Comportamento Animal: Demônios da Tasmânia mais agressivos sofrem com os tumores letais

06/09/2012 17:35

 

Segundo pesquisadores, comportamento pode ter deixado a espécie chegar à beira da extinção

Efe

A agressividade dos demônios da Tasmânia, que habitam o sul da Austrália, os torna propensos a contrair tumores faciais letais que levaram a espécie à beira da extinção, segundo um novo estudo divulgado pela da Universidade de Tasmânia.
Demônios mais agressivos mordem os tumores de outros congêneres e assim ficam infectados - Save the Tasmanian Devil Program/Divulgação
Save the Tasmanian Devil Program/Divulgação
Demônios mais agressivos mordem os tumores de outros congêneres e assim ficam infectados

 

 

Pesquisadores descobriram que os exemplares com uma menor quantidade de mordidas de outros congêneres têm uma maior tendência a infectar-se com este tumor cancerígeno enquanto os menos agressivos se salvam de contrair a doença.

Os demônios mais agressivos "mordem os tumores de outros congêneres que são menos agressivos e é assim como se infectam", explicou Rodrigo Hamede, autor do artigo publicado na revista da Sociedade Ecológica Britânica citado pela agência local "AAP".

Ao estudar 300 exemplares da região de Cradle Mountain, na ilha de Tasmânia, entre os anos 2006 e 2010, Hamede percebeu que os animais infectados tinham entre 0 e 4 mordidas, enquanto os saudáveis registravam entre 5 e 15.

A alta taxa de mortalidade devido a estes tumores representa uma "pressão adicional" na população de demônios da Tasmânia, e por isso Hamede espera que se acelere o processo evolutivo para permitir que estes animais carnívoros diminuam sua agressividade e que a doença seja menos virulenta.

A doença, que gera a aparição de tumores que aumentam de tamanho até causar deformações que impedem o animal de comer para sobreviver, "é 100% mortal e de algum modo, os animais têm que aprender a coexistir com ela", apontou o cientista australiano.

O demônio da Tasmânia está incluído na lista nacional da Austrália de animais em perigo de extinção e também na lista vermelha das Nações Unidas por considerar que em um prazo de 25 a 35 anos pode desaparecer se antes não for encontrada uma cura para o câncer que dizima a espécie.

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