Comércio Global de Peixes Atinge Níveis Recordes

20/05/2014 20:01

 

Pescadores e aquicultores de pequena escala precisam de apoio para chegar a mercados regionais e internacionais

Bergen/Roma – Segundo a FAO, o aumento do comércio global de peixes tem gerado mais riqueza do que nunca, mas os países devem ajudar os pescadores e aquicultores de pequena escala, para que também possam colher benefícios.

Estima-se que a produção pesqueira mundial de pesca de captura e de aquicultura atinja um novo recorde em 2013, com 160 milhões de toneladas, contra as 157 milhões de toneladas no ano anterior. Já as exportações devem chegar a 136 milhões de dólares de acordo com dados preliminares divulgados nas vésperas da reunião do Subcomité do Comércio Pesqueiro da FAO, que vai acontecer nesta semana em Bergen (Noruega).

"Os números recorde do comércio refletem o forte crescimento da produção aquícola e os preços elevados de uma série de espécies, como o salmão e o camarão. Isto tem também como base a forte procura pelos produtos da pesca no mercado mundial", explicou Audun Lem, responsável pelo Serviço de Produtos, Comércio e Comercialização da FAO.

Espera-se que a produção aquícola atinja cerca de 67 milhões de toneladas em 2012 e as projeções para 2013 sugerem que os aquicultores tenham produzido 70 milhões de toneladas, o que representa 44 % da produção total de peixes e 49% do peixe destinado ao consumo humano direto.

"A porcentagem da produção pesqueira que é comercializada internacionalmente é significativa, cerca de 37% 2013. Isso faz com que o setor pesqueiro seja uma das indústrias alimentares do mundo mais globalizadas e dinâmicas", afirmou Lem.

 

Apoio aos pescadores artesanais

Os países em desenvolvimento continuam a desempenhar um importante papel no abastecimento dos mercados globais, representando 61 % do total das exportações de peixe e 54% do valor em 2012. As receitas de exportação líquidas (exportações menos importações) atingiram os 35,3 milhões de dólares, acima do valor das exportações de um conjunto de outros produtos agrícolas, incluindo o arroz, a carne, o leite, o açúcar e a banana.

Mas os benefícios do comércio internacional nem sempre chegam às comunidades de pescadores de pequena escala, embora os pescadores e aquicultores artesanais constituam cerca de 90% da força de trabalho no setor, segundo a FAO.

A Organização das Nações Unidas apela aos países para que ajudem os pescadores de pequena escala e os trabalhadores do setor de pescas, metade são mulhere que superam uma série de constrangimentos, incluindo a falta de poder de negociação e de acesso ao crédito, as dificuldades em cumprir as normas de acesso ao mercado e as infraestruturas de comercialização inadequadas, de modo que eles possam ter acesso aos mercados locais, globais e, especialmente, regionais.

"Há grandes oportunidades nos mercados regionais já que, neste momento, as economias emergentes, como o México, o Brasil, a Indonésia e a Malásia, querem mais peixes e procuram a oferta vinda dos países vizinhos. Ao mesmo tempo, essa crescente procura promove novos investimentos na produção da aquicultura local, incluindo em África", ressaltou Lem.

De acordo com a FAO, os países têm de disponibilizar aos pequenos aquicultores o acesso ao financiamento, a seguros e a informações sobre mercados, investir em infraestruturas, fortalecer as organizações de produtores e de comerciantes de pequena escala, e garantir que as políticas nacionais não negligenciam ou enfraquecem este setor.

Uso dos subprodutos

A medida que se processa uma maior quantidade de peixes para exportação, existem também mais subprodutos, como cabeças, vísceras e espinhas, que são potencialmente valiosos caso sejam transformados em produtos para o consumo humano.

"Temos que garantir que esses produtos não são desperdiçados, do ponto de vista econômico, mas também nutricional. Os subprodutos do peixes têm muitas vezes um valor nutricional mais elevado do que o próprio peixe, especialmente em termos de ácidos gordos essenciais, vitaminas e minerais, e podem ser uma excelente maneira de combater as deficiências em micronutrientes nos países em desenvolvimento", destacou Lem.

Lem explicou ainda que vem surgindo novos mercados para os subprodutos, indicando a crescente procura por cabeças de peixe em alguns mercados da Ásia e da África, ao mesmo tempo que é possível utilizar as cabeças e as espinhas para responder à crescente procura global por óleo de peixe e por suplementos minerais.

Segundo a FAO, há também um grande potencial na transformação dos subprodutos em farinha e óleo de peixe para a alimentação na aquicultura e pecuária, contribuindo indiretamente para a segurança alimentar. Isso permitiria que algum peixe inteiro utilizado neste momento na produção de farinha e de óleo de peixe seja destinado ao consumo humano direto.

Fonte: FAO

https://www.fao.org.br/cgpanr.asp