Carne bovina deve ultrapassar soja e virar carro-chefe das exportações

07/01/2016 15:22

Zootecnista, Presidente da ABCZ aposta no crescimento da demanda mundial por carne, sendo o Brasil um grande responsável por este fornecimento

 

Paranhos é presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (Foto: divulgação)

Zootecnista Paranhos é presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (Foto: divulgação)

“Em alguns anos, o Brasil terá uma mudança do carro-chefe da balança comercial. A soja, que ocupa atualmente o posto número um, poderá ceder lugar para a carne bovina”. Palavras do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ, Uberaba/MG), Luiz Claudio de Souza Paranhos Ferreira.

O cálculo de Ferreira analisa a crescente demanda mundial por carne bovina, e como o Brasil é um dos principais fornecedores mundiais, terá papel importante no negócio. Com o maior rebanho comercial do mundo, o Brasil reúne cerca de 208 milhões de cabeças, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE, Rio de Janeiro/RJ).

Com produção anual de carne bovina em 10 milhões de toneladas, com 21% destinados à exportação, Ferreira diz que o País deve chegar facilmente a 15 milhões de toneladas com as mudanças que estão sendo incrementadas na produção.

As receitas, previstas em US$ 7,5 bilhões em 2016, deverão atingir US$ 28 bilhões em uma década. As exportações de soja, que devem atingir US$ 27 bilhões neste ano, estão previstas em US$ 25 bilhões em 2016.

Entre as mudanças do setor para obter esse avanço, ele destaca um melhoramento das pastagens e uma consequente maior ocupação de animais por hectare. “Grande parte das áreas de pastagens tem atualmente um animal por hectare. Com a melhora das pastagens, facilmente se pode chegar a uma média de 1,5 animal”, diz.

Carne bovina deverá ser mais consumida com o tempo, fator benéfico para as exportações brasileiras (Foto: reprodução)

Carne bovina deverá ser mais consumida com o tempo, fator benéfico para as exportações brasileiras (Foto: reprodução)

O avanço na utilização da genética e do confinamento, além do abate de animais em idade mais jovem, deve ajudar nessa escalada da produção. O pecuarista extrativista tende a acabar e o produtor não pode ficar parado no tempo, segundo Ferreira. “O produtor de gado tem de fazer adubação nas pastagens e utilizar novos formas de aproveitar a terra -como a integração lavoura-pecuária-floresta. Tem de alavancar recursos e, se necessário, fazer parcerias”, indica.

Ele acredita que em 2020 o País já estará exportando quatro milhões de toneladas de carne bovina, o dobro do volume atual. Mas, para ter esse avanço das receitas, o Brasil precisará de mais clientes.

Fonte: Folha de S. Paulo e Abiec, adaptado pela equipe feed&food.