Costume de criar animais silvestres em cativeiro alimenta o tráfico

17/03/2015 20:48

Bom Dia Brasil acompanhou operação do Ibama contra o tráfico de animais. Ao todo, foram aplicados mais de R$ 500 mil em multas.

 
 
 

Bom Dia Brasil acompanhou operação do Ibama contra o tráfico de animais no interior da Bahia durante 10  dias. Ao todo, os agentes aplicaram mais de R$ 500 mil em multas.

O costume de criar animais silvestres em cativeiro alimenta o tráfico. E a conscientização da população é fundamental para combater esse crime.

Em Riachão do Jacuípe, a 180 quilômetros de Salvador, em uma casa mora uma das famílias mais tradicionais da cidade. No portão tem até horário para visitação pública do jardim.

No combate ao tráfico, os fiscais se deparam com situações como esta: nos fundos da casa encontraram um pequeno zoológico com dezenas de jabutis, animais ameaçados de extinção. Mas segundo o Ibama, aparentemente o problema não é o comércio e sim o costume de colecionar animais silvestres, muito comum no Brasil.

“É tradição da cidade do interior, todo mundo tem um bicho, um jabuti, um papagaio, entendeu”, defende a aposentada Hieda Maria de Carvalho.

Alguns jabutis encontrados pelos fiscais têm deformações no casco, sinal de uma alimentação inadequada. Ao lado de aves exóticas, que não são nativas do Brasil e, portanto, permitidas, o Ibama encontrou também dois papagaios. A criação de animais, segundo a família, vem passando de geração em geração.

Bom Dia Brasil: Você sabe que a lei proibi que animais como os jabutis estão em extinção, isso nunca preocupou você?

Hieda Maria de Carvalho: É tradição de família, passou de meu avô para meu pai, e de meu pai provavelmente ia passar para gente.

A posse de um animal ameaçado de extinção dá multa R$ 5 mil. Como em uma casa foram encontrados 67 jabutis e dois papagaios, o total é de R$ 345 mil de multa. A maior multa aplicada em dez dias de operação.

No combate a depósitos clandestinos de animais, vendidos ilegalmente em feiras e até enviados para fora do país, os fiscais também encontraram gente que cria passarinhos sem a intenção de fazer negócio.

“Eu mesmo não crio para torneio, está entendendo. Eu crio porque eu gosto de ver o canto”, diz um criador de pássaro. 

O dono de uma oficina mecânica tinha várias gaiolas. E disse que comprou as aves de um caminhoneiro. “O senhor vai ser autuado e eu vou apreender os pássaros”, diz um agente do Ibama

Ao todo, os fiscais aplicaram mais de meio milhão de reais em multas durante a operação. Segundo o Ibama, o objetivo não é só reprimir o tráfico. É também educar para garantir a preservação do meio ambiente.

“Cada uma dessas pessoas que mantém animal no cativeiro não percebe que ela contribui com o tráfico. No sentido que ela está sendo egoísta de querer o animal preso ao invés de ter o animal livre e vivendo na natureza”, afirma o agente ambiental federal do Ibama Roberto Cabral Borges.