Como Dilma e Cia. quebraram a Petrobras e os Setores de Biocombustíveis e Bioeletricidade

27/03/2013 21:15

Jornal Agora


“O governo finge que ajuda e os empresários fingem que acreditam” – Sérgio Leme, presidente da Dedini (Folha de S.Paulo, 14/3/13)

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE): “O  ex-presidente Lula, ao anunciar a descoberta do pré-sal, politizou todas as decisões que foram tomadas no setor de petróleo dali para a frente, e, com isso, surgiram várias vítimas dessa atitude populista. As principais foram a Petrobrás, os produtores de etanol e o Estado. Sob o entusiasmo com a descoberta foi soterrado o projeto de biocombustíveis e congelado o preço da gasolina” (O Estado de S.Paulo, 13/3/13)

Miriam Leitão, colunista do Globo: “A lambança que os governos Lula e Dilma fizeram no setor energético em geral e no petrolífero em particular, criou um conflito que teve início quando o governo Lula decidiu mudar a lei do petróleo. Ele estava convencido de que a receita iria aumentar muito com o pré-sal. Mas isso está cada vez mais distante e incerto" (O Estado de S.Paulo, 13/3/13)

José Nêumanne, jornalista: “A Petrobras foi submetida a uma degradação absurda: seu lucro no ano passado foi 36% menor que o de 2011, seu valor de mercado caiu para 65,5% do patrimônio e o fruto da campanha ‘o petróleo é nosso’ despencou do segundo para o oitavo lugar no ranking mundial das petroleiras. Na América do Sul, perdeu o topo para uma empresa colombiana. E alguém tem ideia do destino dos R$ 107 bilhões da ‘maior capitalização da história do capitalismo’, em 2010?” (O Estado de S.Paulo, 13/3/13)

Sérgio Leme, presidente da Dedini: “Empresa 100% nacional com mais de 90 anos, a Dedini observou a desnacionalização do setor de cana nos últimos anos. As aquisições estrangeiras não resultaram, até agora, em investimentos. Nos últimos quatro anos, grandes grupos chegaram e aproveitaram oportunidades. Pegaram um setor endividado e compraram ativos. Existem no Estado de São Paulo pelo menos umas 30 usinas que ainda estão à venda. Se o governo continuar a segurar o preço da gasolina, o etanol tem pouca chance, pois está atrelado à gasolina. Nesse cenário, descartamos aumentar investimentos neste ano” (Folha de S.Paulo, 14/3/13)

José Alberto Gimenez, prefeito de Sertãozinho: “Até 2007, Sertãozinho ocupava o sexto lugar no ranking das melhores cidades brasileiras, medido por pesquisas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, que levam em conta emprego, nível de renda, saúde e educação. Sertãozinho era o maior pólo nacional de produção de máquinas e equipamentos para o setor do açúcar e do álcool. Na maioria, os trabalhadores de lá são operários especializados. Dois anos depois, Sertãozinho desabou para o 154º lugar no ranking, e dali não conseguiu sair. Nossas fábricas estavam ganhando dinheiro com o grande volume de encomendas para as usinas, tanto novas quanto antigas. Aí o governo começou a se meter nos preços dos combustíveis e bagunçou tudo. As dificuldades das usinas chegaram logo à prefeitura. Com quase 2 mil desempregados, Sertãozinho perdeu renda, o que afetou o comércio, a prestação de serviços, a arrecadação pública e os índices de saúde” (Revista Piauí_78 Março/13)

Carlos Liboni, secretário de Indústria e Comércio de Sertãozinho: “Para produzir etanol é preciso saber produzir. O investimento é alto, cerca de 6 mil reais por hectare. O canavial precisa estar no máximo a 50 quilômetros da usina. Sem isso, o negócio fica impraticável. Uma tonelada de cana está em torno de 70 reais. Se o caminhão rodar muito, todo o dinheiro da cana transportada será para pagar o frete. Os investimentos na construção de uma usina também são altos. Uma nova usina, de tamanho médio, exige um investimento mínimo de 1 bilhão de reais. Quem vai investir essa montanha de dinheiro se não tiver segurança de que as regras do jogo não serão mudadas? O fato é que, nos últimos anos, o governo mudou as regras várias vezes. Abaixou o percentual de álcool na mistura de gasolina, congelou preço, não levou para a frente o projeto de biomassa, que era a produção de energia elétrica com o bagaço da cana-de-açúcar. Tudo isso judia muito do setor” (Revista Piauí_78 Março/13)

Tonho Tonielo, presidente do CEISE Br – Centro Nacional do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis: “Há má vontade da presidente Dilma Rousseff com o setor sucroenergético. Ela não quer conversa com a gente. Para aumentar o percentual de 20% para 25% da mistura de etanol na gasolina, levou meses para decidir. Nós não temos interlocução. A maioria dos nossos pleitos cai no vazio. A ‘muié’ é dura demais!”(Revista Piauí_78 Março/13)

Marcos Jank, ex-presidente da Unica – União da Indústria da Cana-de-Açúcar: “Em 2022, os EUA irão consumir 140 bilhões de litros de etanol, em substituição à gasolina. Desse total, só 57 bilhões sairão do milho. Os outros 80 milhões terão que vir de fontes mais limpas. E 15 bilhões de litros virão do etanol de cana. Temos condições de nos tornarmos os maiores exportadores do mundo. Mas isso só acontecerá se o governo, em vez de atrapalhar, se mexer de maneira coerente. O governo ficou anestesiado com o pré-sal. Depois disso nada aconteceu. Venderam o pirão antes do peixe. Viramos o país do pré-sal que importa gasolina. E, se nada mudar, seremos o país do etanol da cana que compra etanol de milho” (Revista Piauí_78 Março/13)

 

Ronaldo Knack

Setor Sucroenergético

ronaldo@brasilagro.com.br

 

 

 

Ronaldo Knack