Globo Rural: 3 dúvidas sobre a criação de cavalos

22/02/2015 15:10
cavalo (Foto: Editora Globo)

A criação de cavalos pode ser maravilhosa e bastante lucrativa. A campolina, por exemplo, é uma das raças de sela mais procuradas e valorizadas da atualidade. Em 2013, atingiu médias entre R$ 20 e 30 mil para animais de elite e entre R$ 5 mil e R$ 15 mil para cavalos de passeio. As cotações mais altas da raça saíram para uma égua vendida em um leilão por R$ 700 mil e um garanhão arrematado por R$ 2,1 milhões, recordistas regionais de preço.

Em 2005, o Brasil era o quinto maior exportador mundial de carne de cavalo, sobretudo para países europeus, e tinha a segunda maior tropa equina do mundo, com 5,9 milhões de cabeças.  O faturamento bruto da atividade somou R$ 7,3 bilhões em há quase dez anos.

A carne também é valorizada, sobretudo para a exportação. No ano passado, o Brasil produziu cerca 2.375.961 quilos da carne, 99% dirigidos para exportação para a Europa, África e Ásia.

Mas nem sempre o cuidado é fácil. Leitores de Globo Rural enviaram perguntas comuns sobre a criação. Confira:

1) Mergulhar o focinho na água é normal?
Tenho um cavalo que, ao beber água, mergulha o focinho inteiro na água, inclusive as narinas. Isso indica algum problema ou é normal?
Jerônimo David Dias de Campos, Novo São Joaquim (MT)

Cavalos bebem geralmente de 30 a 50 litros de água por dia, volume cuja média depende de vários fatores, como a temperatura ambiente do momento, tipo de alimento consumido e atividade física realizada. Para beber água, os cavalos levam seus lábios abaixo da superfície da água, gerando um gradiente de pressão com a língua ao engolir o líquido insípido.

Quando mergulham até o focinho, na maior parte das vezes é para consumir plantas aquáticas. A sugestão é observar mais atentamente o comportamento do animal, para verificar se há algum outro sinal indicando que o cavalo esteja com problemas.

CONSULTORA: SANDRA APARECIDA SANTOS, pesquisadora de produção animal sustentável da Embrapa Pantanal, Rua 21 de Setembro, 1880, Caixa Postal 109, CEP 79320-900, Corumbá (MS), tel. (67) 3234-5921, cpap.sac@embrapa.br

2) Como fazer o manejo dos garanhões quarto de milha
Sou criadora de quarto de milha e estou tendo dificuldades no manejo dos cavalos garanhões. Eles ficam em baias limpas, de 4 x 4 metros e fechadas apenas no lado de divisão entre os animais. Embora sejam levados diariamente para caminhar e fazer exercícios e, a cada três meses, recebam pasta de verme, os cavalos comem as próprias fezes. Como interromper esse estranho hábito?
Nazima Cassia Casado
Votuporanga (SP)

O ato de comer outros materiais que não sejam alimentos é conhecido como “pica” ou apetite depravado. No caso de ingestão de fezes, muito comum em cavalos estabulados, o nome dado é coprofagia. Considerando que o hábito natural dos equinos é viver em grandes áreas de pastagens ou campos, a permanência deles em estábulos pode provocar alguns distúrbios comportamentais. Tédio, solidão, manejo inadequado, estresse e deficiência nutricional são alguns dos fatores que podem levar os animais a agirem de maneira diferente.

Apesar de o tédio ser mais frequente em cavalos estabulados, deve-se avaliar se a dieta do equino está equilibrada consultando um zootecnista ou médico veterinário local. O acesso ao pasto por mais tempo pode ajudar no controle do hábito indesejado. Se não for possível, disponibilize ração balanceada e feno (volumoso) várias vezes ao dia, na quantidade e qualidade recomendada, de modo que o animal fique ocupado alimentando-se sem muito tempo para sentir-se entediado.

Vale lembrar que, enquanto para cavalos adultos comer fezes é um problema, para potros o ato é importante para o estabelecimento da flora bacteriana.

CONSULTORA: Sandra Aparecida Santos, pesquisadora da Embrapa Pantanal

3) Cuidados com animais de tração

Dependo da boa saúde dos meus cavalos para manter meu trabalho de entrega de materiais de construção com uso de carroças e, por isso, cuido bem deles. Mas não tem adiantado dar um bom tratamento, pois eles vivem caindo. Há algum medicamento que possa ser dado aos animais?
Helio Raimundo
Duque de Caxias (RJ)

A base da saúde dos animais de tração está no uso de uma dieta balanceada para o nível de esforço que eles fazem. Como trabalham com atividade pesada, devem ingerir quantidade suficiente de alimento verde, ração concentrada e muita água, isso tudo intercalado com períodos de descanso.

Também, pode-se oferecer um suplemento vitamínico junto com o alimento. Evite o excesso de ração e milho, pois podem provocar cólicas e algumas doenças metabólicas nos cavalos. Descarte a aplicação de medicamentos injetáveis sem necessidade e dê preferência para os orais.

É importante fazer a inspeção dos cascos, para saber se possuem brocas, rachaduras e se estão com crescimento irregular, além de verificar se as ferraduras utilizadas estão adequadas. Mantenha a boa higiene da criação. Uma boa iniciativa é procurar orientação de um zootecnista, ou médico veterinário, que conheça a disponibilidade de alimentos locais e de profissionais de cavalaria, que são especializados em cuidados dos cascos.

CONSULTORA: Raquel Soares Juliano, pesquisadora da Embrapa Pantanal, Rua 21 de Setembro, 1880, Caixa Postal 109, CEP 79320-900, Corumbá, MS, tel. (67) 3234-5800, raquel.juliano@embrapa.br