China projeta a maior fábrica de clonagem animal do mundo

07/12/2015 15:29

A indústria chinesa quer reproduzir clones em larga escala de vacas, porcos e cabras, entre outros animais. Tudo com um propósito: produzir carne suficiente para abastecer o mercado chinês

 

China projeta a maior fábrica de clonagem animal do mundo

 

 

 

 

 
Quatro cães clonados a partir de um labrador retriever posam para a fotografia com os investigadores de veterinária da Seoul National University's College | Ben Weller - Reuters
 
 

Vários cientistas chineses revelaram um conjunto planos para a maior fábrica de clonagem animal do mundo.

Como base de construção deste projeto, já por si considerado polémico, está a ideia de que é preciso fazer alguma coisa face à ameaça permanente de extinção que pende sobre diferentes espécies animais.

A polémica adensa-se visto que esta fábrica tem já data marcada para arranque das funções no segundo semestre de 2016.

Mas a principal função desta fábrica de clonagem é mesmo a produção de animais para consumo humano.



Na história da indústria chinesa são vários os registos em que produtos alimentares para consumo humano não cumprem as normas mínimas de confeção, higienização e conservação, levando mesmo a problemas de saúde graves entre as populações.


Gado para consumo humano
À frente deste novo projeto está a BoyaLife, em parceria com a Sooam Biotech da Coreia do Sul. A empresa chinesa prepara nesta altura uma área de 14 mil metros quadrados em Tianjin, na China, e afirma que o principal foco industrial vai incidir na clonagem de gado para acompanhar a procura desenfreada por parte do mercado asiático.

"Nós vamos e estamos dispostos a ir por um caminho que ninguém ainda tentou percorrer", afirmou Xu Xiachun, CEO da BoyaLife, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.



Segundo Xiachun, a fábrica espera produzir cerca de 100 mil embriões de vaca anualmente e quer mesmo agarrar, com este novo produto, cinco por cento do mercado chinês.

Dolly, o primeiro clone conhecido em 1997

Decorria o ano de 1997 quando a comunidade cientifica dava a conhecer, oficialmente, o primeiro animal clonado do mundo.

A ovelha Dolly nasceu a 5 de julho de 1996 e foi o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso a partir de uma célula adulta, tendo vivido nove anos - até fevereiro de 2003.



A polémica e ainda frágil conduta científica nesta matéria implicou que a divulgação do facto apenas fosse dado a conhecer a 22 de fevereiro de 1997, quando Dolly já tinha sete meses de vida.

A ovelha foi criada por investigadores do Instituto Roslin, na Escócia, e os créditos da clonagem foram imputados ao investigador Ian Wilmut. Mais tarde, em 2006, o cientista revelou que afinal Keith Campbell era na verdade o maior responsável pela clonagem.



Dolly foi clonada a partir das células da glândula mamária de uma ovelha adulta com cerca de seis anos, através de uma técnica conhecida como transferência somática de núcleo."Esta carne vai ser vendida na Coreia do Sul ou na China? Se for na China, por favor, façam os nossos líderes comê-la primeiro” -  internauta chinês.

Desde então o processo de clonagem animal ganhou outro ritmo e foram vários os laboratórios, em todo o mundo, que se dedicaram a aperfeiçoar e a produzir este tipo de experiências.

Em 2010, nos Estados Unidos, soube-se que tinha entrado para o mercado a produção de carne de vitelo proveniente de uma vaca clonada, na indústria de alimentos norte-americano, provocando uma investigação, tendo mesmo fornecedores britânicos exigido várias autorizações especiais para vender esse tipo de carne.



"Esta carne, definitivamente, deve primeiro ser consumida pelos líderes do Governo central chinês; só depois de eles e das suas famílias terem comido esse tipo de carne, durante dez anos, é que eles se devem dignar a dar-nos", escreve um cidadão chinês num post publicado pela edição online da estação britânica Sky News.

Além das carnes de bovino, caprino e suíno, os cientistas da fábrica chinesa esperam também clonar outro tipo de animais, tais como cavalos de corrida enxertados de vários cavalos campeões, como por exemplo póneis de pólo na América do Sul e cães polícia, farejadores, capazes de encontrar drogas ilegais ou pessoas durante desastres naturais.
Extinções diárias
Segundo dados da União Internacional para a Conservação da Natureza, cerca de 40 por cento de todas as espécies anfíbias e mais de 25 por cento dos mamíferos estão em risco de extinção.

Os dados são ainda mais alarmantes se tivermos em conta os números apresentados no site da Convenção para a Diversidade Biológica, criada durante a Cimeira do Rio, em 1992:

  • Estamos a viver o maior período de extinções desde o desaparecimento dos dinossauros;
  • Extinguem-se três espécies por hora;
  • Extinguem-se cerca de 150 espécies por dia.
Mas serão estes números corretos? Se fizermos as contas, desaparecendo três espécies por hora, então extinguir-se-iam 72 espécies e não 150 por dia, como afirma a convenção. 



Apesar de ser menos de metade, a questão mantém-se e é fatalmente grave. 

