para que seu negócio evolua ano a ano. “O criador experiente já descarta, automaticamente, aquelas fêmeas que não pariram na última estação de monta; as que não produziram leite suficiente para alimentar suas crias, as que desmamaram bezerros 20% abaixo do peso médio em relação aos seus contemporâneos e as com idade avançada, ou seja, a partir de 10, 12 anos; e quando passam a produzir menos em relação ao rebanho, a gerar pouco ou nenhum resultado”, ressalta Labury.
Em média, este descarte automático que gira em torno de 15% a 20% das fêmeas do rebanho, consequentemente, resultará em benefício financeiro anual para a propriedade. “O valor obtido com o descarte deve ser usado para repor fêmeas boas inicialmente”, aconselha Labury.
Para alcançar este resultado com excelência, uma das ferramentas  utilizadas pelos criadores nos últimos anos é a inseminação artificial. Como em qualquer negócio, é necessário cautela e analisar a necessidade de cada rebanho. “Para ter uma fêmea de qualidade, é preciso estar atento às características genéticas dos touros que futuramente serão pais. Estes animais vão gerar fêmeas e/ou machos destinados à reprodução ou ao corte”, esclarece Labury.

Os aspectos importantes para uma fêmea são:

Habilidade maternal: fundamental para a produção de leite e bom desmame. Touros como Lambisco e Faldan, ambos Nelore da bateria Alta, transferem esta genética às matrizes que terão crias com este atributo;
DEP 3P: indica a probabilidade de parto precoce, que agilizará o ciclo de reprodução. Um dos exemplos é o REM Quilano, da raça Nelore;
Stayability: é uma virtude de animais com longevidade produtiva e mais tempo de permanência no rebanho. O Macuni é um destes touros que dispõe destes atributos que automaticamente são repassados aos bezerros.
 
Estes fatores são essenciais, para que a vaca tenha máxima eficácia antes de ser descartada e também para parir bons bezerros. Porém, o produtor também pode aprimorar outros aspectos no rebanho utilizando a inseminação. É de suma importância fazer a escolha certa de touros, que atendam às necessidades do plantel. Desta forma, é possível corrigir as deficiências e garantir o desenvolvimento.