Carne bovina pode ser afetada pelo efeito estufa, revela pesquisa

26/06/2013 20:12

Estudo da USP revela que aumento de CO2 na atmosfera pode prejudicar a qualidade e exigir mais investimentos do produtor, além de comprometer outras culturas como o algodão, o arroz, o feijão, o milho e o trigo

por Agência Brasil
Editora Globo
De acordo com a pesquisa, em ambientes com alto teor de dióxido de carbono plantas como a braquiária, usada na alimentação do gado, crescem com mais força e menos nutrientes

Um dos principais produtos vendidos pelo Brasil no exterior, a carne bovina pode ser afetada pelo gradativo aumento da presença de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Os primeiros resultados de um estudo que faz parte do projeto Climapest da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre o impacto do efeito estufa na agricultura apontam para modificações na qualidade da pastagem do gado. 

O estudo será apresentado no encontro sobre o impacto do efeito estufa Greenhouse Gases & Animal Agriculture Conference, que começa neste domingo (23/6) e vai até o dia 26 de junho em Dublin, na Irlanda. 

Com base na quantidade presumível de CO2 no meio ambiente daqui a 30 anos, pesquisadores brasileiros doCentro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) criaram um ambiente com alto teor desse gás e constataram que, nessas condições, a gramínea braquiária, mais utilizada na alimentação do gado no país, cresce com mais força, porém, com menos nutrientes. 

“Com mais fibras indigeríveis, em vez de se ter mais produção de carne – porque o boi vai ter mais pasto para comer, nós poderemos ter um problema porque a queda na qualidade dessa comida levará o pecuarista a ter de investir mais”, ponderou o coordenador da pesquisa, Adibe Luiz Abdalla, professor do Cena. 

Os trabalhos foram desenvolvidos em um campo experimental da Embrapa, em Jaguariúna, na região de Campinas (SP), onde foi criado um ambiente que se prevê como realidade no ano de 2040. Nele foram instalados 12 círculos de 10 metros quadrados nos quais foi injetado CO2 que ampliou a quantidade encontrada atualmente na atmosfera de algo em torno de 370 a 390 para cerca de 590 a 600 partes por milhão (ppm). 

O gás carbônico tem o papel de auxiliar no desenvolvimento das plantas por meio da fotossíntese. O professor Adibe estima que com mais fotossíntese haverá um aumento da biomassa. “Esse aumento da produção de biomassa no caso de forragens é interessante porque vai produzir mais e mais capim, só que esse capim pelas informações que a gente está obtendo até agora é de pior qualidade, tem mais fibra, mais componentes indigeríveis”, explicou ele. 

Isso poderia comprometer, igualmente, supõe o pesquisador, outras culturas como as de algodão, arroz, feijão, milho e trigo. Mas, segundo ele, ainda não se sabe ao certo o real impacto do efeito estufa sobre essas culturas.

Fonte Globo Rural