O certo é que a comunidade científica não sabe - e dificilmente saberá - quantas espécies vivem na Terra.  Quase todos os dias são publicadas notícias da descoberta de novas formas de vida.

À superfície a contabilidade é de alguma forma facilitada, mas no fundo dos oceanos ainda há muito por descobrir.

Daí colocar-se a questão: se não conhecemos todas as espécies, é possível que algumas possam desaparecer antes mesmo antes de as descobrirmos.
Espécies mais ameaçadas

Segundo o World Wide Fund for Nature, em 2010 existiam milhares de espécies em risco de extinção. Neste ano - o Ano Internacional da Biodiversidade - a WWF deixou um apelo: "A biodiversidade do Planeta depende de cada um de nós."

Aproveitando a efeméride, a organização deu a conhecer as dez espécies mais ameaçadas:



Tigre

Estudos recentes indicam que existem apenas 3.200 tigres (Panthera tigris) no seu habitat natural.



Urso Polar

O Urso Polar do Ártico (Ursus maritimus) converteu-se no ícone simbólico das mais recentes vítimas de perda de habitats devido às consequências nefastas das mudanças climáticas.



Morsa do Pacífico

Os mares de Chuckchi e de Bering são os lares da morsa do Pacífico (Odobenus rosmarus divergens), outra das principais vítimas das alterações climáticas.

Estes animais dependem das placas de gelo flutuante para descansar, darem à luz, amamentar e protegerem as suas crias dos predadores.



Pinguim de Magalhães

Já anteriormente ameaçados devido aos derrames de crude, os pinguins de Magalhães (Spheniscus magellanicus) enfrentam agora a escassez e quase desaparecimento dos peixes que lhes servem de alimento. 

Actualmente, 12 das 17 espécies de pinguins existentes estão a sofrer fortes diminuições nas suas populações.



Tartaruga de Couro

A tartaruga de Couro (Dermochelys coriacea) é a maior das tartarugas marinhas e um dos répteis que assegurou a sua sobrevivência durante centenas de milhares de anos. No nosso milénio, são das espécies que enfrentam o mais grave perigo de extinção.

Estimativas recentes indicam que a população desta espécie sofre um acentuado declínio, em particular no Pacífico, onde se calcula que apenas existam 2.300 tartarugas - tornando a tartaruga de Couro a mais ameaçada do mundo.



Atum Rabilho do Atlântico

O atum rabilho (Thunnus thynnus) é um peixe migratório que se distribui pelas costas leste e oeste do Atlântico e se reproduz no Mar Mediterrâneo. É, por isso, uma das espécies seguidas pela programa da WWF Mediterrâneo em Portugal.

O atum rabilho (ou vermelho) é sobretudo utilizado na gastronomia japonesa de alta qualidade. A espécie encontra-se perto do colapso caso as práticas de captura do peixe permaneçam sem regras que visam a sua sustentabilidade.



Gorila da montanha

Os cientistas consideram o gorila da montanha (Gorilla beringei beringei) uma subespécie em perigo crítico de extinção, com apenas 720 indivíduos no seu estado selvagem. Mais de 200 habitam o Parque Nacional de Virunga, localizado na zona leste da República Democrática do Congo, na fronteira com o Ruanda e o Uganda. Áreas de conflito humano permanente que se repercute na perda dos habitats naturais da espécie e na caça ilegal do gorila da montanha.



Borboleta Monarca

Todos os anos, milhões de delicadas borboletas monarca (Danaus plexippus) imigram do Canadá e dos Estados Unidos para passarem o Inverno nas florestas do México.

A conservação e proteção efetiva das florestas altas de abetos e pinheiros do México é essencial para a sobrevivência dos locais de hibernação desta espécie de borboleta - processo que já foi identificado como sendo um fenómeno biológico que, não sendo respeitado, levará à extinção da espécie.



Rinoceronte de Java

Em estado crítico de extinção e na Lista Vermelha da União Internacional de Conservação da Natureza (2009), o rinoceronte de Java (Rhinoceros sondaicus) é considerado o mamífero de grande porte em maior perigo de extinção a nível mundial, com uma população de apenas 60 animais.

Altamente procurada para uso em terapias da medicina tradicional chinesa, a população de rinocerontes de Java tem sofrido uma outra perseguição à sua sobrevivência: a conversão do seu habitat (florestas) em zonas de cultivo.



Panda gigante

O panda gigante (Ailuropoda melanoleuca), símbolo da organização global de conservação WWF desde a sua fundação em 1961, enfrenta um futuro incerto, com menos de 2.500 exemplares no seu habitat natural.

Foto: Reuters

Em Portugal a Águia Imperial

A Águia Imperial (Aquila adalberti) é uma ave soberba que ocorre em montados, sobreirais e azinhais que tenham áreas abertas de pastagem ou de cultura de cereais e manchas de mato onde esta ave possa capturar as suas presas principais, nomeadamente o coelho-bravo que se está a tornar raro devido à caça humana.

Fonte: WWF